
Entidade defende integração das forças policiais, combate aos receptadores e medidas efetivas para proteger caminhoneiros, transportadoras e operações logísticas
A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) defendeu o fortalecimento do combate ao roubo de cargas e às organizações criminosas após a aprovação da PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025) pelo Senado Federal, em 3 de novembro de 2026.
Em comunicado divulgado na sexta-feira (6), a entidade destacou que a mudança constitucional precisa resultar em ações concretas para proteger os profissionais do transporte, os veículos e as mercadorias que circulam pelas rodovias brasileiras.
Para a NTC&Logística, a criminalidade contra o transporte rodoviário de cargas representa uma ameaça que ultrapassa os prejuízos das transportadoras. Os crimes também comprometem o abastecimento da população, a continuidade das atividades produtivas e a competitividade da economia brasileira.
A entidade acompanhou a tramitação da proposta desde sua apresentação pelo governo federal, passando pela aprovação na Câmara dos Deputados até a votação final no Senado.
Combate ao roubo de cargas deve alcançar receptadores e financiadores
Um dos principais pontos defendidos pela NTC&Logística é que o enfrentamento ao roubo de cargas não pode se limitar à identificação e à prisão dos criminosos que executam diretamente os assaltos.
Segundo a entidade, as autoridades precisam atingir toda a estrutura econômica que sustenta essa atividade criminosa, incluindo os responsáveis pela receptação, pelo financiamento, pelo armazenamento e pela comercialização ilegal das mercadorias roubadas.
Isso significa que, além do policiamento nas rodovias, é necessário ampliar a investigação sobre o destino das cargas, os estabelecimentos envolvidos na comercialização dos produtos e os beneficiários financeiros das operações criminosas.
A associação considera indispensável a atuação coordenada das forças de segurança, com integração entre policiamento ostensivo, inteligência, investigação criminal e polícia judiciária, além da participação do Ministério Público, do Poder Judiciário e do sistema penitenciário.
O que muda com a PEC da Segurança Pública?
A PEC 18/2025 estabelece mudanças na organização do sistema brasileiro de segurança pública, buscando ampliar a cooperação entre a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios.
Entre os principais pontos da proposta estão:
– Inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) na Constituição Federal.
– Ampliação da integração e do compartilhamento de informações entre instituições de segurança.
– Fortalecimento do enfrentamento às organizações criminosas.
– Mudanças nas atribuições e na coordenação dos órgãos policiais.
– Medidas relacionadas à investigação criminal e ao sistema penitenciário.
– Reforço dos mecanismos de financiamento da segurança pública.
Embora a proposta tenha sido aprovada pelo Senado em dois turnos, sua implementação ainda dependerá de regulamentação, planejamento, recursos financeiros e medidas administrativas. A PEC foi encaminhada à promulgação pelo Congresso Nacional.
Segurança nas rodovias exige atuação integrada
A NTC&Logística ressalta que o combate à criminalidade envolvendo caminhões e cargas exige políticas permanentes de prevenção e repressão, além de investigações capazes de desarticular as organizações criminosas.
Para o setor de transporte, a integração das instituições de segurança é fundamental, especialmente porque as operações logísticas frequentemente atravessam diferentes municípios e estados.
O enfrentamento desses crimes, portanto, depende não apenas da atuação policial nas estradas, mas também da capacidade de investigar organizações que operam em diferentes regiões do país.
A entidade também destaca a necessidade de respeitar o pacto federativo e a autonomia dos estados na implementação das mudanças previstas na PEC.
NTC espera que aprovação resulte em segurança efetiva
No comunicado, a associação reafirmou sua disposição de colaborar com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário na elaboração e no aperfeiçoamento de políticas relacionadas à segurança pública, infraestrutura e transporte rodoviário de cargas.
A NTC&Logística lembrou ainda que o artigo 144 da Constituição Federal estabelece que a segurança pública é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos.
Para a entidade, a aprovação da PEC deve representar mais do que uma mudança na legislação: precisa contribuir efetivamente para fortalecer as instituições, ampliar a proteção dos profissionais do transporte e reduzir os riscos às operações logísticas.
A expectativa é que a maior integração entre as forças de segurança permita combater não apenas os assaltos nas rodovias, mas também as estruturas criminosas que lucram com o roubo e a comercialização de cargas no Brasil.













