ENSINAMENTOS: Catarinense da gema, Jair Pereira, 50, diz que "a estrada me ensinou que volante é o troféu de um herói sem valor". Foto: Arquivo Pessoal

Neste sábado, 25 de julho, o Estradas ouviu profissionais que transportam além de cargas, a paixão pela profissão. Veja vídeo

A visão que os brasileiros têm dos caminhoneiros não é a mesma de antes da pandemia do coronavírus. A chegada da Covid-19 trouxe muitas histórias tristes, mas também de superação e persistência. É o caso desses profissionais que têm demonstrado, ao longo desses últimos cinco meses, que quando você gosta do que faz, tudo fica mais fácil.

Neste Dia do Motorista, comemorado neste 25 de julho, o Estradas conversou com alguns caminhoneiros para saber o que como eles estão vendo o papel deles nesse atual momento pelo qual o Brasil atravessa.

Sempre na estrada, na busca de um novo frete; carregando e descarregando seus brutos; procurando um local para se alimentar ou descansar, enfim, na labuta, os caminhoneiros estão superando todos os obstáculos e cumprindo com o papel ao qual se propuseram, que é o de levar riquezas de um lado para o outro. Nas conversas, é possível perceber que a determinação e o amor pelo que fazem são o combustível que os movem.

Cajau, do escritório pra boleia

De servidor público a caminhoneiro num piscar de olhos. Assim aconteceu na vida do capixaba Cajau Antonelli, de 45 anos, que trocou o emprego na Secretaria de Justiça do Espírito Santo pela boleia, em 2014.

TRATO: Cajau numa pausa no posto Tims, na Rodovia do Contorno, em Serra (ES), dando um trato no bruto. Foto: Arquivo Pessoal

Passados seis anos, Cajau tem certeza de uma coisa: “Eu me sinto bem no que eu faço. Agora, estou aqui só eu, Deus e o meu caminhão. Estou me encaminhando para um próximo carregamento, pois acabei de descarregar. Então, eu estou feliz, tranquilo, estou onde eu quero”, diz.

Para ele, a máxima “quando você gosta do que faz, tudo fica mais fácil” é perfeita. “Tudo fica muito prazeroso, qualquer coisa que você faça, desde que você goste, tudo fica muito mais fácil”, frisa.

Sempre descontraído e alegre, ele prefere não reclamar da profissão. “Alguns companheiros reclamam que a gente é maltratado; que as pessoas tratam a gente de uma forma mais rústica, mas isso não é a profissão, são as pessoas; as pessoas é que são ruins, e não a nossa profissão.

Cajau vai além e diz, com entusiasmo: “Minha profissão é muito bela, muito importante, muito útil, não é? Tudo depende da gente, tudo depende do caminhoneiro, mas nem por isso torna a gente melhor do que ninguém; apenas nos torna muito importante para a sociedade, uma profissão essencial, ainda mais nesse momento em que vivemos”.

O capixaba lembra que até as profissões essenciais dependem dos caminhoneiros. “Somos nós quem transportamos o material para muita outras profissões essenciais trabalharem. Se nós pararmos, eles também param; tudo para, nada funciona. Por isso que eu digo que temos que nos valorizar, nos enaltecer por essa parte boa, não é?”

Feliz por ter conseguido alcançar o sonho de se tornar caminhoneiro, Cajau fala que tem muita gente querendo trabalhar com caminhão, mas não consegue. “É preciso ter confiança e não perder a esperança, pois um dia vai conseguir”.

A estrada que ensina

O catarinense Jair José Pereira, tem muitas histórias para contar neste Dia do Motorista. Caminhoneiro há mais 25 anos, ele não cansa de dizer que a estrada ensinou muitas coisas na vida dele.

Mesmo com a constante troca de mensagens com seus seguidores, por conta do canal “Diário de Bordo de um Caminhoneiro”, no Youtube, desde 2015, Jair conta que muitas vezes sua melhor companhia é ele mesmo ou então que um desconhecido pode se tornar seu melhor amigo.

Jair diz que aprende a cada dia que passa na estrada, e que ela tem ensinado coisas muito importantes. !A estrada me ensinou que volante é o troféu de um herói sem valor”. Veja no vídeo, a bonita homenagem que Jair Pereira faz aos profissionais das estrada.

 

Reconhecimento e valorização

O pernambucano de Serra Talhada, Cícero Luiz de Lima Silva, 46, viaja pelo Brasil, com foco nas regiões Sudeste, Nordeste e Norte, desde 2006. Para ele, a vida nas estradas é difícil, mas tem suas compensações. “Desde que me tornei um motorista profissional em 2002, vejo mudanças positivas e negativas para nossa profissão. Sempre procuro reter as mensagens positivas”, explica.

Sempre calmo, Cícero entende que a vida do caminhoneiro nos dias de hoje está cada vez mais complicada por conta da pandemia do coronavírus. “Eu particularmente não sofri com muitas mudanças no meu dia a dia. Mas sei de colegas que estão se sacrificando ainda mais”.

Silva fala que agora o caminhoneiro passou a ocupar uma pequena atenção por parte da sociedade e do governo. “Não tivemos melhorias substanciais, mas muitas empresas estão nos ajudando em alguma coisa”, referindo-se às ações e campanhas das concessionárias de rodovias e de alguns postos de serviços no país.

VALORIZAÇÃO: O pernambucano de Serra Talhada, Cícero da Silva, 46, fala sobre a pouca valorização que dão aso caminhoneiros no Brasil. Foto: Aderlei de Souza

Sobre o Dia do Motorista, ele diz que é como um outro qualquer. “Se tiver sorte, comemoro em casa com a família. Caso contrário, na estrada mesmo, onde a vida segue. “Quero dar meus parabéns a todos os caminhoneiros do Brasil e torcer para que nosso trabalho seja mais reconhecido e valorizado, independente de pandemia”.

Origem da data

O Decreto nº 63.461, de 21 de outubro de 1968, oficializa o dia 25 de julho como o “Dia do Motorista” no Brasil. Por outro lado, a data é comemorada no Dia de São Cristóvão, santo católico considerado o padroeiro dos motoristas no Brasil.

Diz a lenda que São Cristóvão queria servir o rei mais poderoso da Terra e decidiu venerar o Diabo. No entanto, durante uma viagem, conheceu um ermitão que mostrou ser Jesus Cristo o “Rei dos Reis” e a entidade com mais poder no Universo.

Certa vez, segundo a lenda, Cristóvão colocou um menino nas costas e a cada passo que dava o seu peso ia aumentando. Cristóvão disse: “Parece que estou carregando o mundo nas costas”, então o menino respondeu: “Tiveste às costas mais que o mundo inteiro. Transportaste o Criador de todas as coisas. Sou Jesus, aquele a quem serves”. Assim, passou a ser conhecido como o protetor e padroeiro dos viajantes e motoristas.

Dia do Caminhoneiro

No Brasil, existem três datas comemorativas que homenageiam os caminhoneiros: 30 de junho, 25 de julho e 19 de setembro. O 30 de junho é considerado uma data regional, pois celebra a profissão de caminhoneiro na região do estado de São Paulo. Esta data foi oficializada através da lei nº 5.487, de 30 de dezembro de 1986.

Já no âmbito nacional, o então vice-presidente do Brasil, José Alencar Gomes da Silva, decretou através da lei nº 11.927, de 17 de abril de 2009, o Dia Nacional do Caminhoneiro para ser comemorado em 19 de setembro.

Estradas parabeniza a todos os motoristas do Brasil pela data especial.

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