O Ministério Público Federal (MPF) cobrou providências da Concepa, concessionária que administra a BR-290 (free-way), sobre as constantes interrupções no vão móvel da Ponte do Guaíba. O procurador da República Alexandre Amaral Gavronski, do Núcleo do Consumidor e da Ordem Econômica do MPF, disse que uma nova parada no içamento do vão móvel não será tolerada. “Precisamos saber o que a concessionária está fazendo para melhorar as condições da ponte. Não podemos ficar de duas a quatro horas de braços cruzados”, destaca. Segundo ele, a próxima interrupção resultará em ação judicial ou extrajudicial contra a empresa. O procurador participou ontem da audiência pública que discutiu as constantes interrupções da ponte sobre o lago Guaíba – somente neste ano foram três.

O encontro contou com a presença de representantes da Concepa, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Ministério dos Transportes, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Metroplan e Capitania dos Portos. Para Gavronski, a concessionária tem obrigação de manter a fluidez do trânsito na ponte. Segundo ele, no caso de parada do vão móvel, é preciso apresentar alternativas aos moradores de Guaíba, Eldorado do Sul e da Metade Sul do Estado para chegar à Capital. Como alternativa ao problema, ele sugeriu à Concepa a utilização de balsas para o transporte dos veículos e a mudança do horário de passagem dos barcos na ponte do dia para a noite.

O diretor-presidente da Concepa, Odenir Sanches, disse que quando a concessionária assumiu a rodovia em 1997, a ponte já estava em más condições e que o contrato não previa o içamento do vão móvel. “O içamento ficou sob responsabilidade da empresa a partir de 2004”, comenta. Segundo ele, antes a manutenção ficava a cargo do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (Dner), agora Dnit. De acordo com Sanches, uma equipe de técnicos norte-americanos deverá chegar ao Estado na próxima semana para tratar sobre a automatização do sistema de içamento do vão móvel. Ele utilizou fotos e animação em computador para mostrar danos causados à ponte ocasionado pelo acidente com um barco em 2008.

O engenheiro José Carlos Martins, representante da Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH), apresentou a alternativa de uma possível balsa, no caso de uma pane do vão móvel, para a travessia de pedestres e de veículos. Somente neste ano, a ponte do Guaíba, por onde passam cerca de 40 mil veículos por dia, esteve interditada nos dias 22 de abril, 30 de julho e 1 de outubro.

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