Minas está no topo do pódio de uma disputa nada positiva. O estado é primeiro colocado em número de trechos críticos nas rodovias federais. Estudo feito pela Coordenação Geral de Operações Rodoviárias, braço do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), mostra que 247 quilômetros, o equivalente a 3,87% da malha de 6.373,8 quilômetros, concentram 27,43% dos acidentes registrados no estado no primeiro semestre. Na sequência do ranking vêm Santa Catarina e Espírito Santo, respectivamente. Somados os três primeiros colocados, 45% dos pontos críticos estão em suas rodovias.

O estudo, baseado em estatísticas da Polícia Rodoviária Federal (PRF), contabiliza os trechos, cada um com 1 km de extensão, com oito acidentes ou mais nas BRs. Como esperado, o trecho de quase 230 km entre as proximidades de Ipatinga, no Vale do Aço, e Belo Horizonte – onde estão situados os 100 km da Rodovia da Morte, de João Monlevade ao Anel Rodoviário – é recordista de áreas críticas, com 63 pontos em situação caótica. Ou seja, no percurso, a cada 3,6 mil metros o Dnit identifica um local problemático.

Em relação a 2006, a média de acidentes nestes trechos subiu de 8,79 para 13,89 acidentes/km. O dado reflete o crescimento no número de desastres nos últimos cinco anos. Se comparados os primeiros semestres de 2006 e 2010, houve ampliação de 51,65% no total de acidentes. E não se trata de um aumento repentino e, sim, gradual. No período, o semestre anterior sempre registrou quantidade menor de batidas.

Dados da pesquisa mostram que a PRF anotou um acidente a cada 20 minutos em Minas, ou, em números absolutos 12.507. Em relação ao primeiro semestre do último ano, houve crescimento de 8,42%, dado até então inédito, uma vez que a corporação se nega a divulgar os números.

Falta fiscalização

E o órgão admite que um dos problemas para o aumento das vítimas está relacionado à falta de fiscalização eletrônica nas BRs. Em novembro, completa o quarto ano do desligamento dos radares das rodovias federais, e a licitação para contratação de empresas especializadas no monitoramento de velocidade corre desde o ano passado, tendo sido suspensa inúmeras vezes por entraves burocráticos relacionados ao processo licitatório.

O edital se encontra em fase final e o próximo passo é a homologação das empresas vencedoras e assinatura de contratos, mas a licitação é alvo constante de problemas. Um processo anterior, publicado em 2007, foi cancelado. “É importante o planejamento que executamos, considerando inclusive o aumento da frota. Mas também estamos atentos para outras necessidades como a vigilância eletrônica das estradas, um programa permanente de sinalização e o controle de peso nas rodovias”, afirma o coordenador geral de operações rodoviárias do Dnit, Luiz Cláudio Varejão.

A promessa é que sejam instalados 2.696 equipamentos nos corredores rodoviários mais importantes do país, baseado na pesquisa que aponta os pontos concentradores de acidentes. Estudos feitos pela corporação registram queda de 4% nas mortes no caso de redução de 1% da velocidade média nas estradas. Segundo a assessoria do órgão, países europeus, como Inglaterra, Itália e Áustria, são casos de sucesso na redução da vitimização com a implantação de redutores.

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