Fumaça na rodovia pode reduzir visibilidade a zero e exige reação antecipada
ATENÇÃO: Fumaça na rodovia pode reduzir visibilidade a zero e exige reação antecipada. Foto: Divulgação/Sinaceg

Incêndios às margens das estradas criam mudanças abruptas nas condições de tráfego e exigem reação antes da entrada no trecho afetado

Uma coluna de fumaça avistada à distância pode parecer um obstáculo localizado. O problema começa quando o motorista se aproxima. Em poucos metros, a visibilidade pode despencar e esconder veículos parados, tráfego lento, bloqueios e até chamas sobre a pista. Quando o perigo finalmente aparece, a distância disponível para frear pode já ser insuficiente.

A situação exige uma reação antecipada. Ao perceber fumaça adiante, o condutor deve desacelerar gradualmente e avaliar as condições do trecho antes de entrar na área atingida. Quanto mais tarde ocorrer essa decisão, menor será a margem para responder a um obstáculo inesperado.

O alerta é do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg) e da Federação Interestadual dos Cegonheiros (Feiceg), entidades que representam uma base de mais de 5 mil profissionais ligados ao transporte de veículos e que têm nas rodovias seu principal ambiente de trabalho.

Na estrada, enxergar longe significa ganhar tempo. Se o motorista identifica a fumaça antes de chegar até ela, consegue reduzir a velocidade e avaliar o cenário. Entrar sem saber o que existe adiante é o que transforma uma situação de atenção em risco de acidente”, afirma José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, presidente do Sinaceg.

A densidade da fumaça também pode variar rapidamente. Um ponto que parece oferecer passagem à distância pode se tornar praticamente opaco à medida que o veículo avança. Além de dificultar a percepção de outros automóveis, a perda das referências da própria rodovia aumenta a possibilidade de saída de pista.

Para Jaime Ferreira dos Santos, presidente da Federação Interestadual dos Cegonheiros (Feiceg), um dos erros é presumir que a nuvem será curta e que haverá condições normais de tráfego logo depois.

Não dá para entrar apostando que a fumaça termina alguns metros à frente. Se você não enxerga a continuidade da pista, também não sabe se há um veículo parado, alguém trafegando lentamente ou fogo no caminho. Nessa situação, avançar é assumir um risco que não pode ser calculado”, diz Jaime.

Mesmo focos menores exigem atenção à proximidade das chamas em relação à faixa de rolamento. Caso não seja possível prosseguir, a desaceleração deve ocorrer de maneira gradual, sem manobras bruscas. Se houver necessidade de parar, é preciso buscar um ponto seguro, fora da pista e distante do incêndio.

Também é recomendável fechar a entrada de ar externo do veículo para reduzir a passagem de fumaça para a cabine. A ocorrência deve ser comunicada à Polícia Rodoviária, ao Corpo de Bombeiros ou à concessionária responsável pelo trecho.

O risco começa, em alguns casos, antes mesmo das chamas. Durante períodos de estiagem, a vegetação seca nas margens das rodovias favorece a propagação do fogo. Bitucas de cigarro e outros materiais descartados pela janela podem contribuir para iniciar uma queimada.

Quem joga uma bituca pela janela pode seguir viagem e nem perceber o que deixou para trás. O incêndio pode começar depois e colocar em risco pessoas que ainda vão passar por aquele trecho”, frisa Jaime.

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