NOVA TRAGÉDIA: Colisão frontal entre ônibus e carreta na Rodovia Assis Chateaubriand (SP-425), em Parapuã (SP), deixa ao menos sete mortos e 34 feridos. Foto: Divulgação

Em menos de 30 dias tivemos três acidentes graves com ônibus nas nossas rodovias. Foram cerca de 70 mortos até agora e mais de 60 feridos.

Segundo os dados do DPVAT, serão pagas mais de 600 indenizações por morte e mais de 1.400 por invalidez permanente em decorrência dos acidentes com coletivos ao longo deste ano de 2020.

Os três ônibus envolvidos nos acidentes estavam irregulares. Sendo que um deles tinha 15 multas nos últimos dois anos, sendo 9 delas por excesso de velocidade.

A transportadora proprietária do ônibus tem mais de 100 veículos. Caso a média de multas seja de 15 a cada veículo nos últimos dois anos, poderíamos estimar mais de 1.500 multas somente nesta empresa.

Para piorar, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) que deveria fiscalizar o transporte interestadual, diz que o ônibus estava irregular com Inspeção Veicular vencida. Na prática estava rodando normalmente.

É mais uma prova da falta de punição. Afinal, como três ônibus viajam milhares de quilômetros com tantas multas e irregularidades, transportando seres humanos?

Como passam pelas polícias rodoviárias sem serem flagrados, quando em um dos casos há multas até por motorista não habilitado?

As vítimas dos acidentes são geralmente pessoas humildes. No caso da tragédia  mais recente, ocorrida no dia 22 de dezembro, no interior de São Paulo, os passageiros viajavam numa rota de mais de 3.300 km, entre São Felix do Xingu, no Pará e Carazinho, no Rio Grande do Sul.

Não são magnatas que enfrentam uma distância dessas num coletivo em época de Covid-19 e contaminação fácil.  São brasileiros pobres que usam qualquer transporte para chegar ao seu destino.

Mas a situação ainda vai piorar pois a partir de 01 de janeiro de 2021, com o fim do DPVAT. As vítimas dos acidentes como esses e os familiares dos mortos, ficarão totalmente abandonadas a própria sorte.

Será praticamente impossível receberem alguma indenização, ao menos no curto prazo.

A conclusão é que no Brasil a realidade nos mostras que vidas no trânsito, principalmente as mais humildes, não importam. Não tem como desejar Feliz Natal para esses sofridos brasileiros.

Rodolfo Rizzotto – Coordenador do SOS Estradas

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