
Certame – realizado nessa quinta (18), na bolsa de Valores de São Paulo, envolve a BR-356/MG; deságio foi de 13,5%, e empresa deverá investir mais de R$6 bilhões ao longo de 30 anos
Uma vitória para o Governo de Minas. Assim definiu o governador Romeu Zema ao comentar sobre o processo licitatório que envolveu o leilão do Lote Rodoviário Ouro Preto – Mariana, a chamada Via Liberdade, que inclui, entre outras, a BR-356, projeto considerado de grande importância na infraestrutura do estado de Minas Gerais, realizado nessa quinta-feira (18), na Bolsa de Valores, a B3, em São Paulo (SP).
O resultado apontou como vencedor o Consórcio Rota da Liberdade, formado por construtoras e empresas de engenharia, ao oferecer uma contraprestação, a ser paga pelo Estado, no valor de R$1.702.476.148,74, o que representa um deságio de 13,20% do valor máximo previsto em edital.
Conforme consta no edital, o leilão inclui o trecho Ouro Preto e Mariana, em Minas Gerais. O lance da construtora Metropolitana, líder do consórcio vencedor, superou a da concorrente Houer Concessões, consultoria especializada em infraestrutura, que ofereceu deságio de 0,02% (R$ 1,9 bilhão). O prazo da concessão é de 30 anos.
Segundo o Governo de Minas, o investimento previsto é de R$6 bilhões e, desse total, R$2 bilhões virão de um acordo de reparação feito pelo governo de Minas em relação ao rompimento da barragem do Fundão, em Mariana. O trecho concedido tem 190 quilômetros e é conhecido como Via Liberdade.
Trecho a ser concedido
O projeto prevê a concessão de 190,1 quilômetros de rodovias, ligando a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) a Rio Casca, na Zona da Mata. A concessão representa a materialização de uma das primeiras grandes entregas viabilizadas pelo Novo Acordo de Mariana, assinado em outubro de 2024.
De acordo com o governador Romeu Zema, o comprometimento dos atores do Estado resultou no sucesso do leilão. “Fico imensamente satisfeito de termos, hoje, um estado cuja economia cresce acima da média Brasil. E ainda temos muitos projetos de infraestrutura pela frente“, disse.
Os trechos rodoviários passam por 11 municípios: Nova Lima, Rio Acima, Itabirito, Ouro Preto, Mariana, Acaiaca, Barra Longa, Ponte Nova, Urucânia, Piedade de Ponte Nova e Rio Casca, contemplando, também as rodovias BR-356, MG-262 e MG-329.
A iniciativa vai permitir a duplicação completa da BR-356 e a implementação de diversas melhorias ao longo do trecho, que compõe um importante eixo logístico, turístico e econômico da região.
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Obras
O projeto contempla com 78,7 quilômetros de duplicações, 40,66 quilômetros de terceiras faixas, 100% de acostamento em todo o trecho e a construção do Contorno Viário de Cachoeira do Campo, com 7,3 quilômetros em pistas duplas.
Além disso, o trecho também vai contar com a implantação de área de escape na Serra da Santa, em Itabirito, a construção de um Ponto de Parada e Descanso (PPD) para caminhoneiros em Amarantina (MG), a implantação de um Centro de Controle Operacional e três bases de serviços operacionais.
A concessão dialoga com estratégias da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult), que busca integrar infraestrutura e turismo em rotas de alto valor histórico e cultural.
O nome Via Liberdade reforça a conexão simbólica com o ciclo da Inconfidência Mineira, além de estar alinhado à rota turística homônima, lançada em 2022, que liga o Rio de Janeiro (RJ) a Brasília (DF), passando por Minas Gerais.

Rapidez na mobilidade
Com a conclusão das obras, o tempo de viagem entre Nova Lima (MG) e Rio Casca (MG) deve ser reduzido em torno de 40 minutos. O trajeto até Ouro Preto também será encurtado mais de 20 minutos. Além das melhorias físicas, os usuários contarão com assistência 24 horas, incluindo atendimento médico em até 30 minutos e suporte mecânico em no máximo uma hora e meia.
O pedágio só será cobrado após a entrega das obras previstas para o primeiro ano de contrato, como reabilitação de pavimento e revitalização da sinalização.
Acordo de Mariana
O Novo Acordo de Mariana foi assinado em outubro de 2024 pelos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo com a União, Defensorias Públicas e Ministérios Públicos dos dois estados, Defensoria Pública e Ministério Público da União, e as empresas Samarco Mineração S.A., Vale S.A. e BHP Billiton Brasil Ltda.
O rompimento da barragem de Fundão, em novembro de 2015, deixou 19 mortos e causou graves impactos sociais, ambientais e econômicos em Minas e no Espírito Santo.
A Superintendência Central de Reparação do Rio Doce, vinculada à Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), é responsável por centralizar a coordenação e a execução das ações no nível estadual e agilizar o processo de reparação e recuperação da região atingida.




