COLISÃO FRONTAL: Grave acidente na BR-476, em Araucária (PR), deixou ao menos uma pessoa morta, segundo a PRF. Foto: Divulgação/PRF

Falta de controle de velocidade nas rodovias federais e, mais recentemente estaduais, explica número de mortos muito maior que o esperado durante a pandemia. A situação nas rodovias federais é ainda mais grave porque somente 5% delas tem controle de velocidade

Segundo a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), a Covid-19 ocasionou queda brutal na circulação nas estradas. Em abril de 2020, por exemplo, o fluxo pedagiado de veículos leves registrou recuo de 51,5%, enquanto o de pesados caiu 20,5%, em relação ao mesmo período no ano anterior. Mas a redução do número de mortos foi muito menor que o esperado especialmente nas rodovias federais, devido aos acidentes causados por excesso de velocidade.

Nas rodovias estuais de SP e MG a queda de mortos foi de 10% e 12% respectivamente contra apenas 2% nas rodovias federais

No caso do Estado de São Paulo, que conta com a malha rodoviária em melhores condições, os acidentes tiveram redução de 9 %. Já os mortos diminuíram dos 1.703 de 2019 para 1.544 em 2020, redução de 10%.

Em Minas Gerais, a queda foi de 18% dos acidentes , baixou de 22.431 (2019) para 18.467 (2020). A queda dos mortos foi de 12%, reduzindo de 1.119 (2019) para 987 (2020). Ainda assim, abaixo da queda do movimento geral das rodovias ao longo do ano.

Já os números das rodovias federais confirmam aumento da violência nos acidentes, em particular em função do excesso de velocidade, conforme já havíamos alertado iria ocorrer, em particular pela falta do controle de velocidade pela Polícia Rodoviária Federal iniciada em 2019.

Apesar da queda de acidentes estimada em 7% nas rodovias federais em 2020, o total de mortos foi praticamente o mesmo. Estimam-se 5.254 vítimas fatais em 2020 contra 5.367 em 2019. Redução de 2% apesar da queda na circulação e da crise econômica.

Além de ser muito menor que o registrado nas rodovias estaduais de Minas e São Paulo.

No primeiro trimestre de 2019 o governo estava no caminho certo, com média de 398 óbitos por mês nas rodovias federais, queda significativa em relação a 2018.

Entretanto, em abril de 2019 iniciou a política de desligamento dos radares fixos, seguida pela retirada dos radares portáteis em 16 de agosto, que impediu os policiais rodoviários de aplicarem qualquer multa por excesso de velocidade em todo o território nacional durante 126 dias. Algo inédito na história da corporação.

Como resultado a média mensal de mortos aumentou em 15% nas rodovias federais. Depois de 8 anos de queda, inclusive registrada no primeiro trimestre da administração do atual governo, conforme mencionamos.

Situação vai piorar em 2021 devido a falta de fiscalização de velocidade 

Os dados de novembro e dezembro de 2020 indicam que a situação deve piorar em 2021, principalmente considerando as consequências da Resolução 798 do Contran, que limitou o uso da fiscalização eletrônica. Atualmente menos de 5% do trechos das rodovias federais conta com algum controle de velocidade.

A norma entrou em vigor no dia 01 de novembro, vésperas do Feriado de Finados e na medida em que os infratores tomam ciência de que as autoridades tem que informar onde estarão fiscalizando, inclusive com radares portáteis, os abusos de velocidade aumentam e as mortes também.

Há uma relação direta entre o volume de mortes e a velocidade praticada na hora do acidente. Por isso, quando você estiver na estrada e um motorista passar em altíssima velocidade, ele não é apenas um potencial assassino, mas ele sabe que pode andar nessa velocidade com a garantia da impunidade, graças a essa Resolução criminosa que atinge todas as rodovias do país, federais e estaduais.

Não bastou errar na política de controle de velocidade nas rodovias federais, o governo conseguiu impor essa medida para toda malha rodoviária brasileira.

Sem a revogação imediata dessa Resolução e das medidas que restringem o controle de velocidade, a única evolução será do número de vítimas. E não podemos esquecer que a violência no trânsito não escolhe as vítimas por simpatia política. Mata todos indistintamente.

Rodolfo Rizzotto – Coordenador do SOS Estradas

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