Radares com IA já flagram motoristas falando ao celular em rodovias e vias públicas Foto: SPMAR

A França decidiu ampliar para todo o território nacional a possibilidade de suspensão administrativa da carteira de motorista de quem for flagrado usando o celular na mão enquanto dirige.

A medida, que já vinha sendo aplicada em cerca de 20 departamentos franceses, equivalentes aos estados no Brasil, foi anunciada pela ministra delegada responsável pela Cidadania, Marie-Pierre Vedrenne, e deverá ser adotada de forma generalizada pelas autoridades em todo país.

Na avaliação do Coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, caso a iniciativa das autoridades francesas fosse aplicada no Brasil teríamos milhões de suspensões de CNH. “O resultado que será obtido pela França, na redução de vítimas, poderá inspirar todos os países que levam a sério o tema. No Brasil todos sabem que não é permitido dirigir usando o celular. Naturalmente, na hipótese do Brasil seguir o mesmo caminho, a cultura de buscar a impunidade fará com que muitas pessoas caracterizem como “indústria da multa”. Quando o foco é reduzir o número de mortos, inválidos e feridos. “

Rizzotto lembra que o uso de radares com inteligência artificial já estão multando condutores que dirigem usando o celular, dentre outras infrações. Quanto mais tecnologia for utilizada para controlar o trânsito, maior a possibilidade de motoristas infratores perderem a habilitação.

Suspensão pode chegar a seis meses

De acordo com o Ministério do Interior da França, o motorista flagrado segurando o telefone enquanto dirige pode ter a carteira suspensa administrativamente por período de 15 dias a seis meses, sem necessidade de aguardar uma decisão judicial. A duração é definida pela autoridade administrativa de cada departamento, de acordo com as circunstâncias do caso.

Além da suspensão, continuam previstas as penalidades já existentes:
= multa de 135 euros (equivalente a R$ 850,00);
= perda de três pontos na carteira;
= possibilidade de outras sanções previstas no Código de Trânsito francês.

O artigo R412-6-1 do Código de Trânsito da França proíbe expressamente o uso de telefone segurado na mão por condutor de veículo em circulação e também restringe o uso de dispositivos de áudio no ouvido, com algumas exceções específicas.

Celular triplica risco de acidente

O endurecimento ocorre em meio à preocupação das autoridades francesas com a distração ao volante. Segundo a Sécurité Routière, órgão oficial francês de segurança viária, usar o telefone enquanto dirige triplica o risco de acidente.

A leitura de uma mensagem de texto aumenta o risco em 23 vezes e pode fazer o motorista desviar os olhos da via por pelo menos cinco segundos. A 50 km/h, cinco segundos de distração representam aproximadamente 70 metros percorridos praticamente sem observar a via.

A autoridade francesa informa ainda que o uso do telefone pode aumentar o tempo de reação e a distância de frenagem em cerca de 33%.

Um em cada dez acidentes com vítimas está relacionado ao celular

Dados do Observatório Nacional Interministerial de Segurança Viária da França (ONISR) reforçam a dimensão do problema. Segundo o órgão, estudos realizados pela Universidade Gustave Eiffel e pelo Inserm estimam que um em cada dez acidentes com vítimas está relacionado ao uso do telefone durante a condução.

O ONISR ressalta que até conversar utilizando sistema viva-voz provoca distração cognitiva e auditiva. Em 2024, foram registradas mais de 651 mil infrações relacionadas ao uso de telefone ou fones de ouvido ao volante na França. O número cresceu 6,4% em relação ao ano anterior. Considerando especificamente as infrações por telefone, foram 590.030 registros em 2024, aumento de 49% em comparação com 2017.

França teve 3.515 mortes no trânsito em 2025

A decisão também ocorre após aumento da mortalidade viária. Dados definitivos do ONISR mostram que 3.515 pessoas morreram em acidentes de trânsito na França em 2025, considerando a França continental e os territórios ultramarinos. O resultado representa alta de 2,4% em relação a 2024.

Somente na França continental foram 3.263 mortes, além de aproximadamente 247 mil feridos, dos quais cerca de 16.800 ficaram gravemente feridos.

O governo francês pretende, com o endurecimento da fiscalização, reduzir a normalização do uso do celular durante a condução e reforçar a meta internacional de diminuir pela metade o número de mortos e feridos no trânsito até 2030.

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