A troca de comando no Palácio Piratini vai empurrar para o próximo mandato a solução de um impasse que se arrasta há pelo menos dois anos e envolve o destino de 1,8 mil quilômetros de rodovias gaúchas.

O governo de Germano Rigotto (PMDB) tem até 31 de dezembro para encontrar medidas que compensem as perdas desde 1998 nos sete pólos rodoviários, mas admite que transferirá a tarefa para a equipe da futura governadora, Yeda Crusius (PSDB). Rigotto havia acertado dezembro como data para o acordo depois de dois outros adiamentos.

– O governo atual vai levar o assunto como pauta da transição. A negociação, é claro, se estabelecerá a partir do ano que vem. Não será agora que isso ocorrerá – confirma o chefe da Casa Civil, Josué de Souza Barbosa.

Mesmo que não apresente o pacote de medidas, o Estado precisará sentar com as concessionárias se quiser evitar problemas judiciais. As empresas terão de concordar com a nova data. Barbosa afirma que a discussão sobre novos prazos passará pelas equipes de transição, que começam a se encontrar sexta-feira. A Associação Gaúcha das Concessionárias de Rodovias não tem esperança de que as negociações recomecem antes de dezembro.

A Associação Estadual dos Usuários de Rodovias do Rio Grande do Sul teme que o adiamento reforce a mobilização das concessionárias para que a cobrança de pedágio só acabe em 2023.

– A prorrogação dos contratos é nossa primeira preocupação. Não queremos ampliação do prazo porque rejeitamos o modelo de concessão – afirma o presidente da entidade, Juarez Colombo.