Segundo a PRF e imprensa do Mato Grosso, os últimos e principais focos de resistência da paralisação dos caminhoneiros nas estradas estão sendo debelados hoje. Pela manhã haviam , segundo a PRF, apenas quatro locais com paralisação no Mato Grosso e dois no Rio Grande do Sul. No final da manhã praticamente todos estavam liberados. Em Lucas do Rio Verde (MT), onde se concentram os principais líderes do movimento até a estrutura montada para a paralisão já estava sendo desmontada. No Norte do Rio Grande do Sul há existem dois pontos de resistência em rodovias estaduais.

Tudo começou na quarta-feira da semana passada quando o Governo não aceitou fazer uma tabela de fretes que fosse uma espécie de piso mínimo nas negociações, sob a justificativa de que seria incosntitucional e propôs uma tabela de referência, como orientação. Os líderes dos caminhoneiros presentes ficaram revoltados e saíram aos gritos prometendo parar o Brasil. Mas a adesão dos motoristas não foi o que as lideranças imaginaram e as polícias rodoviárias desta vez estavam preparadas, inclusive com liminares determinando a liberação das pistas.

Os últimos dias demonstraram para quem não conhece o setor, que a categoria dos caminhoneiros não é um bloco definido mas uma classe dividida em várias fatias. Dela fazem parte: 1) Caminhoneiros empregados que não se identificam com a pauta da tabela de frete e que são pressionados a trabalhar. 2)Transportadoras grandes que já conseguiram alguns benefícios, como isenção de cobrança por eixo suspenso e renegociação dos financiamentos dos caminhões, que já tem bons contratos com embarcadores e costumam terceirizar o serviço para caminhoneiros autônomos.Portanto, também pressionam o frete para baixo, pois pagam aos autônomos uma parcela do que ganham. 4) Pequenas transportadoras que também são exploradas pelos intermediários e embarcadores 5) Caminhoneiros autônomos que possuem veículos grandes e já trabalham como pequenas transportadoras informais 6) Caminhoneiros autônomos com veículos antigos, sem condição de usar eixo suspenso e bastante endividados 7) Motoristas que trabalham para autônomos, sem nenhum vínculo formal ou benefício trabalhista 8) Cooperativas de autônomos mais organizadas que funcionam como grandes transportadoras . Enfim, grupos com interesse diferentes e portanto facilmente manipuláveis pelos embarcadores, seus deputados e até pelas autoridades.

Os sindicatos dos caminhoneiros autônomos, na sua maioria se tornaram feudos, alguns tem “donos” comandando há décadas e usando os sindicatos para o seu próprio interesse. Os sindicatos dos caminhoneiros empregados sofrem do mesmo mal, além de serem tradicionalmente incompetentes nas negociações, sem capacidade de mobilização e alguns completamente comprometidos com os embarcadores.

Desde a paralisação de fevereiro surgiram algumas novas lideranças bem intencionadas mas sem nenhuma noção de como conduzir movimentos desse porte. Alguns logo apareceram de braços dados com políticos que estão inclusive correndo o risco de serem presos por suposto envolvimento na operação Lava Jato da Petrobrás. Nesse universo de “novos líderes” a vaidade impera, muitos não resistem a tentação da mídia ou de fazerem discursos políticos e perderem o foco. E o pior de tudo é que quando gritam na frente das autoridades que vão “parar o Brasil” e não conseguem uma mobilização efetivamente nacional, principalmente na região Sudeste, enfraquecem a categoria.

O atual Governo tem sido muito prejudicial a categoria dos caminhoneiros, principalmente quando sancionou a Lei 13.103/15 cujas entrelinhas enfraquecem ainda mais a categoria e contribui para baixar o frete, como anunciamos desde junho do ano passado iria ocorrer. Além de tirar direitos trabalhistas conquistados pelos empregados, que representam mais de 60% dos motoristas profissionais nas estradas. A Lei 13.103/15 somente beneficiou de fato os embarcadores e intermediários. Como consequência paralela aumentaram os acidentes, causando mortes de motoristas e dos demais usuários.

Mas o movimento dos caminhoneiros não poderia cair na armadilha da política porque os governos anteriores também não foram favoráveis aos caminhoneiros e transportadores em geral. Inclusive motivaram a paralisação de 1999 que foi muito maior do que todas que a sucederam. Na história recente do Brasil nenhum Governo valorizou de fato os caminhoneiros. Outro equívoco foi considerar que os Polícias Rodoviários eram contra o movimento, simplesmente porque tinham que liberar as pistas. Esqueceram de que muitos patrulheiros são oriundos de família de caminhoneiros e conhecem de perto o drama da categoria.

O que os novos líderes não entenderam é que ao assumir um lado na política,ou ao menos dar essa impressão, prejudicaram a força do movimento. Caminhoneiro só deve ter um partido, cuja plataforma tem como metas a melhoria das condições de trabalho, valorização do serviço de transporte e aumento da segurança no trânsito.

Faltou humildade aos “novos líderes” e agora voltam a Brasília enfraquecidos. Para ser bem sucedido em movimentos assim é preciso menos bravata e mais fatos. E aqueles que abraçaram logo os deputados que sempre trabalharam para os embarcadores, pensando que eles estavam do lado dos caminhoneiros, agora estão descobrindo que essa aproximação nunca foi para ajudar o movimento mas para controlá-lo e enfraquecê-lo.

 

Segundo a PRF, a paralisação dos caminhoneiros está restrita aos estados do Mato Grosso, Paraná e Ceará. Pelas nossas informações, ainda há pontos de paralisação no Mato Grosso do Sul. No Rio Grande do Sul, a PRF informou há pouco que já não existem mais pontos de manifestação permanente. Ainda existem poucos pontos nas rodovias estaduais gaúchas. Em Santa Catarina está tudo fluindo normalmente. No Paraná há mais paralisações em rodovias estaduais. Na região Sudeste o tráfego flui normalmente.

Os caminhoneiros reclamam que a PRF já anda como as liminares na mão ameaçando os motoristas com multas. O fato é que a organização da PRF no combate as paralisações está sendo mais eficiente que a mobilização dos caminhoneiros, principalmente para conseguir adesão de maior número de profissionais. 

Veja algumas fontes para acompanhar as paralisações nas estradas:

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