
Ambos são réus; motorista estava em ‘velocidade incompatível’, e carreta estava sem manutenção. Caminhoneiro está preso por tráfico de drogas, e empresário responde em liberdade
Passados mais de três anos, a Justiça do Paraná irá ouvir o caminhoneiro, Tiago Arthur Bueno, e o dono da transportadora Rodoposser, Edelar Julio Posser, a respeito do engavetamento envolvendo 19 veículos na BR-376, no Paraná, em 6 de abril de 2023, que matou a professora Vanessa Kubaski Maciel, de 37 anos, e o filho dela, Pedro Henrique Maciel Jorge, de 7 anos. Uma nova audiência de instrução e julgamento sobre o caso foi realizada na tarde dessa quarta-feira (27).
Os dois respondem criminalmente porque a denúncia aponta que o motorista estava em velocidade incompatível com a via e sabia que o caminhão estava sem manutenção – serviço, esse, que era de responsabilidade da transportadora de Edelar, que, para o MP, “assentiu que o veículo rodasse nas condições em que estava.”
O sinistro (acidente) ocorreu no km 505 da rodovia, no município de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, resultando também em duas pessoas feridas. (ver detalhes abaixo)
O laudo pericial demorou três meses para ser concluído, e o caso se arrasta na Justiça desde 2024, quando Tiago e Edelar tornaram-se réus por homicídio simples e qualificado contra menor de 14 anos e lesões corporais simples e de natureza grave.
Na ocasião, havia uma expectativa de que o julgamento fosse concluído em abril de 2025, quando já era esperado que os réus fossem interrogados. Entretanto, de acordo com o advogado da família de Vanessa, Fernando Madureira, uma das testemunhas faltou e o juiz decidiu marcar uma nova audiência. Ela foi agendada para julho de 2025, mas remarcada novamente, “por uma questão técnica, para decidir sobre a competência do juízo”, disse.
Testemunha
Após o depoimento da testemunha, que faltou anteriormente, os réus deve ser interrogados. Em seguida, as partes têm cinco dias para apresentarem as alegações finais e, na sequência, o juiz tem dez dias para decidir se os réus devem ser levados a júri popular, ou se já receberão uma sentença.
O pai e avô das vítimas, Lauro Costa Maciel, disse que a demora no julgamento é motivo de uma dor a mais no luto. “Todo dia o vazio somente aumenta, porque são três anos, um mês e alguns dias que eu estou sem a minha primeira filha, a mais velha – a Vanessa – e sem o meu primeiro neto. E os perdi ‘bestamente’, uma situação que foi criada, não um acidente. É difícil. O vazio continua. O corpo dela não está mais aqui, mas ela vive no meu coração. Os dois vivem, e é isso está me mantendo em pé, é isso que está me mantendo vivo“, desabafou.

Caminhoneiro está preso por outro crime
O caminhoneiro Tiago Arthur Bueno vai ser interrogado por meio virtual, direto de uma penitenciária de São Paulo, onde está preso por outro crime. Em 5 de novembro de 2025, ele foi flagrado em um posto de gasolina na rodovia Raposo Tavares (SP-270), em Cândido Mota (SP), com mais de 1,8 tonelada de maconha em um caminhão, no trecho entre Paraná e São Paulo.
“O veículo foi localizado no pátio do posto, e o réu, que estava do lado de fora, tentou se afastar ao notar a presença policial, mas foi abordado. Inicialmente, o acusado alegou que o caminhão estava vazio, depois mudou a versão para transporte de aparas de madeira. No entanto, quando os policiais iniciaram a vistoria da carga, Tiago confessou que transportava maconha. […] Ainda segundo a denúncia, o réu confessou informalmente aos policiais que pegou a carreta já carregada com a droga em Foz do Iguaçu (PR) e a levaria para Cotia (SP)“, descreveu o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP).
Ele está detido desde então. Em março de 2026, o homem foi condenado a um total de 5 anos e 10 meses de reclusão.
Investigação
O laudo pericial do acidente que indica que o caminhão que atingiu o veículo das vítimas estava com problemas de manutenção foi finalizado em julho de 2023.
Ele também cita que a reação ineficaz do motorista do caminhão foi fator determinante do acidente e que não foram encontradas, no local do engavetamento, marcas de frenagem compatíveis com o caminhão e com os reboques. Para o MP, o motorista e o empresário assumiram o risco do acidente.
“O denunciado Tiago conduzia o caminhão em velocidade incompatível com as condições apresentadas na via, pois era de noite e chovia. Além disso, os sistemas de freios do trator e dos semirreboques estavam ineficientes para frenagem, os pneus estavam desgastados e o cronotacógrafo estava inoperante, circunstâncias que foram determinantes para a ocorrência do resultado morte e que eram de conhecimento de ambos os denunciados “, diz a denúncia.
O sinistro
No dia 6 de abril de 2023, um engavetamento com 19 veículos, no km 505 da BR-376, em Ponta Grossa, no Paraná, resultou na morte da professora Vanessa Kubaski Maciel, de 37 anos, e do filho dela, Pedro Henrique Maciel Jorge, de 7 anos, além de ferimentos em outras sete pessoas.
Na ocasião, o sinistro ocorreu após uma sequência de colisões, provocada por uma carreta bitrem, que colidiu em um carro de passeio causando o engavetamento. A bitrem, com placas de Cascavel (PR), estava com problemas nos freios, e não conseguiu parar, batendo lateralmente em dois caminhões e vários carros, arrastando-os para o canteiro central. Vanessa e o filho Pedro Henrique viajavam em um Chevrolet Ônix.

Caminhão estava irregular e com manutenção precária
À época, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Civil, ainda no local do sinistro, identificaram problemas nos freios, pneus e no tacógrafo da carreta, que causou o engavetamento. O motorista fez teste do bafômetro, com resultado negativo pra ingestão de álcool.
Ele foi preso por homicídio e lesão corporal culposos, conforme a Polícia Civil, e vai passar por audiência de custódia.
“Os PRFs verificaram que o sistema de freio deles estava com defeito. Havia mangueiras, estavam isoladas, sistema de freio algumas partes com falta de peça, o que compromete totalmente a eficiência do sistema. E não vai parar o caminhão suficientemente, ou nem parar o caminhão. Uma das causas principais do acidente é essa”, explicou o inspetor Yuri Ranzani, da PRF.











