
Esposa e mãe da criança sobreviveu e ficou em estado de choque; ocorrência foi registrada na noite desse domingo (26) e carga altamente tóxica caiu na represa do Capivari, no Paraná
Um sinistro (acidente) no km 42 da BR-116, em Campina Grande do Sul (PR), na noite desse domingo (26), envolvendo um caminhão, com carga altamente tóxica, deixou o caminhoneiro e sua filha mortos, e a esposa gravemente ferida, após o veículo sair da pista e cair na represa do Capivari, à margem da via.
De acordo com as informações obtidas pelo Estradas, o caminhão, tipo carroceria lonada, estava carregada com 4.500 litros de um produto aderente considerado altamente tóxico, além de aproximadamente 1.600 litros de verniz hidrogenado, usados na produção de tintas, quando saiu da pista precipitou-se na represa. Os motivos ainda são desconhecidos e serão investigados pela perícia.
Segundo a passageira que estava na carreta – esposa do condutor e mãe da criança – o veículo caiu em um barranco e adentrou na água. A filha do casal tinha 4 anos.
Ainda de acordo com a mulher, logo após a queda, ela e o marido conseguiram sair do veículo e boiar na água, mas o pai voltou para tentar buscar a criança. Depois disso, ambos não foram mais localizados.

Por conta disso, a mãe entrou em estado choque e foi socorrida a um hospital da região.
Equipes de mergulho do Corpo de Bombeiros realizou as buscas e encontraram o corpo da criança. A margem da represa, foram visualizados vários galões com cheiro forte do produto. A Defesa Civil e o IAT, órgão ambiental do Paraná, prestaram atendimento, ainda na madrugada desta segunda-feira (27).
Buscas pelo caminhoneiro continuam; carga é altamente tóxica
As buscas pelo caminhoneiro desaparecido após o caminhão cair na represa do Capivari ganharam um novo fator de preocupação: a carga transportada pelo veículo.
De acordo com as informações repassadas pela equipe do Corpo de Bombeiros, o caminhão transportava cerca de 4.500 litros de um produto aderente considerado altamente tóxico, além de aproximadamente 1.600 litros de verniz hidrogenado. Esses materiais são utilizados na fabricação de tintas e solventes e podem representar riscos à saúde, como irritações na pele e a liberação de vapores nocivos.
As equipes seguem em contato com a empresa responsável para conferir as notas fiscais e as fichas de segurança, a fim de entender com precisão os riscos envolvidos e adotar as medidas necessárias.
Enquanto isso, continuam as buscas pelo motorista, que segue desaparecido após retornar ao caminhão na tentativa de resgatar a filha. O corpo da criança, de 4 anos, foi localizado ainda durante a madrugada.
Nota oficial do Ibama
Em nota, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) disse que também está monitorando o caso. Também informou que foram retiradas as embalagens que estavam flutuando na represa e barreiras de contenção foram montadas no entorno do caminhão.
“O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informa que acompanha, de forma integrada com o Instituto Água e Terra (IAT), o acidente ocorrido na Represa do Capivari, em Campina Grande do Sul. Equipes das duas instituições estiveram no local para vistoria técnica e monitoramento da situação.
O acidente envolve carga fracionada de tintas e solventes, em embalagens individuais. O volume efetivamente derramado ainda não foi quantificado, uma vez que parte das embalagens pode não ter sofrido ruptura.
Foram adotadas medidas emergenciais, como a retirada de embalagens que flutuavam e a instalação de barreiras de contenção no entorno do caminhão submerso e a jusante do local. A remoção dos materiais remanescentes está prevista com o apoio de equipe especializada.
Como medida preventiva, e enquanto seguem as ações de monitoramento ambiental, recomenda-se que a população evite a prática de pesca na área afetada.”
Alerta do Estradas
Embora este sinistro na BR-116/PR provavelmente não tenha relação com o teor das matérias publicadas pelo Estradas, nos últimos dias, sobre a nova Resolução CONTRAN 1.020/25, apresentada pelo então ministro Renan Filho, que eliminou a necessidade da renovação do curso MOPP (cargas perigosas) e de outros cursos especializados, impactando a segurança no transporte de cargas químicas, cargas indivisíveis e também do transporte escolar e de passageiros, o portal vem alertando que este tipo de sinistro vai aumentar com o passar dos anos.
Isso porque, esta Resolução prejudica a formação continuada de condutores, o que é uma prática importantíssimo para a segurança ,não só dos próprios condutores, mas também de todos os usuários das rodovias brasileiras. O aumento dos sinistros (acidentes) com este tipo de carga somente será visível estatisticamente com o passar dos anos.
Os nomes dos responsáveis por esta polêmica Resolução 1.020/25 serão lembrados em todas as matérias de sinistros, apurados pelo Estradas, que tenham relação com as mudanças de critério, até que as autoridades que assinaram o documento apresentem os estudos (nota técnica) que justificaram seu apoio à medida, e que comprovem que contribui para o aumento da segurança viária e da preservação de vidas no trânsito.
São responsáveis pela Resolução 1.020/25:
ADRUALDO DE LIMA CATÃO (Secretário da SENATRAN)
Presidente Em Exercício do Contran em nome do Ministro dos Transportes Renan Filho
DANIEL GOMES DE ALMEIDA FILHO (Secretário de Desenvolvimento
Tecnológico e Inovação) – Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações
FERNANDA MARA DE OLIVEIRA MACEDO CARNEIRO PACOBAHYBA – Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – Ministério da Educação
ADALBERTO FELÍCIO MALUF FILHO – Secretário Nacional do Meio Ambiente e Mudança do Climas Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental – Ministério do Meio Ambiente
MARIÂNGELA BATISTA GALVÃO SIMÃO – Secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do
Ministério da Saúde
ANTÔNIO FERNANDO SOUZA OLIVEIRA (diretor da Polícia Rodoviária Federal)
Ministério da Justiça e Segurança Pública
UALLACE MOREIRA LIMA – Secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
DENIS EDUARDO ANDIA – Secretário Nacional de Mobilidade Urbana – SEMOB do Ministério das Cidades
Matéria atualizada em 28/4/26 com a nota oficial do Ibama











