
Incêndio em Piraí (RJ) destruiu veículos transportados por caminhão-cegonha e provocou congestionamento no retorno do feriado. Outros casos semelhantes foram registrados em 2026, mas causas ainda exigem investigação.
Um incêndio de grandes proporções atingiu uma carreta-cegonha que transportava 11 veículos elétricos, na noite desta segunda-feira (2), no km 258 da Rodovia Presidente Dutra (BR-116), em Piraí, no Sul Fluminense. As 23h20 a rodovia estava bloqueada no trecho. Atualizações podem ser obtidas pelo 0800 017 3536.
O sinistro ocorreu na pista sentido Rio de Janeiro, nas proximidades do restaurante Casa do Mamão. Equipes do Corpo de Bombeiros de Pinheiral foram acionadas por volta das 20h15 para combater as chamas, que consumiram parte dos veículos transportados.
A ocorrência provocou a interdição total da pista durante o atendimento e agravou os congestionamentos no retorno do feriado prolongado de Finados. Motoristas relataram reflexos no trânsito até o acesso à Dutra pela Rodovia dos Metalúrgicos, em Volta Redonda.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), não houve feridos. O incêndio foi controlado pelos bombeiros, mas as causas ainda não haviam sido identificadas.
Outros caminhões-cegonha com carros elétricos pegaram fogo em 2026
O incêndio na Via Dutra não foi o primeiro envolvendo carretas que transportavam veículos elétricos novos neste ano.
Em 2 de julho, uma cegonha que transportava 11 automóveis elétricos da BYD pegou fogo no km 95 da BR-101, em Alagoinhas, na Bahia. Todos os carros foram destruídos.
Segundo o Corpo de Bombeiros da Bahia, o motorista relatou que as chamas começaram em um dos automóveis e se espalharam para os demais. Ele conseguiu desacoplar o semirreboque do cavalo mecânico. Ninguém ficou ferido. A BYD informou na ocasião que acompanhava a investigação das causas.
Outro incêndio foi registrado em 4 de agosto, na BR-364, em Mineiros (GO). Uma carreta transportava nove veículos elétricos e híbridos zero-quilômetro da BYD.
Nesse caso, o motorista relatou que o fogo começou nas rodas da carreta. Ele também conseguiu desacoplar o cavalo mecânico antes que as chamas se propagassem. Os veículos transportados foram destruídos, mas não houve vítimas.
Os três episódios chamam a atenção para os riscos envolvidos no transporte de automóveis eletrificados, especialmente quando vários veículos estão concentrados em uma mesma carreta.
Entretanto, não há comprovação de que as baterias dos veículos elétricos tenham provocado qualquer um desses três incêndios. As causas precisam ser determinadas por perícia.
Por que incêndios em veículos elétricos exigem cuidados especiais?
Os veículos elétricos utilizam baterias de alta tensão, geralmente compostas por células de íons de lítio. Quando essas baterias sofrem danos mecânicos, falhas internas ou exposição a temperaturas excessivas, podem entrar em um processo denominado fuga térmica (thermal runaway).
Nesse fenômeno, o aumento descontrolado da temperatura pode provocar liberação de gases inflamáveis, propagação do calor entre células e incêndio.
Uma das principais dificuldades para os bombeiros é que, mesmo depois de aparentemente controladas as chamas, células danificadas podem continuar armazenando energia e apresentar risco de reignição.
O National Transportation Safety Board (NTSB), órgão americano de investigação de acidentes, documentou situações em que baterias de veículos elétricos voltaram a pegar fogo após a extinção inicial do incêndio.
O órgão também alerta para riscos elétricos durante o resgate, a remoção e o armazenamento de veículos danificados.
Carros novos também podem pegar fogo?
Sim. Embora defeitos e desgastes associados ao tempo de uso sejam fatores importantes nos incêndios de automóveis convencionais, veículos elétricos novos também podem sofrer falhas de fabricação, problemas elétricos ou danos durante o transporte.
Além disso, o incêndio pode ter origem fora da bateria, como no sistema de freios ou nos componentes do caminhão que transporta os automóveis.
Um fogo externo pode atingir os veículos transportados e, dependendo das condições, provocar danos às baterias.
Isso não significa que um automóvel elétrico tenha maior probabilidade de pegar fogo do que um modelo a combustão. As estatísticas disponíveis ainda apresentam limitações, e estudos do Departamento de Energia dos Estados Unidos indicam que a frequência de incêndios em veículos elétricos é relativamente baixa.
Estudo americano alerta para crescimento dos incêndios com baterias de lítio
Em março de 2026, o National Institute of Standards and Technology (NIST), dos Estados Unidos, publicou um estudo sobre incêndios envolvendo baterias de íons de lítio.
A pesquisa estimou aproximadamente 5.718 incêndios envolvendo veículos elétricos e híbridos plug-in desde 2011, considerando as fontes e o período analisados.
Os pesquisadores também observaram crescimento anual estimado de cerca de 45% no número de incêndios dessa categoria. Entretanto, esse aumento absoluto acompanha a expansão da frota eletrificada e não significa que a probabilidade de incêndio por veículo tenha aumentado na mesma proporção.
O próprio estudo ressalta que os dados disponíveis ainda são fragmentados e incompletos.
Via Dutra é um dos principais corredores de transporte do país
O trecho onde ocorreu o incêndio integra a principal ligação rodoviária entre Rio de Janeiro e São Paulo, utilizada intensamente por caminhões, ônibus e automóveis.
A Via Dutra é administrada pela concessionária RioSP, sob fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
A circulação de caminhões-cegonha é frequente nesse corredor, que conecta regiões industriais, centros de distribuição, concessionárias de veículos e os principais mercados consumidores do Sudeste.
O incêndio desta segunda-feira evidencia a necessidade de procedimentos específicos para o transporte e o atendimento de ocorrências envolvendo veículos elétricos.
Além de identificar a origem das chamas, seria importante esclarecer se as baterias dos automóveis transportados foram atingidas e quais cuidados serão necessários para a remoção e destinação dos veículos danificados.













