Presidente do SBOT – Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – Especialista fala sobre campanhas de redução de acidentes.

DR. MARCOS ESNER MUSAFIR

Presidente do SBOT – Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.

Por que o SBOT resolveu investir em campanhas de redução de acidentes?

– Por conhecermos o impacto nos hospitais das lesões cada vez mais complexas pela alta energia, que vitimam milhares de brasileiros e poderiam ser evitadas.

Existe algum indicador que permita calcular o aumento das lesões num acidente quanto maior for a velocidade?

– Sim. Estudos biomecânicos de impacto auxiliam. Veja no site www.ircobi.org

Como seria o cinto de segurança ideal?

– Três pontos, retrátil e com acolchoamento, preso às ferragens do veículo.

Qual a importância do uso do cinto de segurança nos ônibus?

– A mesma dos veículos de passeio. Proteção do ocupante e redução de danos para evitar o segundo trauma.

A indústria automobilística tem procurado entidades como o SBOT para saber como pode projetar melhor os veículos a fim de evitar lesões por erro de projeto?

– Nos países desenvolvidos sim, como Suécia, Alemanha, Japão e USA.

Há um aumento absurdo de acidentes com motociclistas. Na sua avaliação as autoridades deveriam ter uma política que não estimulasse a compra de motos ou agir, como tem sido feito em alguns estados e cidades, autorizando inclusive os serviços de moto-táxi?

– A conscientização, um treinamento com cidadania, um esforço de respeito às regras do trânsito, evitariam muitas situações. Existem diversos tipos de usuários.

Temos inúmeros programas de redução de acidentes. Muitos só existiram no papel ou nas cerimônias de lançamento. O que pode ser feito para termos mais ações que funcionem e apresentem resultados objetivos? Qual a opinião da SBOT – como entidade representativa da categoria profissional que cuida das conseqüências de um trânsito violento – sobre o permanente contingenciamento das verbas do FUNSET e do DPVAT destinadas ao trânsito?

– Precisamos melhorar oportunidades e criarmos as condições de incentivar o uso transparente destes recursos, o que seria um grande investimento na prevenção.

Conforme é de seu conhecimento, o SOS Estradas tem grande preocupação com o excesso de horas ao volante dos motoristas profissionais e demais motoristas. Do ponto de vista da ortopedia, de quanto em quanto tempo o motorista deve parar quando dirige nas estradas? Por que deve fazê-lo, o que deve fazer para recuperar a coluna vertebral quando parado e quais as conseqüências, principalmente, a longo prazo, para quem dirige diariamente por muitas horas sem parar?

– A posição sentada comprime os discos intervertebrais, e tensiona a musculatura para vertebral, e quanto maior o tempo na mesma posição, menor lubrificação entre as estruturas, que são articulações, e passam a funcionar sob tensão, mais lentamente e comprimem estruturas nobres, dai vem a dor, pela compressão nervosa.

O motorista profissional deveria:
a) Realizar exercícios físicos periódicos por 60 minutos ao dia: atividades aeróbicas (andar, correr, nadar) e atividades anaeróbicas (musculação supervisionada).
b) Parar de duas em duas horas por, pelo menos, 6 minutos e caminhar.
c) Riscos de algumas doenças ocupacionais relacionadas ao trabalho como protusões discais e outras, que compõe o quadro clínico denominado lombalgias.

Conheça mais do SBOT no www.sbot.org.br.

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