Quatro meninas Kaingang da comunidade de Estrela foram atingidas, na manhã de ontem, segunda-feira 19, por um rodado que se desprendeu de um caminhão que trafegava na BR-386, Km 360 no Rio Grande do Sul. As meninas aguardavam, em uma parada, o ônibus que as conduziria para a escola. Chaiane Soares Lemes, 15 anos, Taís Soares Lemes, 9 anos, e Franciele dos Santos Soares, 14 anos, morreram no local. Anelize Soares Lemes, 13 anos, está em estado grave no hospital.

O motorista do caminhão, Hélio Fernando da Rosa Amador, de 53 anos, não parou para prestar socorro às vítimas e seu veículo foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal há mais de 180 km do local onde ocorreram as mortes. O motorista alegou não ter percebido que o rodado da carreta havia se desprendido.

A comunidade indígena, revoltada com mais este acidente envolvendo crianças, bloqueou a BR-386. Exigem das autoridades que coloquem redutores de velocidade na rodovia, pois ali já ocorreram vários acidentes. Em 25 de março do ano passado, uma criança de dois anos morreu depois de ter sido atingida por uma roda que se desprendeu de um veículo Gol. A criança estava no colo da mãe e ambas aguardavam pelo transporte público.

O cacique Carlos Soares, pai de uma das vítimas, informou que a comunidade vem reivindicando junto à prefeitura de Estrela que o transporte escolar entre na aldeia para buscar os estudantes, que se deslocam todas as manhãs até as margens da rodovia. A aldeia, que fica a uns 250 metros da BR-386, é de fácil acesso, portanto não há nenhuma justificativa para que o ônibus escolar não vá até a comunidade indígena.

Esse acidente revela o descaso do poder público com comunidades indígenas que vivem próximas às rodovias ou sobre seus barrancos. No Estado do Rio Grande do Sul são dezenas de comunidades Guarani e Kaingang vivendo o risco cotidiano, decorrente do fluxo de automóveis. Apesar dos alertas e reivindicações feitas pelas lideranças indígenas às autoridades, medidas não são tomadas. Lamentavelmente, nem mesmo depois de acontecimentos trágicos como esse, o poder público demonstra algum interesse em solucionar problemas que, há muito, vêm sendo denunciados.

Muitas pessoas se comoveram com a morte das meninas e com a tragédia que ocorreu com a comunidade Kaingang, demostrando solidariedade e respeito. Mas neste momento de profunda dor, também tem aqueles que tripudiam e manifestam sua intolerância contra os povos indígenas. Isso ocorreu, por exemplo, em postagem feita por um internauta, no site Globo.com, abaixo da notícia do trágico acidente. O internauta, que se esconde atrás do codinome “Pensador Correto” (e pensa estar, assim, protegido e um processo judicial por prática de racismo) faz insinuações machistas e preconceituosas contra as mulheres Kaingang.
Os Kaingang esperam justiça, que se promoverá com a apuração das causas e responsabilidades sobre o acidente, bem como com a criteriosa investigação deste tipo de crime de racismo, inaceitável nos dias de hoje.
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