Free Flow avança nas rodovias, mas desafio agora é garantir orientação e segurança aos condutores
MAIS ORIENTAÇÃO: Free Flow avança nas rodovias, mas desafio agora é garantir orientação e segurança aos condutores. Foto: Divulgação/CCR RioSP

Presidente da Feiceg, Jaime Ferreira dos Santos, defende mais orientação aos condutores para evitar multas, golpes e insegurança na adaptação ao novo modelo de pedágio eletrônico

A implantação do sistema de pedágio eletrônico sem cancelas, conhecido como free flow, marca uma das mais importantes transformações recentes na gestão das rodovias brasileiras. Ao substituir as tradicionais praças de pedágio por pórticos de cobrança automática, o modelo promete aumentar a fluidez do tráfego, reduzir o tempo de viagem e tornar o transporte mais eficiente.

No entanto, a transição para esse novo formato ainda impõe desafios. A escassez de diretrizes claras sobre os procedimentos de cobrança, os canais de pagamento e os prazos para quitação das tarifas tem gerado dúvidas entre os condutores, além de abrir espaço para autuações e golpes virtuais.

Para analisar esse cenário, o Estradas conversou com Jaime Ferreira dos Santos, presidente da Federação Interestadual dos Cegonheiros (Feiceg). Representando um segmento que depende diretamente da eficiência e da previsibilidade das estradas, ele acompanha os impactos da implantação do free flow sobre transportadores e motoristas profissionais.

Na avaliação do dirigente, o avanço tecnológico é bem-vindo, mas sua efetividade depende de uma estratégia de comunicação capaz de assegurar que todos compreendam plenamente as novas regras de funcionamento.

O que é o sistema free flow e como ele funciona na prática?

O free flow é um modelo de pedágio eletrônico sem praças físicas e sem cancelas. A cobrança ocorre automaticamente por meio da leitura da placa do veículo ou de dispositivos eletrônicos instalados nos automóveis. A proposta é tornar o deslocamento mais ágil, eliminando a necessidade de parada para pagamento.

Quais são os principais benefícios que o free flow traz para as rodovias e para os usuários?

A tecnologia trouxe avanços importantes, especialmente na fluidez do tráfego e na redução do tempo de viagem. Para o transporte de cargas, isso representa mais eficiência operacional e melhor aproveitamento do tempo nas estradas.

Apesar dos avanços, por que ainda existe tanta dificuldade de adaptação ao novo modelo?
Porque muitas pessoas ainda não receberam informações suficientes sobre como o sistema funciona. Trata-se de uma mudança significativa na forma de pagar pedágios, algo que faz parte da rotina dos brasileiros há décadas. Sem orientação adequada, surgem dúvidas e inseguranças.

A falta de informação tem contribuído para a aplicação de multas aos motoristas?

Sim. Muitos condutores desconhecem os procedimentos de pagamento ou os prazos estabelecidos para quitação da tarifa. Em consequência, acabam sendo autuados não por má-fé, mas por falta de conhecimento sobre as regras do novo modelo.

Free Flow avança nas rodovias, mas desafio agora é garantir orientação e segurança aos condutores
ORIENTAÇÃO: Santos defende mais orientação aos usuários. “A tecnologia não é o problema. O desafio está na comunicação”, diz. Foto: Divulgação

O senhor acredita que a comunicação com os usuários poderia ter sido melhor durante a implantação do sistema?

Sem dúvida. A tecnologia não é o problema. O desafio está na comunicação. A implantação deveria ter sido acompanhada por campanhas mais amplas e permanentes de orientação, explicando de forma simples como consultar débitos, efetuar pagamentos e evitar irregularidades.

Muitos condutores afirmam que só descobriram a cobrança quando receberam uma multa. O que isso revela sobre o atual modelo?

Mostra que ainda existem falhas nos mecanismos de comunicação. Em muitos casos, o usuário não identifica a cobrança ou não sabe onde buscar as informações necessárias. Quando percebe a pendência, a infração já foi registrada. Isso demonstra que o modelo ainda pode ser aperfeiçoado.

Quais são os principais desafios enfrentados por quem não utiliza tag eletrônica?

Muitos brasileiros ainda não utilizam dispositivos de cobrança automática e dependem exclusivamente dos canais digitais para consultar e pagar suas tarifas. Para quem tem pouca familiaridade com tecnologia ou acesso limitado à internet, esse processo pode ser mais difícil.

Como o senhor avalia o risco de golpes relacionados ao pagamento do free flow?

É uma preocupação real. Temos relatos de motoristas que receberam informações falsas ou efetuaram pagamentos indevidos ao tentar regularizar suas cobranças. Quanto maior a desinformação, maior o espaço para a ação de golpistas. Por isso, é fundamental que os canais oficiais sejam amplamente divulgados.

O que pode ser feito para tornar o sistema mais acessível e seguro aos usuários?

É necessário investir em informação, simplificar os processos de consulta e pagamento e ampliar os canais de atendimento. O cidadão precisa encontrar facilmente as orientações necessárias para utilizar o sistema sem correr riscos ou enfrentar transtornos.

Que lições a implantação do free flow deixa para futuras mudanças na infraestrutura rodoviária brasileira?

A principal lição é que inovação e orientação precisam caminhar juntas. Toda transformação tecnológica deve ser acompanhada por um esforço de comunicação capaz de alcançar todos os públicos envolvidos. O free flow tem potencial para trazer muitos benefícios, mas é indispensável garantir que ninguém seja prejudicado por desconhecimento das regras.

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