Corredor rodoviário ligará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, criando uma alternativa de acesso aos portos do Pacífico. Obras e procedimentos aduaneiros ainda precisam ser concluídos.
Mato Grosso do Sul poderá se tornar um importante centro de distribuição de mercadorias com a implantação da Rota Bioceânica, corredor rodoviário que pretende ligar o Brasil aos portos do Oceano Pacífico, atravessando Paraguai e Argentina até chegar ao Chile.
A expectativa foi apresentada pelo secretário-adjunto de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul (Semadesc), Alex Melotto, durante o I Congresso Aduaneiro da 1ª Região Fiscal, realizado em Campo Grande(MS).
Segundo o representante do governo estadual, além de facilitar as exportações brasileiras para mercados asiáticos, a rota poderá permitir a entrada de mercadorias importadas pelo Pacífico e sua distribuição para outras regiões do Brasil.
O que é a Rota Bioceânica e por onde ela passa?
A Rota Bioceânica, também conhecida como Corredor Bioceânico de Capricórnio, é um projeto de integração rodoviária internacional que conectará os oceanos Atlântico e Pacífico.
O trajeto principal parte de Mato Grosso do Sul, atravessa o Paraguai e o norte da Argentina, cruza a Cordilheira dos Andes e chega aos portos chilenos de Antofagasta, Iquique e Mejillones.
No Brasil, Porto Murtinho (MS) será um dos principais pontos de conexão internacional, por meio de uma nova ponte sobre o Rio Paraguai, ligando o município a Carmelo Peralta, no Paraguai.
O corredor terá aproximadamente 2.400 quilômetros entre Campo Grande e os portos do norte do Chile. Considerando a ligação com o Porto de Santos, a extensão total ultrapassa 3 mil quilômetros.
A proposta é oferecer uma alternativa logística aos portos brasileiros do Atlântico, especialmente para cargas destinadas à Ásia. Dependendo da origem, do destino e das condições de transporte, a utilização dos portos chilenos poderá reduzir distâncias marítimas e prazos de entrega.
O corredor também poderá beneficiar a circulação de mercadorias entre os quatro países, ampliando o transporte rodoviário internacional.
Ponte internacional é uma das principais obras
Uma das estruturas mais importantes do projeto é a ponte internacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, com aproximadamente 1,3 quilômetro de extensão. Em julho de 2026, as duas frentes de construção da ponte foram unidas, marcando uma etapa importante da obra.
Entretanto, a conclusão da ponte, isoladamente, não significa que a Rota Bioceânica estará pronta para receber o transporte internacional de cargas. Ainda são necessários investimentos nos acessos rodoviários, na infraestrutura de fiscalização de fronteira e em trechos da ligação pelo território paraguaio.
Também será preciso garantir condições adequadas de circulação de caminhões, fiscalização aduaneira e integração dos procedimentos de transporte entre os quatro países.
Fiscalização nas fronteiras será um dos desafios
Durante o congresso em Campo Grande(MS), Alex Melotto destacou que um dos principais desafios será a integração dos procedimentos aduaneiros entre os países participantes.
A circulação internacional de caminhões envolve documentação de cargas, fiscalização tributária, controles sanitários e exigências específicas de cada país. Sem procedimentos coordenados, eventuais ganhos obtidos com a redução das distâncias poderão ser comprometidos pelo tempo de espera nas fronteiras.
Para o governo de Mato Grosso do Sul, a implantação do corredor poderá estimular a instalação de centros de distribuição, terminais logísticos, armazéns e empresas ligadas ao comércio exterior.
Entretanto, o aproveitamento desse potencial dependerá da conclusão das obras, da eficiência das operações de fronteira e da competitividade dos custos de transporte.
Quando a Rota Bioceânica estará funcionando?
Embora a construção da ponte internacional esteja em fase avançada, o início da operação plena do corredor ainda depende de outras intervenções.
Em setembro de 2026, a Receita Federal apontou que a implantação da infraestrutura aduaneira poderia adiar para 2028 o início da operação comercial regular pela nova ligação de Porto Murtinho.
Dessa forma, apesar das perspectivas de expansão do comércio exterior e do transporte rodoviário internacional, a Rota Bioceânica ainda não está integralmente disponível para o fluxo de caminhões previsto no projeto.
A transformação de Mato Grosso do Sul em um centro de distribuição de mercadorias dependerá não apenas da nova ligação rodoviária, mas também da capacidade de integrar estradas, fronteiras, portos e serviços logísticos em quatro países.





