A primeira data anunciada foi dezembro de 2008. Uma notícia esperada há pelo menos duas décadas. Mas logo no início houve dificuldades de negociação com os donos das jazidas e a fase inicial da duplicação no trecho Sul da BR-101 começou atrasada.
Depois, veio o aumento no preço do cimento e do aço e questões ambientais. Por fim, choveu acima da média em 2008 e as empreiteiras contratadas precisaram de mais dinheiro. Nos últimos anos, quatro delas desistiram, mas a maioria seguiu com poucos homens e raras máquinas.
Agora, o resultado está aí: pelo menos cinco anos de atraso para terminar os 248,5 km de duplicação entre Palhoça e Passo de Torres, na divisa com o Rio Grande do Sul. Apenas 143 km estão duplicados e liberados e três obras importantes nem saíram do papel.
O trecho mais atrasado da rodovia está na estaca zero. No lote 29, entre Araranguá e Sombrio, as obras estão abandonadas e uma nova licitação está em andamento. É a quarta.
A previsão do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) é terminar as pistas, viadutos, passarelas e pontes até 2012. Já as obras que ainda não foram licitadas, os túneis em Palhoça e Tubarão, além da ponte de Laguna, talvez, em 2013.
O atraso da obra não é novidade. Desde o ano passado, profissionais da área alertam para o não cumprimento dos prazos e o ritmo lento das obra. No caso do lote 29, de 26 km de estrada, além de um contorno extenso, que passará pelas plantações de arroz do Extremo Sul Catarinense, as obras ficarão paradas pelo menos até o fim do ano. A desistência de duas empreiteiras, a DM Construtora e a Construtora Triunfo S.A., provocou a situação.
— Muitas construtoras apostaram que iam conseguir mudar os projetos originais com soluções mais econômicas. Mas o Tribunal de Contas não aceitou. Elas tiveram dificuldades para executar as obras. Isso aconteceu, por exemplo, em Paulo Lopes, onde houve uma tentativa de substituição do túnel por um elevado —, explica José Latrônico, do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) e diretor do Sindicato dos Engenheiros.
— Quando as licitações foram lançadas, em 2004, não havia grandes obras no País. Mas ao longo do processo apareceram outras mais rentáveis e as empresas recolocaram as equipes —, comenta.
O DNIT picotou a inauguração das obras da rodovia e anunciou lançamentos de alguns trechos ainda este ano. Mesmo esticando os prazos, ainda há divergências sobre a data final da duplicação.
O estudo encomendando pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) e pela Crea, realizado em 2009, já apontava a conclusão do trabalho em 2014. Hoje, até mesmo esta data já deixa em dúvida os envolvidos na pesquisa.
— A culpa é de quem contratou as empreiteiras e não cumpriu a missão de gestor. É o DNIT que deveria ter exigido o cumprimento dos prazos e penalizado as empresas que não cumpriram os contratos. Tem trecho que parece que está em fim de governo, com duas, três máquinas só para dizer que tem. A obra tem um cronograma de execução que deveria ser divulgado e até hoje não conseguimos que isso seja feito —, reclama o presidente do Crea, Raul Zucatto, que não acredita na conclusão de 2014.




