A duplicação da BR-470, no trecho entre Indaial e Navegantes, uma das obras públicas de responsabilidade do governo federal mais aguardadas na região do Vale do Itajaí, ainda não tem data para começar. O projeto executivo e o estudo de impacto ambiental, que tinham conclusão prevista para este mês, não ficarão prontos antes do final do ano. Sem esses dois documentos, o processo de licitação da obra não pode seguir em frente. O adiamento foi anunciado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que o justificou alegando a complexidade técnica do empreendimento. Não justifica, e sequer explica. Ademais, essas dificuldades deveriam estar previstas no estudo de viabilidade da obra, que foi concluído em dezembro.

Este é o segundo adiamento feito no ano. A previsão inicial era de que os dois projetos estivessem concluídos em abril. Postergados para este mês, agora, no mesmo dia em que teve início, oficialmente, a campanha eleitoral, são remetidos ao final do ano. Há bons motivos para acreditar que estamos diante de mais uma interminável “novela” de promessas traídas e prazos descumpridos, a exemplo da duplicação do trecho Sul da BR-101.

A duplicação do trecho Indaial-Navegantes da BR-470, além de ser uma reivindicação antiga da região, é de importância estratégica para o Vale do Itajaí, poderoso polo econômico, que tem na rodovia sua principal ligação com os grandes mercados consumidores do país e do exterior. O novo adiamento causou justa indignação nas entidades de representação empresarial, como a Associação Comercial e Industrial e a Câmara de Dirigentes Lojistas de Blumenau, que consideram ser este empreendimento imprescindível para que a economia regional recupere a sua competitividade e supere, de vez, as sequelas da crise global. E nele identificam, também, um desrespeito à sociedade. Justifica-se reafirmar que a burocracia inepta e lerda é o maior “gargalo do desenvolvimento”.



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