Políticos e autoridades usam essa semana para promoção pessoal

São quase 1,6 mil mortes em 2018; trecho entre Brasília e Juiz de Fora concentra 36% das fatalidades envolvendo motociclistas

Na véspera do Dia do Motociclista, celebrado neste sábado (27), números relacionados aos acidentes envolvendo um dos tipos de frota que mais crescem no país chamam a atenção para os riscos de quem pilota uma moto na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

De acordo com os atendimentos a vítimas de acidentes com motos do maior hospital de pronto-socorro de Belo Horizonte (MG) e dados do seguro obrigatório do DPVAT, os números apontam crescimento de quase 15%, que correspondem a quase 1,6 mil mortes no Estado em 2018 nesse tipo de desastre.

As estatísticas dos acidentes em um dos principais corredores rodoviários do país deixam uma grande preocupação quanto aos riscos para motoqueiros, garupas e pedestres num trecho curto de via.

Irresponsabilidade

Dos 936,8 quilômetros da Rodovia BR-040 concedidos, entre Brasília e Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, um trecho de apenas 32 quilômetros concentra nada menos que 36% das mortes e 23% de todos os acidentes com motos registrados no percurso total no primeiro semestre deste ano.
Enquanto, de janeiro a junho, a concessionária notificou 574 ocorrências com 22 óbitos nesse trecho, aconteceram 132 acidentes e oito mortes apenas no trecho entre Esmeraldas e Belo Horizonte, que vai do Km 500 ao 532 e equivale a 3,4% do percurso total. A concessionária responsável pela via tem observado duas situações que contribuem diretamente para o aumento do risco nessa área: motoqueiros usando smartphones e pressa na hora de ir ou voltar do trabalho.

Pronto-socorro

O resultado da insegurança nesse e em outros pontos da Grande BH traz impactos diretos para os atendimentos médicos. No primeiro semestre deste ano , o Hospital João XXIII, referência em urgência e emergência na capital, atendeu 2.376 acidentados de moto, número 14,6% maior do que os 2.073 atendimentos do mesmo período do ano passado. Outro indicador que mostra as consequências do perigo para motociclistas é a quantidade de indenizações pagas por acidentes envolvendo motos pelo Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (Dpvat) em Belo Horizonte no ano passado. Foram 107 indenizações por morte, 1.802 por invalidez e 537 reembolsos por despesas médicas suplementares – dados que levam em consideração pilotos, passageiros e pedestres. Em Minas, as indenizações são ainda maiores (veja arte).
O fluxo intenso chama a atenção para o trecho de 32 quilômetros na Grande BH que concentra o problema. Nele, em meio ao fluxo pesado de carros, caminhões e ônibus, é muito comum ver motociclistas abusando do tráfego nos corredores e ziguezagueando entre carretas e veículos de passeio, alguns deles usando até smartphones. Esse é o principal cenário do perigo, na avaliação do gerente de Operações da Via 040, Fabiano Xavier.
“Tem sido um fator de grande preocupação. Se para o condutor de um carro isso já é um problema, imagina em uma moto”, afirma Fabiano Xavier. Outra questão que tem sido abordada em reuniões semanais do Núcleo de Investigação de Acidentes da concessionária é o horário em que as batidas mais acontecem. O levantamento aponta que a maioria ocorre no início da manhã, em direção a BH, e no fim da tarde, no sentido contrário. “São horários de ida e vinda do trabalho. E muitas vezes quem faz motofrete está nesse meio. O pessoal tenta ganhar tempo pegando o corredor, mas essa conduta traz mais chance de acidentes”, acrescenta.

Balanço da PRF-MG

De acordo com o balanço da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Minas Gerais, no primeiro semestre deste ano envolvendo todos os tipos de veículos, dão conta de 4.031 acidentes, com 5.309 feridos e 294 mortos. A BR-040 correspondeu com  820 acidentes, 1.006 feridos e 75 mortos.
Fonte: Estradas com o Estado de Minas

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