Uma onda de violência atinge os motoqueiros que circulam por São Paulo. Em menos de 48 horas foram registrados 92 acidentes envolvendo motos. Um número bem acima do normal que é, em média, de 25 por dia.

Segundo os motoqueiros, a lista de entregas é muito grande e para fazer tudo a tempo eles confessam que é preciso acelerar. Nas ruas, o que se vê são avanços de sinal vermelho, corrida pelo corredor de ônibus e entradas na calçada.

Eles não desrespeitam as leis de trânsito só para cumprir prazos. Cada entrega significa dinheiro no bolso no fim do mês. “É bom para a gente. A gente ganha por hora, né?!”, conta um motoqueiro da capital paulista.

É na hora que o trânsito da cidade pára que os motoqueiros tiram mais vantagem. Eles ganham tempo seguindo pelo corredor entre os carros, mas arriscam perder a vida. Só nesta quarta-feira (11), de meia-noite até o fim da tarde, foram 45 acidentes envolvendo motoqueiros na capital. Um motociclista morreu após cair da moto e ser atropelado por um caminhão na Via Dutra.

A cada hora, pelo menos um acidente na capital tem uma moto envolvida e um motociclista morre por dia nas ruas da cidade. Segundo levantamento da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), as vias com maior movimento de moto são a Radial Leste e as Avenidas 23 de Maio e Rebouças.

De acordo com o presidente da CET, Roberto Scaringela, “tanto o motorista quanto o motociclista sabem que essa circulação das motos entre os carros é muito arriscada e a estatística está mostrando que é causa de muitos acidentes”.

Segundo o Departamento Nacional de Trânsito, existem atualmente 427.710 motos registradas só na capital paulista. Os 50 km das Marginais Pinheiros e Tietê são os mais perigosos para quem anda de moto.

Selo
Para prevenir acidentes de moto, a CET criou um “selo de qualidade” para as empresas de motofrete que garantirem a segurança dos motoboys.

Além de equipamentos como luvas, capacete, colete e jaqueta, as empresas precisam, também, garantir benefícios a esses trabalhadores, como seguro de vida.

“Estamos desenvolvendo um programa de proteção ao motociclista. O número de acidentes e vítimas é muito grande”, disse Roberto Scaringella. Ele fez um apelo a empresas de São Paulo para que prefiram contratar serviços de entrega que tenham o certificado.