BALANÇO: De acordo com o SOS Estradas, o número de feridos foi muito além de 2.000 no país. Desse total, mais de 600 vão ficar com alguma sequela permanente. São números assustadores para os leigos, ainda mais num período de pandemia, mas previsível para quem estuda o tema. Vale ressaltar que, no ano passado, o Seguro DPVAT pagou mais de 40 mil indenizações por morte. Foto: Divulgação

por Rodolfo Rizzotto (*)

Na quinta-feira (8), fizemos uma triste previsão, estimando quantas pessoas morreriam no feriado de Nossa Senhora Aparecida, no dia 12 de outubro. Não era especulação, mas uma simples análise baseada nos dados fornecidos nos feriados anteriores, inclusive, durante o período da pandemia. Estimamos que teríamos, pelo menos, 150 mortes, sendo 75 delas, ocorridas em rodovias federais. Prevíamos 1.600 acidentes e o mesmo número de feridos, no somatório de rodovias federais e estaduais.

Na terça-feira (13), o balanço da Polícia Rodoviária Federal (PRF) confirmou as 75 mortes que haviam sido previstas. Foram 973 acidentes com 1.165 feridos em apenas quatro dias. Esses números, somados aos registrados nas rodovias estaduais paulistas, já alcançaram a impressionante marca de 1.706 acidentes, 1.635 feridos e 97 mortos.

Nossas previsões foram modestas, diante da realidade trágica dos fatos. Ainda não temos os números definitivos das demais rodovias estaduais, mas já sabemos que morreram 16 vítimas em vias mineiras, oito no Paraná, oito em Goiás, outras quatro na Bahia e o mesmo número no Ceará. Na soma das federais e estaduais de seis estados, já são 137 mortos, indicando que, no total, mais de 150 pessoas morreram no país, considerando que ainda faltam outros 20 estados além do Distrito Federal para serem contabilizados.

O número de feridos foi muito além de 2.000 no país. Desse total, mais de 600 vão ficar com alguma sequela permanente. São números assustadores para os leigos, ainda mais num período de pandemia, mas previsível para quem estuda o tema. Vale ressaltar que, no ano passado, o Seguro DPVAT pagou mais de 40 mil indenizações por morte.

As alterações sancionadas no dia 13 de outubro pioram a situação, porque os infratores poderão dobrar os pontos de 20, para 40. No caso dos que exercem qualquer atividade remunerada como, por exemplo, motoboys, ainda terão direito a reciclagem da CNH, zerando os pontos, quando atingirem 30 pontos. E poderão chegar a 69 pontos sem ter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa.

(*) Rodolfo Rizzotto é coordenador do SOS Estradas

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