ALTA VELOCIDADE: Ônibus que bateu de frente com carreta na BR-153, em Porangatu (GO), no sábado (1º/2), estava em alta velocidade e superlotado. Foto: Divulgação

De acordo com testemunha que sobreviveu ao acidente, motorista ‘corria demais’; PRF disse que coletivo estava com superlotação

O acidente entre um ônibus da empresa da Toninho Tur, a serviço da Transbrasil, e uma carreta na BR-153 no sábado (1º/2), em Porangatu (GO), mostra a realidade do trânsito brasileiro, que é marcado pela imprudência e negligência de motoristas e do poder público.

De acordo com testemunhas e Polícia Rodoviária Federal (PRF), o ônibus estava trafegando em velocidade acima do permitido par ao local e com superlotação. Um dos passageiro que ficou ferido, Francisco Souza Rodrigues, conta que o motorista “corria demais” e que no momento do acidente foi arremessado para fora do veículo. A colisão frontal deixou três pessoas mortas e 34 feridos.

Ainda de acordo com Rodrigues, na hora do acidente, ele só pensou em segurar a filha de 3 anos no colo. “Quando vi, fui jogado para outro lado do mato, e ela estava no meu colo o tempo todo. Quando caí, joguei ela no chão”, disse.

Tacógrafo

Conforme noticiamos no dia acidente, a Polícia Civil de Porangatu irá analisar os tacógrafos do ônibus e da carreta para saber a real condição em que os dois veículos trafegavam no momento da batida.

De acordo com o delegado André Medeiros, o tacógrafo está sendo analisado por peritos. “As informações dele [tacógrafo] serão anexadas no laudo que deve ficar pronto ainda esta semana”, explica Medeiros.

No depoimento do motorista do ônibus na delegacia, ele disse que não teve culpa e que pode ter havido uma falha mecânica no veículo. O delegado disse que o motorista irá responder em liberdade por homicídio culposo e lesão corporal.

A colisão frontal causou a morte do caminhoneiro, de um acompanhante dele e de uma adolescente que viajava no ônibus. Dos 34 feridos, cinco deles, em estado grave, seguem internados no Hospital Governador Otávio Lage (Hugol).

Superlotação

De acordo com a PRF, o ônibus que saiu de São Luís do Maranhão com destino a Brasília, (DF) transportava 56 pessoas quando invadiu a pista contrária e colidiu com o caminhão. Uma passageira do ônibus disse que o ônibus estava superlotado. “Tinha passageiro até no bagageiro do ônibus”, relata a mulher, que saiu de São Luís, no Maranhão, para Brasília, no Distrito Federal.

Outro passageiro, Hamilton Lucena, de 47 aos, morador de Novo Gama (DF), disse que seu filho de 16 anos viajava no bagageiro do ônibus. O jovem foi atendido no hospital e liberado após exames constatarem um dedo quebrado.

“É um absurdo colocar meu filho adolescente para viajar no bagageiro. Disseram para ele que o ônibus estava cheio e tinha um colchão lá, que ele poderia ir dormindo. Eu nem sabia disso”, disse Lucena.

O delegado informou que sobre a superlotação denunciada por passageiros, a responsabilidade pelas pessoas que viajaram no bagageiro recairá sobre o motorista do ônibus.

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