O deputado estadual Cleiton Kielse (PEN) acusou a cúpula da Assembleia Legislativa de atuar para impedir a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as concessões do pedágio no Estado. Segundo ele, Maria Luiza Caldas, irmã do procurador geral da Assembleia, Luiz Carlos Caldas, e funcionária de carreira do Legislativo, seria hoje diretora executiva da concessionária Ecovias. O procurador foi autor de parecer que determinou, no ano passado, o arquivamento do pedido de CPI. Kielse acusou ainda o deputado estadual Ney Leprevost (PSD) de ter recebido doações de empresas ligadas as concessionárias do pedágio, na campanha eleitoral de 2010.

O presidente da Assembleia, Valdir Rossoni (PSDB), negou as acusações e atribuiu as denúncias de Kielse à eleição para a Mesa Executiva da Casa, que acontecem hoje. Rossoni é candidato à reeleição para a presidência. “O discurso do deputado Kielse é um discurso político, na véspera da eleição da Mesa”, lembrou. O tucano apontou ainda como motivação de Kielse o fato da Assembleia ter extinguido a Associação das Esposas dos Deputados Estaduais (Apasde), que era dirigida pela esposa de Kielse, e administrava terrenos no Centro Cívico de propriedade do Legislativo.

O tucano voltou a pedir providências do Conselho de Ética contra o parlamentar do PEN. Rossoni já havia pedido a abertura de processo contra Kielse, em julho, quando o deputado afirmou durante uma audiência pública sobre o pedágio, que parlamentares teriam recebido dinheiro das concessionárias para barrar a CPI. Somente na semana passada, Kielse foi notificado pelo conselho para apresentar suas alegações.

Kielse apresentou o pedido de abertura da CPI no ano passado, alegando irregularidades nas tarifas e cancelamento de obras previstas nos contratos originais de concessão. A Mesa Executiva da Assembleia determinou o arquivamento do pedido, alegando falta de fato determinado para investigação e também que o caso já teria sido investigado em outra legislatura, sem resultados.

Ontem, Kielse voltou à carga, afirmando que “só nas eleições de 2010”, o deputado Ney Leprevost teria recebido R$ 1 milhão em doação de campanha, de empresas ligadas ao pedágio. E que teria retirado a assinatura do requerimento para a abertura da CPI a pedido de empresários. O deputado apontou ainda que a CPI feita pela Casa em 2003, tinha como relator o atual líder do governo, deputado Ademar Traiano (PSDB), que teria agido para impedir a abertura da nova comissão. E que o líder do governo Lerner na época da implantação dos pedágios era o atual presidente da Assembleia, Valdir Rossoni.

Pistoleiro — Leprevost negou ter recebido doações de concessionárias do pedágio, e disse que retirou a assinatura do pedido de CPI depois que soube que a Assembleia já havia feito uma investigação sobre o assunto anteriormente. “Ele (Kielse) não contou que esta Casa já tinha feito uma CPI sobre o pedágio. E deu a entender que essa CPI poderia ser ‘muito lucrativa’”, afirmou Leprevost, que bateu boca no plenário com Kielse, chamando o colega de “pistoleiro”. “Não fui colocado nesta Casa por ter um pai conselheiro do Tribunal de Contas. Minha família não grilou terras. Sobre meu pai não pesa suspeitas de ter mandado matar pessoas”, disse Leprevost.

O deputado do PSD pediu ainda a abertura de processo de cassação do deputado do PEN e afirmou que vai processá-lo cível e criminalmente. Leprevost admitiu ter recebido doações de campanha de Guilherme Almeida e Ricardo Almeida, integrantes da família que controla a empreiteira C.R. Almeida, mas negou qualquer conexão com o pedágio. “Eles não condicionaram nada em relação ao pedágio. Sou amigo da família”, argumentou. Segundo Leprevost, a intenção de Kielse com a CPI seria “achacar” as concessionárias de pedágio.

A Assembleia informou ainda que irmã do procurador geral da Casa, Maria Luiza Caldas, é funcionária de carreira da Secretaria de Estado da Justiça desde 1982, e estava cedida para a Assembleia, nomeada no cargo de assistente administrativo desde maio de 2005. Segundo a direção da Assembleia, ela está licenciada sem vencimentos desde 1º de fevereiro de 2011. E é sócia de uma microempresa que presta serviços na área de marketing para a Ecovia.
Quando Kielse discursava, o procurador geral, Luiz Carlos Caldas, chegou a ocupar uma cadeira na Mesa Executiva do plenário. O deputado então acusou o procurador de tê-lo ameaçado e Caldas preferiu se retirar.

“O deputado Kielse é um deputado do governo de plantão. Falta autoridade moral para vir aqui levantar dúvidas do que aconteceu doze anos atrás. Ele votou favorável às concessões e quando o governo implantou o pedágio nunca levantou uma palavra”, acusou Rossoni. O tucano atribuiu ainda as acusações ao fato da Assembleia ter extinguido a Associação das Esposas dos Deputados Estaduais (Apasde), que era dirigida pela esposa de Kielse, e administrava terrenos no Centro Cívico de propriedade do Legislativo.

Em nota, a Associação Brasileira das Concessionárias do Pedágio no Paraná (ABCR/PR) divulgou nota ontem afirmando não ter “as informações sobre as denúncias feitas pelo deputado Cleiton Kielse”, e dizendo que “as concessionárias não irão discutir o uso político do pedágio”. A entidade afirma ainda que “as declarações do parlamentar estão equivocadas, não sendo expressão da verdade”.