José de Araújo Arruda, 33 anos, motorista da caminhonete L-200 Mitsubishi que provocou acidente com duas mortes no último sábado, pretende comentar o caso somente em juízo. Ele preferiu não prestar depoimento na 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), que apura as circunstâncias da colisão, e só disse uma frase à imprensa: “Quero meu advogado”. José dirigia sob efeito de bebidas alcoólicas quando perdeu o controle do veículo em uma curva de acesso à W3 Sul. O carro subiu no canteiro, entrou na contramão e bateu em um ônibus. Os passageiros da L-200, Carlos Alberto Silva, 51 anos, e Carlos Alberto Silva Júnior, 30, pai e filho da namorada do condutor, não usavam cinto de segurança e morreram pouco depois de darem entrada no Hospital de Base. Os corpos foram sepultados ontem.

O teste de bafômetro realizado com José após a batida registrou teor de 1,16mg de álcool por litro de ar expelido. Quantidade considerada altíssima pelo gerente de fiscalização do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran/DF), Silvaim Fonseca. “Tem gente que chega a entrar em coma alcoólico se ingere uma quantidade dessa”, afirmou. “E cabe ressaltar que o teste foi realizado quase uma hora depois do acidente. Se esse mesmo motorista tivesse sido pego em uma abordagem, é capaz de que o bafômetro acusasse teor ainda maior”, acrescentou.

Da última quinta até o fechamento dessa edição, o Detran autuou 32 condutores embriagados em ruas do DF. Desses, 12 precisaram ser conduzidos à Delegacia por apresentarem alcoolemia acima de 0,3 miligramas por litro de ar expelido. “Chegamos a parar um motorista com 1,2mg de álcool no corpo e outro com 0,97mg nesse fim de semana”, destacou Fonseca. Do início do ano até o fim de março, o Detran e a Polícia Militar autuaram 1.013 motoristas embriagados, uma média de 11 por dia. Desde o início da lei seca, houve 2.499 autuações.