Julho Amarelo reacende alerta para hepatites virais que podem permanecer silenciosas por décadas
PREVENÇÃO: Julho Amarelo reacende alerta para hepatites virais que podem permanecer silenciosas por décadas. Foto: Magnific

Vacinação, testes rápidos e diagnóstico precoce são fundamentais para evitar complicações como cirrose e câncer de fígado; campanha também alerta caminhoneiros sobre a importância da prevenção

Pele e olhos amarelados costumam ser os sinais mais conhecidos das hepatites. O problema é que, na maioria dos casos, eles aparecem apenas quando o fígado já sofreu danos importantes. Antes disso, a infecção pode permanecer silenciosa por anos — e, em alguns casos, por décadas —, levando ao diagnóstico tardio e ampliando o risco de cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado.

Esse é o principal alerta do Julho Amarelo, campanha nacional dedicada à conscientização sobre a doença. A mobilização incentiva a imunização, amplia o acesso à informação e estimula a realização da testagem como estratégia para reduzir novos casos.

O grande desafio das hepatites virais é que elas podem permanecer sem sintomas por muitos anos. Em muitos casos, o paciente só recebe o diagnóstico quando o fígado já apresenta comprometimento importante. Por isso, a vacinação, quando disponível, a adoção de medidas preventivas e a realização dos testes rápidos são essenciais para identificar a infecção precocemente e evitar complicações como cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado“, afirma a ginecologista e obstetra dra. Maria Alice Antunes Chierice.

As hepatites são classificadas em cinco tipos principais: A, B, C, D e E. A transmissão pode ocorrer pelo consumo de água e alimentos contaminados, contato com sangue infectado ou relações sexuais desprotegidas, dependendo do vírus.

Embora muitas pessoas não apresentem manifestações clínicas, sinais como pele e olhos amarelados, urina escura, fezes claras e dores na região do fígado exigem avaliação médica. As vacinas contra as hepatites A e B estão disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), entidade que representa mais de 5 mil profissionais especializados no transporte de veículos 0km em todo o país, José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, ressalta que esse cuidado também precisa fazer parte da rotina dos motoristas.

Quem trabalha nas estradas costuma colocar o compromisso com a entrega acima da própria saúde. O Julho Amarelo é um alerta para lembrar que a prevenção também faz parte da segurança no transporte. O Sindicato Nacional dos Cegonheiros incentiva a categoria a manter a vacinação em dia, realizar a testagem e aproveitar as campanhas para fazer o acompanhamento preventivo. Cuidar de si também é proteger o trabalhador, sua família e todos que dividem as rodovias“, afirma Boizinho.

Atenção especial aos profissionais das estradas

Longas jornadas, viagens constantes e a dificuldade de acessar serviços médicos fazem com que muitos caminhoneiros adiem consultas e exames preventivos. Especialistas orientam que os períodos de descanso e as ações de conscientização sejam aproveitados para atualizar a carteira de vacinação e realizar a testagem.

A prevenção está ao alcance da população. Além da vacinação contra as hepatites A e B, é importante utilizar preservativos, não compartilhar objetos perfurocortantes e procurar uma unidade de saúde para fazer os testes rápidos, especialmente após situações de risco. São medidas simples que reduzem a transmissão e ampliam as chances de tratamento“, destaca a enfermeira Renata Alencar, que atua no Hospital Santa Tereza, em Campinas (SP).

Para o diretor regional do Sinaceg, Márcio Galdino, a identificação precoce faz diferença especialmente para quem passa boa parte do tempo nas rodovias.

Quem vive viajando precisa aproveitar cada oportunidade para cuidar da própria saúde. Os testes rápidos são gratuitos, levam poucos minutos e permitem identificar precocemente uma infecção que, muitas vezes, evolui sem apresentar sintomas. Quanto antes ela é descoberta, maiores são as chances de tratamento e menores os riscos de agravamento“, ressalta Márcio Galdino.

O Julho Amarelo reforça que informação, imunização, cuidados preventivos e identificação precoce continuam sendo as estratégias mais eficazes para reduzir a incidência dessas infecções e impedir que uma doença silenciosa comprometa a qualidade de vida de milhares de brasileiros.

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