
O exame toxicológico de larga janela, conhecido como exame do cabelo, obrigatório para motoristas das categorias C, D e E e agora também para a primeira habilitação, passará a ser exigido para autoridades chilenas. O presidente da República daquele país fez questão de fazer o teste antes de anunciar as medidas.
O presidente do Chile , José Antonio Kast, decidiu voluntariamente realizar o exame toxicológico de cabelo, que detecta o uso frequente de drogas nos últimos 90 dias. Ao mesmo tempo, está publicando um decreto-lei que exige o exame de todos os ministros, secretários de governo, prefeitos, entre outros.
Além disso, afirmou, em coletiva na última quarta-feira (8), que apresentará um projeto de lei para tornar obrigatório o exame para todo o alto escalão do governo, bem como para parlamentares e dirigentes de partidos políticos que recebam recursos do governo federal.
Kast defende o exame para que a sociedade chilena saiba que os responsáveis pela elaboração das leis e pela aplicação das políticas públicas não sejam dependentes químicos, ao mesmo tempo em que atuam, inclusive, no combate ao crime organizado.
A proposta é repetir o exame a cada 12 meses. O teste detecta o uso frequente de substâncias por até seis meses. Trata-se de uma medida pioneira, que utiliza a Medicina Laboratorial e evidencia as vantagens dos exames de larga janela de detecção para a sociedade.
A decisão do presidente chileno demonstra compromisso com o combate ao tráfico e ao crime organizado. Enquanto isso, no Brasil, autoridades de trânsito, como já demonstramos, continuam combatendo esse tipo de exame.
No transporte aéreo brasileiro, o exame de larga janela (cabelo e pelos) só pode ser utilizado na admissão. Pilotos , mecânicos, tripulantes, dentre outros que tem acesso a aeronave, desde 2018 não podem mais ser controlados pelo exame de larga janela, conforme ocorria. A mudança foi determinada pela ANAC cumprindo pedido do Sindicato Nacional dos Aeronautas. Dizia o ofício do Sindicato: “…o sindicato entende que o regulamento tem por finalidade verificar se o funcionário está sob influência de substância psicoativa no exercício da atividade laboral, e não aferir um padrão de consumo…” .
Para Rodolfo Rizzotto, autor do estudo “As Drogas e os Motoristas Profissionais” o exame toxicológico de larga janela deixa em pânico muita gente. “No trânsito dizem que deveríamos verificar se o caminhoneiro estava usando drogas no momento da abordagem. O Sindicato dos Aeronautas deixa claro que se o piloto usava drogas fora do ambiente do trabalho não compromete a segurança. No meu entendimento, quem deseja trabalhar nessa profissões não pode fazer uso de drogas. Porque até a abstinência pode causar surtos. Agora, imagine piloto em surto num avião a 30 mil pés ou o caminhoneiro com dezenas de toneladas em plena rodovia?”
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