
Mais de 560 mil pessoas perderam a vida no trânsito, nos últimos 15 anos. Números revelam o fracasso do PNATRANS
Números preliminares de 2024 revelam o fracasso das políticas de segurança viária no país, em um momento em que o governo admite que 20 milhões de brasileiros circulam sem habilitação e que mais de 50% dos motociclistas não possuem CNH.
Quando forem divulgados os dados definitivos — o que deve ocorrer até o final do ano — a expectativa é de que o número total de óbitos ultrapasse 37 mil. Esses dados já deveriam ter sido disponibilizados em 31 de agosto, mas o governo não cumpriu o prazo.
O sistema do Ministério da Saúde informa apenas que se tratam de números preliminares, apurados até outubro de 2025, referentes ao ano de 2024. O aumento de vítimas fatais foi de 4,3% no trânsito nacional e quase 10% nas rodovias federais.
Em 2018 foi criado o PNATRANS, o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito. Em 2019, o número de mortos era de 31.945 e atingiu 36.403, em 2024, considerando números preliminares. Isto representa um aumento de 14%.
Número de mortos em 2024: 36.403
| Óbitos por lesão de trânsito por região | ||||||
| Ano | Brasil | Norte | Nordeste | Sudeste | Sul | Centro-Oeste |
| 2010 | 42844 | 3367 | 11853 | 15598 | 7585 | 4441 |
| 2011 | 43256 | 3433 | 12024 | 15916 | 7529 | 4354 |
| 2012 | 44812 | 3603 | 13258 | 15720 | 7688 | 4543 |
| 2013 | 42266 | 3446 | 12665 | 14707 | 6960 | 4488 |
| 2014 | 43780 | 3561 | 13196 | 15405 | 6996 | 4619 |
| 2015 | 38651 | 3394 | 12113 | 12998 | 6128 | 4027 |
| 2016 | 37345 | 3341 | 11734 | 12369 | 6046 | 3852 |
| 2017 | 35375 | 3252 | 10550 | 12062 | 5942 | 3569 |
| 2018 | 32655 | 2927 | 9966 | 12693 | 5588 | 3481 |
| 2019 | 31945 | 2926 | 9585 | 10526 | 5526 | 3382 |
| 2020 | 32716 | 3128 | 9797 | 10738 | 5429 | 3624 |
| 2021 | 33813 | 3159 | 9824 | 11225 | 5777 | 3828 |
| 2022 | 33894 | 3430 | 9841 | 10843 | 5932 | 3848 |
| 2023 | 34881 | 3393 | 10656 | 11085 | 5886 | 3861 |
| *2024 | 36403 | 3839 | 11701 | 10749 | 6010 | 4104 |
| Fontes: | Ministério da Saúde e SOS Estradas | |||||
| *2024 Dados Preliminares | ||||||
Os dados de 2024 revelam que as regiões Norte e Nordeste apresentam os maiores índices de mortes no trânsito, quando analisamos a participação nos óbitos por sinistros (acidentes) em comparação com o percentual que cada região representava da população total do país em 2022, segundo o Censo do IBGE.
| Óbitos no trânsito em 2024 | |||
| Região | Óbitos (2024) | % do total de 2024 | % População 2022 |
| Norte | 3.839 | 10,55 | 8,78 |
| Nordeste | 11.701 | 32,14 | 26,87 |
| Sudeste | 10.749 | 29,53 | 41,69 |
| Sul | 6.010 | 16,51 | 8,03 |
| Centro-Oeste | 4.104 | 11,27 | 14,64 |
| Total | 36.403 | 100 | 100 |
| Fontes: Ministério da Saúde/IBGE/SOS Estradas | |||
Os dados da Polícia Rodoviária Federal indicaram que em 2024 morreram na pista, nas rodovias federais, 6.160 pessoas. Aumentaram quase 10 % em relação a 2023, quando foram registradas 5.627 vítimas fatais. Portanto, o aumento da fatalidade nas rodovias federais é o dobro do registrado no restante do país.
Segundo dados do IBGE, de 2010 a 2022, a taxa de crescimento anual da população do país foi de 0,52%. Como as mortes no trânsito aumentaram em 4,3 % são quase 8 vezes mais que o percentual de crescimento da população, considerando o total nacional e praticamente 18 vezes levando-se em conta apenas os dados das rodovias federais.
Para o coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, os números revelam que as causas da violência no trânsito não foram enfrentadas em nível nacional. “Em 2019, após um período de queda nas fatalidades em rodovias federais iniciado em 2011, houve um aumento substancial das mortes a partir de abril daquele ano. Nem mesmo durante a pandemia, quando ocorreu uma grande redução no tráfego, conseguimos reverter a tendência de crescimento. A impunidade, a proliferação de conteúdos que incentivam infrações e crimes de trânsito nas redes sociais e a falta de apoio às equipes de fiscalização criaram um cenário propício para novas tragédias.”
Na avaliação do especialista, não existe nenhum sinal de que vamos reverter essa tendência, a despeito dos esforços, por exemplo, da Polícia Rodoviária Federal. Principalmente no combate aos sinistros com veículos pesados, envolvidos em 53% dos casos fatais, nas rodovias sob a responsabilidade da corporação. “Precisamos imediatamente de mudanças radicais, que passa pela tolerância zero.”
Por outro lado, confirma o fracasso do PNATRANS, o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito, criado pela Lei 13.614/2018. Cujo objetivo seria reduzir pela metade, até 2030, o número de mortes e lesões graves no trânsito brasileiro.
Objetivos principais
- Promover um trânsito mais seguro por meio de ações integradas entre União, estados e municípios.
- Definir metas nacionais e locais de redução de óbitos e feridos graves.
- Melhorar a gestão, fiscalização, educação e infraestrutura viária.
Como funciona
- É coordenado pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).
- Utiliza indicadores (como número de mortes por 100 mil habitantes e por frota de veículos) para monitorar resultados.
- Cada estado e município pode adotar planos locais alinhados ao PNATRANS.
Metas
- Reduzir em 50% as mortes e lesões graves no trânsito até 2030.
- Promover campanhas permanentes de educação e fiscalização.
- Investir em engenharia de tráfego e segurança viária.
Os dados confirmam que o PNATRANS, ao menos até o momento fracassou. Na tendência atual, a meta de redução de 50% das mortes até 2030 não será atingida. Tudo indica que teremos mais mortes do que no início da Década em 2021. Entre 2021 e 2024 as mortes já aumentaram 7,6.%.






