A decisão do TCE-MT prejudica a continuidade dos serviços Foto: Seinfra-MT

A suspensão judicial do contrato da Rota do Arinos vai interromper serviços de atendimento e manutenção em aproximadamente 237,6 quilômetros de rodovias estaduais de Mato Grosso, na região de Juara.

A Concessionária Vale do Arinos SPE S.A., responsável pelo trecho, informou oficialmente à Prefeitura de Juara sobre a suspensão da execução do Contrato de Concessão nº 006/2025/00/00-SINFRA e afirmou que está adotando medidas para tentar reverter a decisão.

O contrato envolve trechos das rodovias MT-160, MT-220, MT-242 e MT-338, entre o perímetro urbano de Juara e Ana Terra. A concessão tem extensão oficial de 237,59 quilômetros e prazo previsto de 30 anos.

Segundo a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso (Sinfra-MT), os serviços foram interrompidos em razão de decisão que restabeleceu liminar do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) suspendendo o contrato.

A concessionária havia conseguido anteriormente decisão favorável no Tribunal de Justiça, permitindo a retomada do contrato, mas o TCE recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que restabeleceu os efeitos da suspensão.

Ambulâncias e guinchos deixam de atender usuários

A suspensão afeta diretamente os serviços prestados aos motoristas que utilizam as quatro rodovias. Entre as atividades interrompidas estão:

  • atendimento com ambulâncias;
  • serviço de guincho;
  • controle e operação do tráfego;
  • manutenção do pavimento;
  • recuperação de trechos da pista;
  • sinalização;
  • roçada;
  • caminhão-pipa;
  • demais serviços de conservação e operação rodoviária.

Segundo a Sinfra-MT, a estrutura operacional mantinha três ambulâncias de resgate para atendimento nas rodovias. Desde o início da concessão, foram realizadas 2.144 intervenções operacionais de emergência, entre elas 212 atendimentos médicos com ambulâncias e 463 remoções de veículos por guinchos.

Os serviços estavam sendo oferecidos mesmo antes do início da cobrança de pedágio, que estava prevista somente para dezembro.

Mais de R$ 50 milhões já haviam sido investidos

De acordo com a Sinfra-MT, a concessionária já havia realizado mais de R$ 50 milhões em investimentos desde o início das operações. Os trabalhos incluíam recuperação e manutenção do pavimento, sinalização, implantação da estrutura operacional e serviços de atendimento aos usuários.

A empresa encaminhou ao prefeito de Juara, Valdinei Holanda Moraes, documentos e fotografias dos serviços realizados desde o início da concessão.

Suspensão pode eliminar 251 postos de trabalho

Outro impacto apontado pela concessionária é sobre os empregos vinculados à operação.Segundo a Sinfra-MT, 251 postos de trabalho deverão ser encerrados em consequência da suspensão do contrato.

A Vale do Arinos informou que pretende continuar recorrendo para tentar restabelecer a concessão e retomar os serviços.

Concessionária contesta suspensão

No ofício encaminhado à Prefeitura de Juara, a concessionária afirma que a suspensão não decorre de irregularidade específica já comprovada no contrato.

Segundo a versão apresentada pela empresa, o processo permanece em análise no TCE-MT e ainda não houve julgamento definitivo do mérito.

A concessionária também afirma que a área técnica do Tribunal de Contas e o Ministério Público de Contas teriam se manifestado pela improcedência da representação que deu origem ao processo.

A empresa informa que o processo estaria pronto para julgamento de mérito desde 29 de maio de 2026.

Essas informações correspondem à posição apresentada pela própria concessionária e ainda dependem da decisão definitiva dos órgãos responsáveis.

Sinfra também aguarda julgamento

A Sinfra-MT informou que aguarda desde maio o julgamento do mérito da decisão pelo Tribunal de Contas. Enquanto a suspensão permanecer válida, os serviços anteriormente prestados pela concessionária não poderão continuar sendo executados dentro do contrato.

A interrupção afeta um importante corredor rodoviário da região de Juara e deixa os usuários sem parte da estrutura de atendimento de emergência e assistência que havia sido implantada nas rodovias.

A situação ainda poderá sofrer alterações dependendo das próximas decisões do TCE-MT, do Tribunal de Justiça e do Superior Tribunal de Justiça.

 

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