Em uma estrada de intenso fluxo de caminhões, mas de pista simples, veículos pequenos têm dificuldades em ultrapassar
Em menos de um mês, a BR-262 deverá avançar mais um passo rumo à duplicação. O Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) confirmou que uma nova etapa da licitação acontecerá no próximo dia 20 de junho, quando as empresas interessadas na execução do projeto devem se habilitar apresentando a documentação exigida no edital. As obras devem começar no 2º semestre de 2008, conforme estimativas do departamento, com prazo de conclusão em até três anos.
Serão duplicados cerca de 85 KM de rodovia, entre Betim (Grande Belo Horizonte) e Nova Serrana (Centro-Oeste). O investimento previsto é de R$ 335 milhões. Com isso, a expectativa é trazer mais segurança aos condutores e melhorar as condições de trafegabilidade. Essa mesma estrada foi palco na semana passada de um trágico acidente que matou cinco pessoas e feriu 39.
“A duplicação é boa para qualquer rodovia. Teoricamente, aumenta a segurança, mas, na prática, não é isso que temos notado”, analisou o chefe da comunicação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o inspetor Aristides Júnior. Ele citou como exemplo a BR-381, que foi duplicada no trecho entre a capital e São Paulo, mas continuou perigosa. “O que mudou foi a característica do acidente. Antes da obra na 381, tínhamos mais colisões frontais. Depois da duplicação, passou a ser saídas de pista e capotamentos”, comparou o inspetor, que ainda alertou para a necessidade de o motorista se conscientizar para uma direção mais atenta.
Dados da corporação mostram que os acidentes na BR-381 subiram de 6.285, em 2005, para 7.253 no ano passado. Os registros se referem à toda a extensão da rodovia.
Pontes e viadutos
Com a duplicação da BR-262, devem ser criados 11 pontes e viadutos além de duas passarelas. A obra já tem o projeto executivo pronto e licenciamento ambiental aprovado pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam).
Pelo trecho passam mais de 35 mil veículos por dia, conforme levantamento do Dnit. Mesmo com um fluxo intenso de veículos de carga, o caminhoneiro João Ermelindo Dias, 36, destacou que o percurso tem boa sinalização e asfalto bom. O problema, segundo ele, está na postura do motorista. “O que vemos nas estradas é muita imprudência. Não vai adiantar duplicar se o condutor não mudar sua postura no volante”, ressaltou o caminhoneiro que atua na área há 15 anos.




