Caminhoneiros ameaçam nova paralisação Foto: Divulgação/Agência Brasil

Governo continua assustado com possível paralisação de caminhoneiros e decide suspender tabela publicada no Diário Oficial no dia 19, sexta-feira passada. Algumas lideranças, dentre elas vários oportunistas de plantão, ameaçam com possíveis greves e a equipe do Ministério da Infraestrutura, responsável pelas negociações com as várias entidades, compra os sustos. A nota divulgada pelo Ministério da Infraestrutura no final desta manhã revela que o Governo está perdido. Inclusive conversas com o Ministro Tarcísio de Freitas vazam a toda hora, criando constrangimentos e demonstrando a falta de compromisso com a seriedade dos supostos representantes dos caminhoneiros.

O Estradas.com.br vem acompanhando essas movimentações desde 1999. Está faltando pulso firme das autoridades. A maioria dos caminhoneiros são contra paralisações e sabem que esses movimentos tem trazido mais prejuízo que benefício. Além do mais, ninguém coloca na pauta temas com redução de jornada, melhores condições de trabalho, aumento de salário e diária para os motoristas empregados.

Fica evidente que os movimentos são exclusivos de alguns grupos de autônomos, muitos representados por lideranças que surgiram recentemente e conseguiram exposição na mídia mas que não tem de fato capacidade de liderar. Entretanto, com o Governo assustado, sem experiência em lidar com a categoria, esses oportunistas de plantão conseguem ser ouvidos e saem espalhando nas mídias sociais que falaram com o Ministro X e Y.

O Governo não tem que tabelar frete e fiscalizar negociações da iniciativa privada. Por que os caminhoneiros que ameaçam tanto as paralisações não o fazem na porta dos donos da carga e exigem um valor mínimo para transportar? Por que querem parar nas rodovias e prejudicar toda sociedade? Por que não protestam contra os caminhões cada vez maiores, alguns com 30 metros, que circulam colocando em risco a segurança viária e tirando frete dos autônomos e transportadores que tem caminhões menores, que são a maioria? É evidente que tem vários interesses por trás desses movimentos.

Nós do Estradas.com.br não temos dúvida que nenhuma paralisação sobrevive caso as autoridades imponham a ordem e não permitam que impeçam nenhum caminhão de circular. Quem quer aderir ao movimento pode parar em casa, ficar na empresa, mas impedir a circulação de todos que viajam, inclusive caminhoneiros, é inaceitável. Está na hora do Governo mostrar que não vai transigir com abusos.

O que os caminhoneiros e transportadores precisam é de mais frete e não de tabela. Para isso a economia precisa andar e não parar. Excesso de peso, carretas cada vez maiores, excesso de jornada dos motoristas, excesso de velocidade nas viagens, tudo isso contribui para diminuir a oferta de frete.

Por outro lado, estudos como o apresentado pela ANTT e ESALQ, foram apoiados pelos supostos líderes e várias entidades sérias, mas quando são publicados são rejeitados. Além do mais, são documentos complexos que a maioria dos caminhoneiros e transportadores não conseguem entender ou perdem muito tempo para fazê-lo. Por isso, quando as pessoas não entendem a resistência é enorme e os manipuladores usam isso a seu favor.

Está na hora do Governo mostrar ao que veio, impor a autoridade, caso contrário será desmoralizado por um bando de oportunistas que fingem defender uma boa causa mas estão atuando para atender interesses pessoais e políticos.

Veja o comunicado do Ministério da Infraestrutura que, no nosso entender, enfraquece mais uma vez o Governo:

Por solicitação do MINFRA, ANTT deve suspender de forma cautelar tabela de frete

O Ministério da Infraestrutura solicitou formalmente à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) que delibere sobre a suspensão cautelar da resolução que instituiu o novo piso mínimo para o frete do transporte rodoviário de cargas. Uma audiência extraordinária está marcada para as 18h de segunda-feira (22) e uma nova rodada de reuniões com representantes do setor e do governo acontecerá nesta quarta (24).

Em ofício encaminhado à agência assinado pelo ministro Tarcísio Gomes de Freitas, é ressaltado que foi observada “uma insatisfação em parcela significativa dos agentes de transporte” e que “diferenças conceituais quanto ao valor do frete e o piso mínimo que pode repercutir na remuneração final dos caminhoneiros” devem ser novamente discutidas com a categoria.

“O diálogo segue sendo o principal mecanismo com o qual vamos buscar o consenso no setor de transportes de cargas. Por isso a importância em dar continuidade às reuniões. Estamos desde o início do ano com as portas abertas no ministério e esta tem sido a melhor forma de dar transparências às decisões que estão sendo tomadas em conjunto”, explicou o ministro Tarcísio Freitas.

Fonte: Assessoria Especial de Comunicação – Ministério da Infraestrutura

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