Até o momento já se passaram 28 anos de obras do Rodoanel

As obras do Rodoanel Mário Covas (SP-021) começaram em 1998, durante o governo de Mário Covas, com a construção do Trecho Oeste. Em 1997 uma matéria da Folha de São Paulo indicava que a expectativa é que a obra iniciasse em 1998, como de fato ocorreu, e terminasse em 30 meses.

Há registros que em 1998, quando a obra começou, a promessa mudou para 8 anos e deveria ficar pronto na íntegra em 2006. Passados 28 anos a obra ainda não está totalmente finalizada. Deveria ocorrer este ano, mas segundo a mesma Folha de São Paulo apurou, a previsão já passou para 2027.

Entenda a dimensão da obra

O projeto foi concebido para criar um grande anel rodoviário ao redor da Região Metropolitana de São Paulo, interligando as principais rodovias de acesso à capital e desviando parte do tráfego de caminhões das Marginais Tietê e Pinheiros.

A construção foi dividida em quatro grandes etapas: Oeste, Sul, Leste e Norte. Os três primeiros trechos foram integralmente inaugurados entre 2002 e 2015. O Norte teve sua primeira parte aberta ao tráfego em dezembro de 2025.

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Trecho Norte é a derradeira fase do Rodoanel que pode não ficar pronto este ano Foto: Divulgação

O empreendimento começou como obra pública estadual, com participação de recursos federais e atuação da antiga DERSA. Posteriormente, o Estado adotou concessões à iniciativa privada para operar os trechos e, em alguns casos, financiar ou concluir sua construção.

Essa distinção é importante: quem construiu determinado trecho não é necessariamente quem o administra hoje.

Trecho Oeste — 2002 – Foi a primeira etapa, construída pela DERSA. Liga as rodovias Bandeirantes, Anhanguera, Castelo Branco, Raposo Tavares e Régis Bittencourt. Desde 2008 é administrado pela CCR RodoAnel, empresa do atual grupo Motiva. A concessão está prevista até 2038.
Trecho Sul — 2010 – Construído como obra pública, conectou o Trecho Oeste às rodovias Imigrantes e Anchieta, chegando à região de Mauá. Em 2011, a SPMar assumiu sua operação como parte de uma concessão que também previa construir o Trecho Leste.

Trecho Leste — 2014 e 2015 – Foi construído pela própria concessionária SPMar. A primeira parte abriu em 3 de julho de 2014; o complemento até a Rodovia Presidente Dutra foi inaugurado em 26 de junho de 2015.

O trecho foi entregue integralmente com mais de um ano de atraso em relação ao prazo contratual original.

Trecho Norte — 2025 e obras restantes – Iniciado em 2013, deveria estar concluído em 2016. As obras foram interrompidas em 2018, e os contratos anteriores acabaram rescindidos.

A Via Appia venceu a concessão em 2023, por meio da Via SP Serra, e retomou a construção em abril de 2024. Os primeiros 24 km, entre Dutra e Fernão Dias, entraram em operação em 23 de dezembro de 2025.

O que falta para finalmente terminar o Rodoanel?
Avanço do trecho remanescente do Norte 80%

Percentual informado em reportagem da Folha de S.Paulo de 7 de novembro de 2026.
Falta concluir aproximadamente 20 km do Trecho Norte, entre a Rodovia Fernão Dias e a Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, na região de Perus, onde se fará a conexão com o Trecho Oeste.

Segundo reportagem, a obra estava com cerca de 80% de execução. Os trabalhos continuavam em 13 frentes, envolvendo especialmente pavimentação, terraplenagem e intervenções nas estruturas da rodovia.

Entre as atividades necessárias estão a finalização de túneis, pontes e viadutos, contenção de taludes, pavimentação e implantação de sistemas de sinalização e segurança.

E quando será concluído?                                                                                                  O governo paulista havia anunciado a entrega no segundo semestre de 2026. Entretanto, a reportagem de 7 de novembro informa que esse prazo provavelmente não será cumprido e que a ARTESP ainda não divulgou uma nova data. Portanto, não é possível confirmar a conclusão integral em 2026.

 

 

 

Por que uma obra iniciada em 1998 ainda não terminou?
O principal problema se concentrou no Trecho Norte. Há uma sequência documentada de dificuldades:
– Complexidade de engenharia e questões ambientais: a implantação próxima à Serra da Cantareira exigiu soluções técnicas e processos de licenciamento complexos.
– Atrasos contratuais: a previsão original de entrega em 2016 não foi cumprida.
– Interrupção das obras: os trabalhos ficaram parados de 2018 a 2024, com rescisões contratuais e necessidade de nova modelagem da concessão.
– Problemas de licitação: uma nova licitação foi suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado em 2020, atrasando a retomada.
– Reestruturação financeira e administrativa: a concessão de 2023 transferiu à Via SP Serra a responsabilidade de concluir o trecho e operá-lo por 31 anos.
O novo modelo combina investimentos privados e recursos públicos.

Segundo o BNDES, o orçamento divulgado para a retomada foi de aproximadamente R$ 3,4 bilhões, incluindo R$ 1,35 bilhão do Estado, com financiamento do banco, e R$ 2 bilhões da concessionária.
Estimativa proporcional baseada nas extensões aproximadas dos quatro trechos, totalizando 176 km. Não representa o percentual de execução física das obras. A conclusão dos aproximadamente 20 km restantes fechará o circuito rodoviário que começou a ser construído há 28 anos.

Em síntese: o Rodoanel já é amplamente operacional, administrado por três concessionárias — CCR RodoAnel, SPMar e Via SP Serra —, mas ainda não forma um anel completo. A última conexão depende da conclusão do setor oeste do Trecho Norte.

Para acompanhar o desfecho, estas são duas fontes particularmente relevantes: a ARTESP, órgão fiscalizador e a Via SP Serra, concessionária responsável.

A questão central, agora, não é construir uma nova etapa, mas concluir o último segmento do projeto original, cuja entrega foi novamente adiada em relação ao cronograma anunciado.

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