Comerciante faz plantio de mudas de muitas espécies para

preservação do verde em Mirassol


Lourival Victorino mostra ipê-amarelo em praça do bairro

Renascença: mobilização solitária pela natureza

Ipê, jacarandá, flamboiã, guapuruvu, manga, jambo, cajamanga e

outras espécies de árvores fazem da vida do comerciante

Lourival Victorino, 44 anos, o semeador da natureza, em

Mirassol.

Vavá, como é conhecido, já perdeu a conta de quantas árvores

plantou. Atualmente seu projeto consiste em florestar a área do

Viaduto Antonio Cândido Moreira, na Rodovia Washington Luís,

onde já plantou 65 mudas, de oito espécies diferentes.

Além de plantar, ele cuida. “No início foi difícil, porque

tinha que encher várias garrafas pet com água e dependia da

ajuda de minha irmã e meu cunhado para ajudar a levar as

garrafas no local. Isso de madrugada”, relata o ambientalista.

Desde pequeno gostava de plantas. “Ia muito com meu pai na

grota”, diz.

Seu primeiro plantio consciente foi em 1975, na escola Bartyra

Noronha. “Até hoje não me sai o cheiro do pau-d‘alho. Meus pais

sempre relacionaram a natureza como um ser vivo. Acho que

cresci com isso.”

As mudas ele ganha dos amigos e de pessoas que vai conhecendo,

principalmente dos sitiantes das redondezas por onde passa.

O arquiteto Carlos Eduardo Thomé é uma dessas pessoas.

Recentemente doou várias mudas conseguidas no viveiro do Rotary

Club de Rio Preto. “É elogiável a atitude dele. E como eu

também gosto, fiz questão de doar”, diz.

Além da rodovia WL, e de outras onde ele já semeou uma ou outra

árvore, Vavá também sai observando espaços ociosos, não só em

locais públicos como também particulares. Aí, como quem não

quer nada, joga uma semente.

“Um dia, no jardim de uma casa, tinha um espaço ocioso e joguei

uma semente lá. Passado muito tempo depois, passando pelo

local, vi uma senhora aguando aquela mesma planta. Ela a tinha

adotado”, conta.

Segundo ele, a conscientização tem de ser levada para as

escolas. “As crianças precisam receber informações, ser

incentivadas a plantar e a conviver com plantas. Hoje não se vê

nem escolas arborizadas”, diz.

Vavá tem planos para ampliar a ação. Ele quer passar a formar

mudas em pequenos recipientes e sair distribuindo para as

pessoas.

Se depender delas, sua ação dará certo, como atesta a dona de

casa Ângela Genova Moreira. “Eu acho ótimo e aceitaria de bom

grado. Árvore faz bem para as pessoas”, diz.

Biólogo elogia a iniciativa
O biólogo da Unesp (Universidade Estadual Paulista) Arif Cais,

de Rio Preto, diz que a atitude de Vavá é exemplo de cidadania

e deve ser seguido. “É um espírito que deve ser louvado”, diz.

Segundo ele, as pessoas deveriam se preocupar mais com o meio

ambiente. “Quem tem os olhos voltados para a questão ambiental

está se beneficiando e beneficiando a coletividade”.

O professor chama isso de “benefício difuso”, que é quando

todos são atingidos no tempo e no espaço. “É um benefício para

as futuras gerações”, explica.