A Polícia Civil pretende ouvir nos próximos dias representantes da Prefeitura de São Paulo e os motoristas dos cinco carros danificados pelo viaduto que cedeu há mais de uma semana na Marginal Pinheiros, na Zona Oeste. Ele está localizado na pista expressa da via, no sentido Rodovia Castello Branco, em frente ao Parque Villa-Lobos.

Foi instaurado inquérito no 14º Distrito Policial (DP), em Pinheiros, para apurar as causas e eventuais responsabilidades pelo acidente. O caso é investigado como crime de “desabamento ou desmoronamento”, colocando vidas a perigo. Numa eventual condenação, a pena prevista é de 6 meses a 1 ano de prisão.

O delegado Rubens Paes, titular do 14º DP, afirmou nesta semana ao G1que quer saber dos técnicos da administração municipal se eles fiscalizaram e realizaram manutenções periódicas na estrutura de concreto. Na madrugada do último dia 15 de novembro um degrau de 2 metros de altura surgiu entre a pista e o viaduto.

“Serão ouvidos os representantes da prefeitura para saber se o viaduto passou por fiscalizações e manutenções e quando foram”, disse Rubens à reportagem.

Degrau em viaduto que cedeu na Marginal Pinheiros no último dia 15 de novembro na Zona Oeste de São Paulo — Foto: Reprodução/Divulgação/Arquivo pessoal

Degrau em viaduto que cedeu na Marginal Pinheiros no último dia 15 de novembro na Zona Oeste de São Paulo — Foto: Reprodução/Divulgação/Arquivo pessoal

Lesão corporal

O delegado também quer perguntar aos donos dos veículos avariados pelo desnível se eles desejam fazer uma representação criminal, provavelmente contra a prefeitura. As vítimas poderiam prestar queixa por lesão corporal, já que ao menos dois motoristas ficaram feridos sem gravidade no acidente.

“Também queremos ouvir os motoristas dos carros danificados. Saber se eles querem fazer representação para que possamos apurar o crime de lesão corporal culposa, sem intenção, pois alguns teriam se machucado”, afirmou Rubens.

Todos os automóveis avariados passaram por perícia do Instituto de Criminalística (IC) da Superintendência da Polícia Técnico-Científica.

Indenização

Nesta semana, os proprietários dos veículos disseram à reportagem que formaram um grupo para poder entrar na Justiça de São Paulo com uma ação coletiva contra a administração pública. Eles querem ser indenizados pelos danos que tiveram na semana passada.

O viaduto é de responsabilidade da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb) da prefeitura. Desde o acidente ele está interditado parcialmente, por tempo indeterminado, para veículos. Veja aqui caminhos alternativos para se livrar do trânsito na região.

Procurada pelo G1 para comentar a decisão dos motoristas, a Prefeitura informou por meio nota que “lamenta o ocorrido e informa que, por meio do Decreto n 57.739 de 14 de julho de 2017, todos que se sentirem lesados podem buscar a reparação de danos pelo Município. O documento explica que o interessado deve formular um requerimento administrativo dirigido à Procuradoria Geral do Município que analisará cada caso”.

A reportagem também voltou a contatar a assessoria de imprensa da administração municipal na sexta-feira (23) para saber se ela deseja comentar a investigação policial sobre as causas e responsabilidades pelo acidente. A prefeitura não havia retornado o contato até a publicação desta matéria.

Laudos

A delegacia que investiga o caso ainda aguarda os laudos com as prováveis causas do acidente no viaduto para que possa dar andamento ao inquérito policial.

As primeiras análises do IC sugerem um problema nos chamados travesseiros ou colchões de neoprene da estrutura que cedeu. Eles têm função semelhante a de um “amortecimento” para concretos de viadutos.

O material é super-resistente, pode durar até cem anos se tiver boa manutenção. Mas no caso do viaduto que cedeu na marginal, o travesseiro deveria ter uma espessura bem maior, segundo peritos.

Um vídeo de câmera de segurança gravou o momento que a estrutura de concreto cede e os veículos começam a cair (veja abaixo). A investigação também deverá analisar essas imagens.

90 km/h

Os automóveis percorriam a via, que tem velocidade máxima permitida de 90 km/h em alguns trechos, quando o desabamento aconteceu.

Os veículos acabaram saltando de dois metros e batendo no chão, danificando a suspensão e parte da lataria dianteiros. Airbags dos carros foram acionados e impediram que os motoristas e ocupantes se machucassem com gravidade.

Enquanto isso, engenheiros da prefeitura trabalham para tentar devolver o viaduto que cedeu ao nível que estava antes do acidente. Para isso pretendem usar macacos-hidráulicos para isso.

Infográfico mostra como será o trabalho de escoramento de viaduto que cedeu na Marginal Pinheiros — Foto: Alexandre Mauro/G1

Infográfico mostra como será o trabalho de escoramento de viaduto que cedeu na Marginal Pinheiros — Foto: Alexandre Mauro/G1

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