IMPUNIDADE: Resolução do Contran 798/20, que trata sobre os radares em rodovias do país, tem provocado o aumento de acidentes com mortes, como foi o caso do grave acidente na SP-320, que causou a morte de duas pessoas, no último dia 12. Fotos: Divulgação

De acordo com o coordenador do programa SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, a certeza de que não será punido é o principal motivo

Um grave acidente – dentre vários que têm sido registrados ultimamente – causou a morte de duas pessoas, no último dia 12, na Rodovia Euclides da Cunha (SP-320), em Santa Fé do Sul, no interior de São Paulo. A tragédia foi provocada por um condutor de uma BMW X6, que dirigia em alta velocidade e estava bêbado.

De acordo com o coordenador do programa SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, esse acidente é mais um caso que está ligado à falta de fiscalização do limite de velocidade, que tornou-se frequente nas rodovias do país, graças à Resolução 798/20, do Contran, que determinou que os radares portáteis sejam indicados nos sites dos órgãos responsáveis pelas rodovias e sinalizados. “Essa nova medida vai contribuir ainda mais para que os potenciais assassinos dirijam em alta velocidade, cientes dos locais que terão controle de velocidade. Essa certeza de impunidade é o que tem motivado esses acidentes com mortes pelo país afora”.

Ainda de acordo com o coordenador, no caso do acidente da SP-320, a cena foi filmada por um dos ocupantes do carro e postada nas mídias sociais. “Pouco depois, o ainda potencial assassino, que se divertia ao ver os outros motoristas assustados com sua velocidade, transformou-se num assassino de fato”, frisou.

Na tragédia, o veículo atingido, uma Hyundai Tucson, era ocupado por três pessoas. Morreram no local o motorista, de 58 anos, e a mãe dele, de 85 anos; a esposa do condutor ficou ferida gravemente e foi socorrida ao hospital da cidade.

INCENTIVO: Resolução do Contran determina que os radares portáteis sejam indicados nos sites dos órgãos responsáveis pelas rodovias e sinalizados. “Essa nova medida vai contribuir ainda mais para que os potenciais assassinos dirijam em alta velocidade, cientes dos locais que terão controle de velocidade, diz Rizzotto.

Segundo Rizzotto, o condutor embriagado negou-se a fazer o teste do bafômetro.  “Provavelmente também não passaria num teste de drogas porque dificilmente um condutor somente alcoolizado dirige nessa velocidade. Mesmo assim, a polícia cumpriu seu papel e o levou para a delegacia. O Ministério Público da cidade de Jales pediu e conseguiu sua prisão preventiva.”

Para o coordenador, esse episódio dramático não ocorre por nada. “A resposta é simples: impunidade. A certeza de que não será flagrado. Por isso, que no Brasil são pagas mais de 250 mil indenizações por morte e invalidez permanente pelo DPVAT todos os anos. Somos campeões em impunidade”, disse.

Rizzotto frisa que o SOS Estradas alertou várias vezes que a Resolução 798 do Contran, que determinou que os radares portáteis sejam indicados nos sites dos órgãos responsáveis pelas rodovias e sinalizados, ajudaria os potenciais assassinos a saber onde tem controle de velocidade e podem acelerar sem risco de serem flagrados.

Como é lá fora

Segundo Rizzotto, em qualquer país civilizado a polícia utiliza os chamados radares portáteis para surpreender infratores. “O motorista não sabe onde haverá fiscalização. Mas, no Brasil, a polícia tem que informar onde poderá estar. Esse assassino da BMW sabia disso e por esta razão andava nessa velocidade. Ele tinha certeza de que não seria multado.”

Ele diz que, se a autoridade no Brasil é obrigada a informar onde tem fiscalização de velocidade, ela também deveria informar onde não há. “Até porque, na maior parte do país existe limite de velocidade regulamentado, mas não tem fiscalização. É preciso que o Contran revogue urgente essa Resolução criminosa ou terá que informar aos demais condutores com uma placa: trecho não controlado por radar.

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