Em janeiro os socorristas atenderam o parto de gêmeos. Ontem mãe, gêmeos, pai e outra filha faleceram Foto: EPR

Em janeiro, nascimento de um dos gêmeos em ambulância da EPR Iguaçu foi motivo de comemoração. Nove meses depois, mãe, pai e três crianças perderam a vida em colisão com caminhonete dirigida por jovem bêbado e sem habilitação.

Uma história que começou com a celebração da vida terminou em tragédia nas rodovias do Paraná. Camila Prado de Almeida, de 25 anos, que em janeiro deste ano recebeu ajuda de socorristas da concessionária EPR Iguaçu para dar à luz um dos filhos gêmeos, está entre as cinco vítimas fatais da colisão frontal ocorrida na noite de domingo (25), na BR-373, em Candói (PR).

Na tragédia também morreram seu marido, Ronaldo Turok, de 29 anos, a filha Isis Almeida de Oliveira, de 6 anos, e os gêmeos Anthony Prado Turok e Matteo Prado Turok, de apenas nove meses.

Em janeiro, a notícia era o nascimento dos gêmeos

No dia 9 de janeiro de 2026, Camila, então moradora de Cantagalo (PR), estava em trabalho de parto quando uma ambulância do Samu procurou apoio na base operacional da EPR Iguaçu, no km 381 da BR-277, em Candói.

A equipe de socorristas da concessionária auxiliou no nascimento de um dos meninos, dentro da ambulância. O bebê nasceu saudável, com sinais vitais estáveis.

O segundo gêmeo estava em posição pélvica, o que exigiu o encaminhamento da mãe para atendimento hospitalar em Guarapuava, onde o parto foi concluído com sucesso.

Na ocasião, a concessionária divulgou uma notícia comemorando o primeiro nascimento de 2026 nas rodovias sob sua administração. A história ganhou destaque na imprensa regional, celebrando o trabalho das equipes de resgate e o nascimento das duas crianças.

Nove meses depois, a tragédia na BR-373

Na noite de domingo, 25 de outubro, por volta das 22h, a família seguia em um automóvel pela BR-373, na altura do km 413, quando ocorreu uma colisão frontal com uma caminhonete.

Camila e duas das crianças morreram no local. Ronaldo e o outro bebê chegaram a ser socorridos, mas também não resistiram aos ferimentos.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o motorista da caminhonete, de 18 anos, não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e estava embriagado. O teste do bafômetro registrou 0,54 miligrama de álcool por litro de ar expelido.

O jovem deixou o local antes da chegada dos policiais, sendo posteriormente localizado em uma unidade hospitalar de Candói. Após receber alta, foi preso e encaminhado à Polícia Civil, em Guarapuava. As circunstâncias da colisão ainda serão esclarecidas pela perícia.

Da celebração da vida ao luto na mesma região

A história da família revela um contraste doloroso. Em janeiro, equipes de emergência mobilizaram esforços para garantir que Camila e seus dois bebês recebessem atendimento durante o parto. O nascimento dos gêmeos foi celebrado como uma demonstração da importância dos serviços de socorro nas rodovias.

Menos de dez meses depois, a mesma mãe e os dois meninos morreram em outra rodovia da região, juntamente com o pai e a irmã mais velha. A família, que residia no Assentamento Santa Clara, em Candói, teve sua história interrompida em uma única noite.

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