Carros elétricos blindagem Divulgação: Avallon Blindagens

Roubos e furtos de eletrificados aumentaram 144% no Rio de Janeiro no primeiro trimestre de 2026. Possibilidade de recarga com energia clandestina, sem necessidade de ir a postos de combustíveis, preocupa especialistas em segurança.

O crescimento da frota de veículos elétricos e híbridos no Brasil está acompanhado de uma preocupação para seus proprietários: o interesse de criminosos por esses automóveis.

Além do valor comercial, os modelos totalmente elétricos apresentam uma característica que pode facilitar sua utilização em áreas dominadas pelo crime organizado que é a possibilidade de recarregar as baterias sem sair das comunidades para abastecer em postos de combustíveis.

Em operações policiais realizadas no Rio de Janeiro, já foram identificados pontos clandestinos de recarga utilizados por criminosos. Em alguns casos, os equipamentos eram alimentados por ligações irregulares de energia elétrica, os chamados gatos, permitindo o abastecimento sem pagamento pelo consumo.

Dados divulgados pelo setor de seguros apontam que os roubos e furtos de veículos eletrificados no Rio de Janeiro passaram de 150 ocorrências no primeiro trimestre de 2025 para 366 no mesmo período de 2026, aumento de 144%.

O crescimento merece atenção, embora parte dele também possa ser explicada pela expansão da frota. Os números, isoladamente, não demonstram que os elétricos sejam proporcionalmente mais roubados do que os veículos convencionais.

Recarga clandestina facilita utilização de veículos roubados

Uma das dificuldades enfrentadas por criminosos que utilizam automóveis roubados é a necessidade de sair de áreas sob seu controle para abastecer.

Com os elétricos, essa limitação pode ser reduzida. Os veículos podem permanecer em locais onde existem pontos de recarga improvisados, inclusive com energia furtada da rede de distribuição.

Em março de 2023, uma operação do Bope no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, encontrou veículos elétricos de luxo utilizados por traficantes e uma estrutura clandestina de carregamento.

Em janeiro de 2026, outra operação identificou pontos de recarga irregulares na Vila Aliança, na Zona Oeste da capital fluminense.

Esses episódios demonstram uma modalidade de utilização criminosa dos veículos eletrificados, embora não seja possível afirmar que todos os roubos tenham essa finalidade.

BYD Song Plus lidera ranking de carros blindados

BYD Song Plus liderou o ranking de veículos blindados entre janeiro e setembro de 2026, segundo dados divulgados pela Abrablin. Paralelamente ao aumento das ocorrências envolvendo eletrificados, o setor de blindagem registra maior presença desses veículos entre seus clientes.

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin), o BYD Song Plus foi o automóvel mais blindado do país entre janeiro e setembro de 2026, com 1.486 unidades.

O modelo, que é um híbrido plug-in, superou o Toyota Corolla Cross, anteriormente líder do segmento.

Na Avallon Blindagens, localizada em Barueri (SP), os eletrificados já representam aproximadamente 35% dos veículos atendidos, sendo 30% híbridos e 5% totalmente elétricos, segundo dados internos da empresa.

O aumento da blindagem não pode ser atribuído exclusivamente ao crescimento dos roubos. A expansão das vendas de eletrificados e o perfil dos compradores também influenciam a procura.

De acordo com Ismael de Moraes, engenheiro mecânico e responsável técnico da Avallon Blindagens, os automóveis eletrificados exigem projetos específicos devido à presença de baterias de alta tensão e à distribuição do peso.

Nos elétricos puros, as baterias normalmente ocupam grande parte do assoalho, exigindo atenção aos pontos de fixação dos materiais balísticos.

A blindagem acrescenta peso ao automóvel, podendo afetar a autonomia, o consumo de energia e o comportamento dinâmico.

Para minimizar esses efeitos, as empresas utilizam materiais mais leves, como vidros balísticos de menor espessura e polietileno de alto desempenho.

A Avallon informa que mantém equipes especializadas, treinadas para trabalhar com sistemas de alta tensão e procedimentos de segurança elétrica.

Proprietários devem avaliar riscos e medidas de segurança
Para os proprietários de veículos elétricos e híbridos, o crescimento das ocorrências reforça a importância de medidas preventivas, como seguro adequado, rastreamento e escolha de locais seguros para estacionar e recarregar.

Durante viagens, especialmente em rodovias, é recomendável planejar as paradas e priorizar postos de recarga instalados em estabelecimentos monitorados e bem iluminados.

A blindagem pode oferecer proteção adicional em determinadas situações de violência armada, mas não impede o furto ou o roubo do veículo.

O principal alerta é que os automóveis elétricos já fazem parte do universo de veículos utilizados pelo crime organizado. A facilidade de recarga clandestina representa uma vantagem operacional em determinadas situações, enquanto o crescimento da frota e do mercado de blindagem exige atenção de proprietários, seguradoras e autoridades.

 

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Fonte: Abrablin, Avallon Blindagens, dados divulgados pelo setor de seguros e reportagens sobre operações policiais no Rio de Janeiro.

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