Teste realizado pelo jornal A Notícia de Santa Catarina, conferindo as placas dos caminhões nas estradas e verificando se estavam com o tacógrafo em dia, apurou que quase metade estão irregulares. A matéria é do jornalista Julima Pivatto.
No último dia 8, um caminhão desgovernado causou um acidente que matou sete pessoas na BR-376, no Paraná. O tacógrafo, considerado a caixa-preta dos veículos de carga e transporte, estava vencido. No dia 13, três pessoas perderam a vida atingidas por um guincho, que não tinha o aparelho.
As informações chamam a atenção para uma situação corriqueira: muitos veículos não têm certificação do Inmetro para o tacógrafo. Para testar a realidade nas estradas, “A Notícia” anotou as placas de 200 caminhões que passaram pela BR-101, a cerca de 50 quilômetros de onde aconteceram os acidentes, e constatou que 39,5% estão com o tacógrafo em situação irregular – 36% sequer iniciaram o processo de verificação do equipamento.
O teste foi feito no dia 19. A reportagem ficou no posto da Polícia Rodoviária Federal de Pirabeiraba, em Joinville, anotando as placas dos veículos que seguiam no sentido Sul, das 15h15 às 16h30. Depois, o sistema do Inmetro online foi consultado. De 200 veículos pesquisados, 72 (36%) nem iniciaram o processo de certificação. Sete (3,5%) estavam com a documentação vencida e 121 (60,5%) estavam dentro da lei.
O desconhecimento da legislação e a desconfiança na aplicação dela são as causas para se chegar a estes números.
— Quando a gente conversa com as transportadoras, muitas não sabem que a lei existe e que a multa é pesada —, disse Ilce Maria Caset, dona da DieselSul, única empresa de Joinville com certificação do Inmetro para fazer a aferição e selagem dos tacógrafos.
O motorista flagrado em situação irregular pode sofrer multa do órgão fiscalizador de R$ 100,00 a R$ 1,5 milhão (dependendo do caso e se for reincidente). A taxa de avaliação do Inmetro é de R$ 149,00, mas se o equipamento for antigo e precisar de manutenção, o preço pode aumentar para cerca de R$ 300,00.
Rodolfo Rizzotto, coordenador do SOS Estradas e autor do livro “Acidentes não Acontecem”, disse que em outras regiões os dados são mais alarmantes.
— Fiz um teste nas ruas do Rio de Janeiro e cheguei a quase 70% de veículos em situação irregular —, disse.
Existem dois tipos de fiscalização em relação aos tacógrafos. Uma é feita pela Polícia Rodoviária, que verifica se o veículo tem ou não tacógrafo. O equipamento é considerado obrigatório pelo Código de Trânsito Brasileiro, e a falta dele gera multa, perda de pontos na carteira e apreensão do veículo.
O inspetor-chefe da delegacia da PRF de Joinville, André Ortega, diz que as blitze são constantes e que sempre que um veículo de carga ou de passageiro é parado, os agentes conferem a existência do tacógrafo.
Veja mais detalhes em : http://anoticia.clicrbs.com.br/sc/geral/noticia/2012/11/teste-an-quase-metade-dos-caminhoes-que-trafegam-na-br-101-estao-em-situacao-irregular-3959137.html
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