Rodovia estratégica para o Porto de São Francisco do Sul (SC) acumula acidentes, congestionamentos e prejuízos logísticos. Nova concessão ainda depende de etapas burocráticas
A BR-280, uma das principais ligações rodoviárias do Norte de Santa Catarina com o Porto de São Francisco do Sul, deverá ser incluída no programa federal de concessões de 2027.
A iniciativa pretende atrair investimentos privados para a modernização da rodovia, cuja duplicação começou em 2014 e acumula mais de uma década de atrasos, paralisações e sucessivas revisões de projetos.
O novo modelo prevê a concessão de aproximadamente 170 quilômetros entre Mafra e São Francisco do Sul, com contrato estimado em 30 anos e investimentos da ordem de R$ 3,3 bilhões.
Entretanto, o leilão ainda depende da conclusão dos estudos técnicos, da realização de audiência pública, da análise do Tribunal de Contas da União (TCU) e da publicação do edital.
Uma duplicação prometida há mais de uma década
As obras de duplicação da BR-280 começaram em 2014, abrangendo aproximadamente 74 quilômetros entre São Francisco do Sul e Jaraguá do Sul. O projeto foi dividido em três lotes, com o objetivo de melhorar a segurança e retirar parte do tráfego pesado dos centros urbanos.
O investimento inicialmente estimado em cerca de R$ 1 bilhão chegou a aproximadamente R$ 1,7 bilhão, após reajustes e alterações nos projetos.
Os trabalhos enfrentaram problemas com desapropriações, licenciamento ambiental, questões indígenas, dificuldades técnicas e restrições orçamentárias.
O caso mais crítico é o lote 1, entre São Francisco do Sul e a BR-101, em Araquari. As obras começaram em 2018 e foram interrompidas em 2022. A retomada depende de novas contratações e projetos.
Nos demais lotes, há previsão de conclusão de um segmento em Guaramirim em 2026 e do contorno de Jaraguá do Sul em 2027.
Atrasos custam caro à população e à economia
A demora na duplicação mantém motoristas e caminhoneiros expostos a congestionamentos, longos tempos de viagem e riscos de acidentes.
Em audiência pública realizada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina, lideranças regionais relataram fluxo de aproximadamente 50 mil veículos por dia no trecho de acesso ao litoral, além da intensa circulação de caminhões ligados às operações portuárias.
Também foram mencionadas 11 mortes no trecho durante parte de 2025, evidenciando a preocupação com as condições de segurança da rodovia.
Para as empresas, os congestionamentos representam aumento dos custos de transporte, consumo de combustível, atrasos nas entregas e perda de produtividade. Para os moradores, significam dificuldades de deslocamento e tráfego pesado nas áreas urbanas.
Nova concessão ainda não garante solução imediata
A inclusão da BR-280 no programa de concessões federais de 2027 representa uma nova tentativa de viabilizar os investimentos necessários.
O projeto chegou a prever a participação de rodovias estaduais, como a SC-108 e a SC-418, mas precisou ser reformulado após o governo catarinense não concordar com a concessão conjunta.
Mesmo com o leilão previsto para 2027, as obras não começarão necessariamente de imediato. A futura concessionária ainda precisará cumprir etapas contratuais, elaborar projetos e obter as autorizações necessárias.
Enquanto isso, a população e os transportadores continuam pagando o preço de uma duplicação que atravessou diferentes governos sem ser concluída.













