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Quando se discute o tema das drogas na estrada a primeira imagem que vem a cabeça é a do caminhoneiro. A sociedade cobra atitudes severas para punir o motorista que de forma irresponsável mistura droga e direção colocando em risco a vida de muitas pessoas. Mas será que a questão é tão simples assim? Será que conscientizar somente o caminhoneiro é mesmo a única solução eficaz contra esse tipo de prática?

Para tentar responder a essas perguntas é preciso entender qual a origem do uso da droga. De acordo com Rodolfo Rizzotto, coordenador do SOS Estrada, o exame toxicológico é um bom “termômetro da escravidão na estrada”. Ele explica que quanto maior o índice de motoristas profissionais usuários de drogas maior é a exploração dessa mão de obra que vive em condição análoga de escravo.

“Se analisarmos a rotina do caminhoneiro ele esta sempre longe de casa, não descansa, afinal não podemos considerar a cabine um lugar adequado para uma boa higiene do sono, e vive na insegurança de ser assaltado ou abordado por traficantes e prostitutas na estrada. Além disso, os embarcadores não oferecem remuneração adequada e ainda exigem que o motorista chegue a um determinado destino em um prazo que para ser cumprido é necessário exceder a velocidade ou, inclusive, usar entorpecentes. Então muitas vezes o caminhoneiro usa a droga para poder sobreviver”, destaca.

Rodolfo destaca ainda que o fato dos caminhoneiros optarem por usar drogas na estrada e aceitarem qualquer tipo de carga faz com que o valor de frete fica baixo e aconteça uma concorrência desleal. Esse fato prejudica a maioria dos caminhoneiros que levam a profissão a sério e, em alguns caso, empurra esses profissionais para as drogas. Tudo isso faz com o que o embarcador de mais valor para o caminhoneiro que aceita qualquer condição.

“Muito se falou do exame toxicológico mas em 2017 depois da obrigatoriedade do exame houve 34% de redução dos acidentes com caminhão e 45% com ônibus. “É importante que transportadores e embarcadores entendam que o motorista usuário de droga não é bom para ninguém. Esse tipo de profissional aumenta as chances de acidentes na estrada e também está mais sugestivo a participar de crimes como o roubo de carga. Embarcadores têm que ter consciência do problema e, antes de oferecer um frete, analisar se o caminhoneiro tem condição de cumprir a entrega dentro de um padrão de segurança. Assim evita que o profissional utilize drogas na estrada para atender a demanda solicitada”.

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Exame toxicológico reduz o índice de Drogas na Estrada

Levantamento realizado pela ABTox – Associação Brasileira de Toxicologia -com base em informações da Serpo mostram que o exame toxicológico reduziu o uso de drogas entre os motoristas desde a sua implantação. “Desde que o exame toxicológico passou a ser exigido, em março de 2016, pelo menos 67.458 condutores das categorias C, D e E testaram positivo e, depois de pelo menos 90 dias, testaram negativo no mesmo laboratório”, afirmou Renato Borges Dias, presidente da ABTox. O espaço de 90 dias sem uso de drogas é considerado fundamental para que o dependente químico abandone o vício.

A estimativa foi baseada nos resultados de quatro laboratórios que representam mais de 70% do total de exames realizados no país desde 2016, com a entrada em vigor da Lei 13.103/15, depois alterada com a inclusão de multa no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) pela Lei 14.071/20.Para Renato Borges Dias, deve haver uma conscientização de que o exame salva vidas e diminui o número de acidentes, colaborando ainda para a diminuição do número de motoristas profissionais que usam drogas em suas viagens.

Fonte: O Carreteiro

1 COMENTÁRIO

  1. Matéria muito interessante e pouco reconhecida, pois se a economia não tivesse sido tão sucateada pelo governos corruptos a economia estaria num patamar Bom, o motorista não precisaria exceder horas no volante para sustentar a família, parcelas do caminhão, desgastes e demais canceres de estradas que visa sugar os caminhoneiros, com um frete digno com certeza iria ter melhoras em todos os sentidos.

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