DESCASO DA ITAPEMIRIM: Família de vítima reclama da Itapemirim no caso de senhora que veio a falecer após este acidente. Descaso é total. Foto: Divulgação

Senhora de 70 anos morreu em decorrência de complicações de ocorrência em 2020. Familiares de Maria Raimunda Lima ainda não recebeu nenhum centavo da empresa, nem tampouco uma satisfação

Não bastasse a perda da mãe em decorrência de complicações devido a um grave acidente (sinistro) ocorrido em 12 de março de 2020 na BR-101, em Itamaraju, na Bahia, a família de Maria Raimunda Lima, de 70 anos – que faleceu 40 dias após o sinistro – enfrenta muitos problemas para receber o devido tratamento – prometido pela Itapemirim na ocasião do sinistro – há mais de um ano e oito meses.

De acordo com a advogada Fernanda Diniz, que defende a família da senhora Maria Lima, além das tentativas de recebimento de indenização, em razão do acidente, há despesas hospitalares, que chegam a quase R$200 mil, sendo cobradas da família, bem como despesas da funerária, que não foram arcadas pela Itapemirim.

Segundo Diniz, há um histórico grande de conversas entre a filha da vítima, Sidonilde Lima, e a empresa durante a internação, que incluem a solicitação da transferência da Bahia para o Rio de Janeiro a respeito das despesas antese após o falecimento.

O Estradas teve acesso aos documentos nos quais constam os relatos, que constam o acidente que aconteceu. Entre eles, informações que comprovam que Maria Raimunda Lima morreu em decorrência de complicações do sinistro, 40 dias após a ocorrência. Na ocasião, a senhora Lima foi internada em estado grave num hospital na cidade baiana. E, desde então, a filha Sidonilde iniciou o processo de solicitação de transferência da mãe do hospital na Bahia para o Rio de Janeiro, cidade onde reside a filha.

Ainda de acordo com informações que constam nos documentos, após diversas tentativas e pressão junto à Itapemirim, a filha conseguiu fazer a transferência da mãe para o hospital particular Copa Star, na capital fluminense.

Diniz ressalta que a transferência só foi autorizada depois de muita insistência da filha. Depois disso, a mãe permaneceu internada por aproximadamente duas semanas no hospital, e seu estado de saúde era bem delicado. Após esse período, recebeu alta médica e foi para sua casa. “Ela estava com a saúde bem debilitada por conta da idade. Porém o estado geral foi agravado – e muito – num período de uma semana. Ele, então, voltou a ser internada – dessa vez num hospital público – em decorrência de sequelas da batida e com problemas respiratórios, que foi a maior sequela adquirida após o sinistro. Passados 40 dias, ela faleceu”, disse a advogada.

Segundo Diniz, desde então, a filha tenta contato por numerosas vezes com a Itapemirim e não conseguiu nada. “Não houve o pagamento de cobertura das despesas funerárias nem sequer uma posição da empresa a respeito de uma indenização a respeito da morte da mãe. A família não teve respaldo algum da Itapemirim”, explicou.

Diniz disse que em agosto, iniciei os contatos com a empresa, por meio de e-mails e mensagens ao departamento jurídico da empresa em São Paulo e não obteve resposta.

Numa das tentativas, a recepcionista me confirmou que era ainda o jurídico e falou que acusou o recebimento do meu e-mail e que estava ‘tocando’ o processo, que envolvia a situação do falecimento da vítima e queria entrar em contato comigo. Até hoje, mais de dois meses, não entraram em contato comigo. Já fiz mais de três reiterações, e mesmo assim não entraram em contato comigo”, disse.

Diniz frisa que há descaso, pois não deram nenhuma satisfação em relação ao sinistro. A Itapemirim informou no dia do acidente que iria custear todas as despesas. Mas, até hoje não pagou nada, e a filha já recebeu, meses atrás, uma cobrança referente à internação de quase R$ 200 mil, que deve estar atualmente em mais de R$ 200 mil”, ressaltou.

A Itapemirim tem ignorado até mesmo a advogada da família de Maria Lima. “Estou tentando de forma amigável obter um auxílio da Itapemirim, mas se continuarem sem uma posição vou ter que ingressar com uma ação judicial.”

Descaso total da Itapemirim

O Estradas ligou para a filha da vítima, Sidonilde Lima, querendo saber se a Itapemirim havia dado alguma posição sobre o processo envolvendo a mãe dela. Na tarde deste domingo (21),Dia Mundial em Memória das Vítimas de Trânsito, recebemos a resposta dela. Veja na íntegra:

Na verdade, a Itapemirim só me ajudou a trazer minha mãe aqui para o Rio. Depois que largaram ela lá no Copa Star, eles não me ajudaram em mais nada. Tudo que eu pedia era sempre uma dificuldade. Eu tirei ela do Copa Star, porque teve uma pequena melhora, mas depois ela passou mal de novo, e eles não me autorizaram a levá-la para nenhum hospital particular; queriam que eu a colocasse num hospital por minha conta dizendo que iam pagar depois. Mas, eles não pagaram nem o velório dela quando morreu no hospital público. A Itapemirim não me ajudou em nada. Se eu não tivesse como pagar o enterro, não sei o que que tinha acontecido, porque a empresa não me deu nenhuma assistência funeral. E eu pedi ajuda o tempo todo, desde o momento que ela passou mal em casa para levar pro hospital até eu tirar ela do hospital para enterrá-la. Não se importaram em nenhum momento. Quando responderam as mensagens que eu mandei para os assessores da empresa, eu já tinha enterrado a minha mãe. Foi um descaso total com a minha família e com todas as famílias das vítimas que estavam no acidente. Todos disseram que a assistência da Itapemirim é péssima.

Ainda de acordo com Sidonilde Lima, a Itapemirim ainda não pagou a conta do hospital nem a dos médicos. “O Copa Star está me citando, mandando carta de cobrança. A empresa não pagou ninguém. E eles autorizaram, por e-mail, a internação dela. Imagine se eu ponho ela num hospital particular sem ter como pagar. Eles não deram assistência nenhuma. Para mim, foi zero de assistência, sendo que é uma empresa que ganha muito dinheiro com com a gente, com os passageiros, e quando acontece alguma coisa dessa não fazem nada. E todo mundo que estava nesse acidente tem a mesma reclamação.”

O Estradas também ouviu reclamações de três outras vítimas, Elisiane, Denise e Carla da Conceição, que esperam há mais de um ano e meio por uma resposta da Itapemirim. Ouça os depoimentos de indignação e revolta:

 

 

 

A reportagem procurou também a Viação Itapemirim, por telefone e por e-mail, para saber a posição da empresa em relação à prestação de serviços às vítimas e aos familiares das pessoas que faleceram no sinistro, como foi o caso da passageira Maria Raimunda. Até a publicação e atualização desta matéria não obteve nenhuma resposta.

Da mesma forma, o Estradas foi ouvir a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), responsável pelas concessões de linhas rodoviárias interestaduais. Veja a posição da Agência:

Em atenção à demanda, informa-se que, em caso de acidente, é direito do passageiro receber da transportadora a imediata e adequada assistência.

É garantida, também, a cobertura pelo Seguro de Responsabilidade Civil contratado pela transportadora, que prevê a cobertura para garantir a liquidação de danos causados aos passageiros, em virtude de acidente quando da realização da viagem em ônibus, discriminados nas respectivas apólices, que operam os serviços, sem prejuízo da cobertura do seguro obrigatório de danos pessoais (DPVAT), a que se refere a Lei nº 6.194, de 19 de dezembro de 1974.”

(*) Matéria atualizada às 17h desta segunda-feira (22) com depoimentos de outras vítimas do grave sinistro.

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