Cinco pessoas da mesma família de Minas morreram neste sábado na BR-393/RJ após tombamento de caminhão. Foto: Mídias Sociais

Só o plano de Douglas Ruas, novo governador do Rio de Janeiro, traz compromisso específico com o tema. Tarcísio de Freitas (SP) trata a prevenção de acidentes como efeito da tecnologia nas rodovias, e Cleitinho(MG) sequer menciona o assunto. Nenhum dos três fixa meta de redução de mortes no trânsito.

A redução das mortes no trânsito não aparece como prioridade em nenhum dos programas de governo registrados na Justiça Eleitoral por Douglas Ruas (Rio de Janeiro), Tarcísio de Freitas (São Paulo) e Cleitinho (Minas Gerais). Os três estados concentram parte expressiva da frota e da malha rodoviária do país.

Levantamento do Estradas.com.br nos três documentos, mostra que a expressão “segurança viária” aparece uma única vez, no plano fluminense. Nenhum deles estabelece meta de redução de mortes e feridos, cita o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans) ou menciona o Detran.

Também não há referência a motociclistas, pedestres, ciclistas, álcool e direção, excesso de velocidade ou educação para o trânsito.

Rio de Janeiro- Governador eleito é o único com compromisso nominal

O “Plano do Rio Real 2027-2030”, de Douglas Ruas, com 51 páginas, é o único que dedica um item específico ao tema. No capítulo “Rodovias RJ”, o programa afirma que a malha estadual “precisa ser tratada como infraestrutura essencial para salvar vidas” e promete “segurança viária, com mapeamento dos pontos mais perigosos e intervenções em sinalização, pavimento, iluminação e fiscalização”.

O documento prevê ainda “patrulhas regionais permanentes, com atuação preventiva nos trechos críticos e apoio à redução de acidentes”, o reequipamento do DER-RJ e novos contratos de concessão com manutenção permanente, iluminação, atendimento emergencial e câmeras “para tornar nossas estradas mais seguras”.

São compromissos na direção correta: atacam os pontos críticos e combinam engenharia, fiscalização e atendimento. Faltam, porém, números, prazos e orçamento. O plano tampouco cita a Operação Lei Seca, política estadual de fiscalização de alcoolemia.

Já o Programa do adversário, Eduardo Paes, que perdeu a oportunidade de participar do segundo turno, em decisão confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral neste sábado(10), apresentou Programa com apenas 8 páginas e nenhuma menção ao tema.

Governador de São Paulo coloca segurança viária como subproduto da tecnologia

No plano de Tarcísio de Freitas, de 68 páginas, a segurança nas estradas aparece em um parágrafo do programa SP Pra Toda Obra Logística. O texto promete transformar a malha paulista “em uma rede de rodovias tecnológicas, seguras e inteligentes”, com monitoramento por vídeo, integração de dados de tráfego, segurança e manutenção e conexão ao centro de inteligência do estado.

“Com isso, será possível prevenir acidentes, acelerar a resposta a incidentes, qualificar a fiscalização”, diz o documento.

A prevenção de sinistros (acidentes) surge, portanto, como consequência esperada dos investimentos em logística e conectividade, e não como política própria. O estado que mantém o Infosiga, sistema público de dados de sinistros de trânsito, não o menciona nem assume meta de redução de vítimas.

Governador de Minas Gerais está focado em pedágio e não fala em segurança viária

O plano de Cleitinho, o mais curto dos três, com 16 páginas, reserva dez itens à infraestrutura. Sete tratam de rodovias: nenhum novo pedágio, fiscalização dos contratos de concessão, reajuste de tarifa condicionado à entrega de obras, fortalecimento do DER-MG, apoio às estradas vicinais e painel público de obras.

A recuperação do pavimento tem efeito indireto sobre a segurança, mas o documento não usa as palavras “acidente”, “trânsito” ou “segurança viária”. A única referência próxima está na educação, com a promessa de transporte escolar “seguro, regular e adequado”.

O que falta nos três

A Lei 13.614, de 2018, que criou o Pnatrans, atribui aos estados metas de redução dos índices de mortes no trânsito. Detrans, departamentos de estradas de rodagem, policiamento rodoviário e contratos de concessão de rodovias estaduais estão sob comando dos governadores. Ainda assim, nenhum dos programas analisados traduz essa responsabilidade em metas, indicadores ou recursos.

O programa de governo não esgota o que uma gestão fará, mas indica o que ela considera prioritário. Nesse critério, o Rio de Janeiro sai à frente, São Paulo fica no meio do caminho e Minas Gerais deixa o tema em branco.

Para o Coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, a preservação da vida no trânsito não tem recebido a atenção necessária dos políticos, da sociedade e da própria imprensa. “O tema nunca é objeto de pergunta nos debates. No caso dos candidatos a presidência, os programas são ainda mais omissos.”


Critérios e fontes
A avaliação considerou apenas o que está escrito nos três programas, lidos na íntegra, com busca complementar por termos ligados a trânsito, rodovias, acidentes, fiscalização e atendimento a vítimas. As páginas citadas são as impressas em cada documento.

Para os interessados:

O documento oficial fica no DivulgaCandContas, do TSE.  A proposta de governo é peça obrigatória do registro de candidatura a governador e fica disponível em PDF na página do candidato.

  • Acesse divulgacandcontas.tse.jus.br.
  • Selecione Eleições 2026, depois Rio de Janeiro e o cargo Governador.
  • Abra a página de Douglas Ruas (PL).
  • Na seção de documentos do registro, baixe o arquivo “Proposta de governo”.

Leia também:

Flávio Bolsonaro e Lula chegam ao 2º turno sem propostas para reduzir mortes no trânsito

Deixe um comentário

Você digitou um endereço de e-mail incorreto!
Por favor, digite seu nome aqui