Motorista do ônibus de acidente com torcedores do Corinthians é indiciado
INDICIADO: Motorista do ônibus de acidente na BR-381 com torcedores do Corinthians, em agosto, é indiciado por homicídio culposo. Foto: Divulgação/CBMMG

Levantamento analisou 33 rotas entre cidades com clubes da Série A e dados de acidentes(sinistros) da PRF. 

Viajar de carro ou ônibus para acompanhar o time do coração em outra cidade pode significar percorrer algumas das rodovias mais perigosas do país.

Um levantamento inédito realizado pelo Bolavip Brasil identificou quais são as viagens rodoviárias entre cidades com clubes do Campeonato Brasileiro que apresentaram os maiores números de mortes e sinistros graves em 2025.

Trajeto entre Chapecó (SC) e Rio de Janeiro (RJ) no topo do ranking

Nas rodovias federais que formam essa rota foram registradas 312 mortes em sinistros durante 2025, segundo os dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) considerados pelo estudo.

Chapecó é sede da Chapecoense, enquanto o Rio de Janeiro concentra quatro clubes tradicionais: Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco.

O número de mortes registrado no percurso é aproximadamente 2,5 vezes superior à média dos 33 trajetos analisados, que ficou em 125 óbitos.

Importante: os números representam todas as mortes ocorridas nos trechos rodoviários que compõem cada rota, e não apenas acidentes envolvendo torcedores ou pessoas viajando para partidas de futebol.

Viagem de mais de 1.500 km atravessa algumas das principais rodovias do país

O deslocamento rodoviário entre Chapecó e Rio de Janeiro supera os 1.500 quilômetros e passa por quatro rodovias federais.

Entre elas está a BR-116, no trecho entre Curitiba e São Paulo, corredor de tráfego intenso de automóveis, ônibus e caminhões.

Ao longo das rodovias utilizadas no trajeto, 312 pessoas morreram em acidentes em 2025, o maior número encontrado entre as rotas pesquisadas.

Na segunda posição aparece outra viagem saindo de Chapecó: o trajeto até Belo Horizonte, com 281 mortes. A rota Belo Horizonte–Salvador aparece em terceiro, com 241 vítimas fatais.

Belo Horizonte-Salvador lidera em gravidade dos acidentes

Quando o critério muda do número absoluto de mortes para a incidência de mortos e feridos graves, outra rota aparece como a mais preocupante.

O trajeto entre Belo Horizonte (MG) e Salvador (BA) apresentou, segundo o levantamento, uma pessoa morta ou gravemente ferida a cada 2,3 acidentes registrados em 2025.

As duas capitais representam quatro clubes considerados no estudo: Atlético-MG e Cruzeiro, em Belo Horizonte, e Bahia e Vitória, em Salvador.

A média verificada no conjunto das rotas pesquisadas foi de uma morte ou ferido grave a cada 4,5 acidentes.

Isso significa que a frequência de vítimas graves na viagem entre Belo Horizonte e Salvador foi quase duas vezes maior que a média geral do levantamento.

Bragança Paulista-Rio chama atenção pela elevada letalidade

Os dados mostraram uma tendência esperada, os percursos mais longos geralmente acumulam números maiores de sinistro, mortos e feridos graves.

Mas uma rota relativamente curta chamou atenção. O trajeto entre Bragança Paulista (SP) e Rio de Janeiro, de aproximadamente 450 quilômetros, aparece na sétima posição em número de mortes, com 178 óbitos, e na sexta colocação quando considerados os acidentes graves. Apesar de ser percorrido praticamente na totalidade em trechos duplicados e pedagiados.

A rota liga a cidade do Red Bull Bragantino à capital fluminense, sede de Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo. O resultado chama atenção porque o trecho é significativamente menor do que outras viagens analisadas.

Segundo o levantamento, as rodovias utilizadas no percurso entre Bragança Paulista e Rio registraram mais mortos e feridos graves do que a rota entre Porto Alegre e Bragança Paulista, que tem aproximadamente 1.230 quilômetros.

As sete viagens rodoviárias com mais mortes

Considerando as mortes registradas em 2025 nas rodovias que formam cada percurso, o ranking ficou assim:

Chapecó – Rio de Janeiro: 312 mortes

Chapecó – Belo Horizonte: 281 mortes

Belo Horizonte – Salvador: 241 mortes

Curitiba – Rio de Janeiro: 237 mortes

Curitiba – Belo Horizonte: 206 mortes

Chapecó – Bragança Paulista: 190 mortes

Bragança Paulista – Rio de Janeiro: 178 mortes

A diferença entre a primeira e a sétima colocadas chega a 134 mortes.

Como foi feito o levantamento

O estudo mapeou inicialmente os deslocamentos rodoviários entre cidades que possuem clubes participantes do Campeonato Brasileiro. Foram considerados 33 trajetos com distância de até aproximadamente 1.500 quilômetros.

O limite foi adotado porque estudos de mobilidade interestadual apontam que o transporte rodoviário tem participação mais relevante nos deslocamentos de até essa distância. Em viagens maiores, aumenta a participação do transporte aéreo.

Depois de definir as rotas, o levantamento analisou os dados de acidentes da Polícia Rodoviária Federal referentes a 2025.

Foram considerados os acidentes registrados nas rodovias federais que compõem cada trajeto, incluindo informações sobre:

  • quantidade de acidentes;
  • número de pessoas envolvidas;
  • mortes;
  • feridos graves.

A análise permitiu comparar não apenas o número absoluto de vítimas, mas também a gravidade dos acidentes ocorridos em cada percurso.

Ranking não significa que as vítimas eram torcedores

Há uma distinção importante na interpretação dos resultados. As 312 mortes da rota Chapecó-Rio, por exemplo, não representam 312 pessoas que viajavam entre as duas cidades e tampouco 312 torcedores.

O levantamento soma os acidentes fatais registrados em 2025 nos trechos das rodovias federais que fazem parte daquele itinerário.

Portanto, o ranking funciona como um indicador do risco existente nos corredores rodoviários utilizados por quem faz essas viagens, incluindo torcedores, turistas, profissionais, caminhoneiros e demais usuários.

Ainda assim, os números revelam o tamanho do desafio enfrentado por quem percorre por estrada algumas das principais rotas entre cidades do Campeonato Brasileiro.

Alerta do SOS Estradas

Contratar uma viagem para levar torcedores é uma grande responsabilidade. Quem o faz deve tomar vários cuidados. Verificar se a empresa possui autorização para isso, mantém o veículo em boas condições, checar se o motorista está habilitado e com o exame toxicológico em dia. Assim como oferece cinto de segurança em boas condições para todos os ocupantes. O uso do cinto reduz em 70% os ferimentos graves e mortes. Saiba mais clicando aqui:

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Fonte: Bolavip Brasil e SOS Estradas

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