Eng. Rodrigo Kleinübing
De grande importância a iniciativa da Empresa pública de Transporte e Circulação – EPTC em implantar em Porto Alegre esta campanha de conscientização, visando educar a população com relação à utilização das faixas de travessias de pedestres.

Responsável, em média, por 50% do número de fatalidades no trânsito nas capitais brasileiras, dado anterior ao incremento dos óbitos a partir do fenômeno dos motoserviços, são os atropelamentos a modalidade de acidentes de trânsito com maior índice de gravidade de lesões e de mortalidade, sendo, portanto, uma prioridade em políticas públicas de prevenção aos acidentes de trânsito com vítimas fatais.

No entanto, para a eficácia desta ação preventiva, algumas questões devem ser observadas no âmbito comportamental, tanto com relação aos condutores, quanto com relação aos pedestres, visando reduzir as condições de inevitabilidade dos acidentes de trânsito por atropelamento.

Quanto aos condutores, importante se faz uma mudança com relação à velocidade. Estatisticamente, sabe-se que a maior incidência de atropelamentos se dá em perímetro urbano, com velocidades superiores a 60 km/h, sendo a velocidade importante fator causal dos atropelamentos e com relação direta com a gravidade das lesões dos atropelados. Por outro lado, uma maior velocidade por parte do condutor resulta num aumento exponencial da sua distância de parada, impossibilitando evitar o embate quando do ingresso de um pedestre na via.

Quanto aos pedestres, devem os mesmos assumir a sua condição de membros do sistema viário, avaliando as condições de segurança quando da travessia das faixas, não devendo tão somente erguer o braço com o objetivo de ingressar na via. Importante ressaltar que muitos dos atropelamentos são causados pelos próprios pedestres.

Segundo nos ensina Eubanks, maior especialista mundial em atropelamentos, o veículo deve percorrer um bom número de metros para parar desde a percepção inicial do pedestre, em decorrência de inúmeros fatores. Entretanto, um pedestre caminhando consegue parar em 1 a 3 passos. O pedestre deve cuidar de sua própria segurança.

Devemos apoiar esta campanha e acreditar que a mudança comportamental dos condutores e dos pedestres, a qual vai depender de ações educativas continuadas, associada a uma rigorosa fiscalização e a um melhor aparelhamento de nossas vias urbanas, poderá sim transformar as faixas de travessia de pedestres de Porto Alegre em faixas de segurança.

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