
O cálculo foi feito por peritos especializados em sinistros de trânsito
O Estradas.com.br solicitou a dois peritos, especialistas em investigação de sinistros graves em rodovias, a análise das imagens do momento da explosão ocorrida na Via Dutra (BR-116), nesse domingo(19), no trecho de Barra Mansa(RJ).
A conclusão é que possivelmente o que mais pode ter contribuído para a tragédia foi o excesso de velocidade antes de entrar na curva, num trecho em que o limite é de 80km/h. O portal também encontrou multas recentes por excesso de velocidade da mesma carreta, apenas 16 dias antes da tragédia.
Avaliação dos peritos
Isaac Newton Lima da Silva, perito criminal no Instituto Geral de Perícias do Estado do Rio Grande do Sul, com doutorado na University of Manchester Institute of Science and Technology, por meio das imagens precárias disponíveis, fez uma avaliação do que pode ter acontecido, esclarecendo que não se trata de um laudo.
Segundo Silva, a perícia oficial terá melhores condições de fazer, informações disponíveis e imagens de melhor qualidade para chegar ao parecer final.
“A dinâmica do sinistro está vinculada a múltiplas variáveis, tais como as especificações técnicas do veículo e o estado de conservação dos pneumáticos. Com base na análise geométrica do trecho (BR-116, km 273, próximo ao posto Sol da Dutra), aferi um raio de curvatura de 301 metros. Desconsiderando a superelevação da via, e sendo conservador, a velocidade crítica de guinada (derrapagem) para este veículo pesado foi estimada entre 124 km/h (m = 0,40) e 138 km/h (m = 0,50). Em contrapartida, o limite físico de tombamento, considerando um centro de gravidade compatível com carga a 1,5 metros de altura, foi calculado em 160 km/h. Diante desses parâmetros, dá para considerar que a velocidade mínima necessária para a perda de controle direcional seria de 124 km/h, sendo muito conservador. A análise por fotogrametria restou prejudicada pela baixa resolução das mídias disponíveis, uma vez que os registros consistem em capturas de tela (screen recordings) e não nos arquivos originais, o que compromete a precisão métrica.”
Já o perito Rodrigo Kleinubing, especializado em sinistros com veículos pesados e colaborador do SOS Estradas, após análise das mesmas imagens e considerando algumas observações de seu colega Isaac Newton, acrescentou a importância da formação continuada, que foi comprometida com a aprovação da Resolução 1020/25 do Contran, conforme o Estradas já revelou. Veja o que disse o Kleinubing:
“Quanto a velocidade, cabe a ressalva que o fenômeno de amplificação traseira (popularmente conhecido como quebra asa), se ocorrido de forma involuntária, pode desencadear a perda de estabilidade direcional a velocidades menores, porém estando diretamente associado a uma condução inadequada. Daí a importância do treinamento continuado para a condução destas composições rodoviárias com cargas perigosas.”
Veículo foi flagrado em excesso de velocidade 2 vezes
Nos dias 3 e 4 deste mês, na Via Anhanguera (SP-330) a carreta – que explodiu 16 dias depois – foi flagrada em excesso de velocidade, o que motivou as autuações por meio dos radares do DER-SP.
No dia 3, o veículo trafegava pela direita a 104km/h; indício de que a prática de andar acima do limite era frequente, principalmente porque são trechos conhecidos dos motoristas da empresa e naturalmente sabem onde normalmente estão os radares, que ainda são sinalizados conforme Resolução 798/20 do Contran. Apesar das autuações, ainda não é possível identificar quem dirigia nessas ocasiões.

Como foi o sinistro
A carreta da Menezes Lima Transportes Ltda, a serviço da Consigas, conduzida por Igor Buscariollo, que faleceu no local, transportava GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) no sentido Rio de Janeiro – São Paulo.
Logo depois da curva, o motorista perdeu o controle chocando com a mureta que divide a rodovia. A explosão foi imediata e, conforme as imagens revelam, atingiu pessoas que estavam centenas de metros de distância do local da explosão.
Quatro pessoas morreram e duas estão internadas em estado grave, com queimaduras por todo o corpo. Outras ficaram feridas mas foram liberadas. Além disso, foram causados danos materiais em veículos e no posto Sol da Dutra.
Quando o Estradas.com.br publicou matéria sobre o provável aumento desse tipo de sinistro (acidente), foi solicitado à Associação Brasileira da Indústria Química Abiqueim) qual seria a avaliação da Resolução do Contran 1020/25, que alterou a política dos cursos de obrigatórios do transporte de cargas perigosas, transporte de passageiros e escolar. Veja a nota da entidade:
“A Resolução CONTRAN nº 1.020/2025 representa uma mudança estrutural no modelo de fiscalização da formação de condutores profissionais no Brasil.
De acordo com o novo regulamento, o Curso MOPP (Movimentação de Produtos Perigosos) e outros cursos especializados deixam de ter um prazo de validade autônomo (anteriormente de 5 anos). A partir de agora, a regularidade desses cursos passa a estar vinculada à validade da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do condutor.
A avaliação da Abiquim é a de que essa medida possa comprometer o treinamento continuado. Essa visão, sobretudo, é compartilhada por diversos especialistas do setor pelos seguintes motivos:
- Espaçamento entre Reciclagens: Com a CNH para condutores abaixo de 50 anos valendo agora 10 anos, um motorista pode passar uma década sem realizar uma atualização formal sobre novas normas de segurança e novos tipos de produtos perigosos.
- Mitigação de Riscos: A periodicidade de 5 anos era vista como uma barreira de segurança para garantir que o motorista estivesse familiarizado com protocolos de emergência atualizados.
- Foco na Fiscalização: O CONTRAN argumenta que a medida reduz a burocracia e os custos para o motorista, focando na integração de dados digitais através da Carteira Digital de Trânsito, mas transfere para as transportadoras a responsabilidade maior de realizar treinamentos preventivos internos.
Responsabilidade das autoridades
Para o coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, os alertas foram feitos e a Resolução revela a irresponsabilidade de todos que assinaram a mesma.
“Para aprovar uma Resolução como esta é preciso um estudo técnico que justifique a medida. Agora, cabe aos representantes dos ministérios que assinaram a Resolução 1020/25 apresentar essa “Nota Técnica” para que a sociedade possa entender os riscos que todos corremos trafegando nas rodovias com veículos que podem explodir, inclusive com ônibus transportando dezenas de passageiros, já que o curso de transporte de passageiros, assim como o escolar, já não é mais obrigatório periodicamente como antes.”
Rizzotto lembra ainda que é preciso verificar as condições de manutenção da rodovia presidente Dutra, já que vários trechos tem apresentado condições precárias. Além disso, é necessário analisar os registros do tacógrafo e demais equipamentos de monitoramento das carretas transportam para a Consigaz, para identificar qual o comportamento dos motoristas e , caso haja abuso frequente de velocidade e/ou jornada, identificar se são casos isolados.
Novo sinistro com carreta de combustível
Nesta quinta-feira (23), uma carreta Volvo com combustível tombou na BR-153/MG, em Comendador Gomes (MG). Felizmente o motorista sobreviveu e não houve feridos.
Houve pequeno derramamento de combustível, mas sem provocar incêndio ou explosão. O Estradas apurou com exclusividade que a carreta Volvo, modelo FH 540 6×4, tem oito multas, em aberto, sendo duas por excesso de peso, aplicadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), e quatro pelo Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo (DER-SP), sendo 2 por excesso de peso; 1 por excesso de velocidade; 1 por deixa de conservar o veículo na faixa a ele destinado; 1 por placa ilegível; e 1 por não identificação do condutor pessoa jurídica. O total das infrações é de R$7.381,93.

Os nomes dos responsáveis por esta polêmica Resolução serão lembrados em todas as matérias de sinistros apurados pelo portal, que tenham relação com as mudanças de critério, até que as autoridades que assinaram o documento apresentem os estudos (nota técnica) que justificaram seu apoio à medida e que comprovem que contribui para o aumento da segurança viária e a preservação da vida no trânsito. São responsáveis:
ADRUALDO DE LIMA CATÃO (Secretário da SENATRAN)
Presidente Em Exercício do Contran em nome do Ministro dos Transportes Renan Filho
DANIEL GOMES DE ALMEIDA FILHO (Secretário de Desenvolvimento
Tecnológico e Inovação) – Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações
FERNANDA MARA DE OLIVEIRA MACEDO CARNEIRO PACOBAHYBA – Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – Ministério da Educação
ADALBERTO FELÍCIO MALUF FILHO – Secretário Nacional do Meio Ambiente e Mudança do Climas Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental – Ministério do Meio Ambiente
MARIÂNGELA BATISTA GALVÃO SIMÃO – Secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do
Ministério da Saúde
ANTÔNIO FERNANDO SOUZA OLIVEIRA (diretor da Polícia Rodoviária Federal)
Ministério da Justiça e Segurança Pública
UALLACE MOREIRA LIMA – Secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
DENIS EDUARDO ANDIA – Secretário Nacional de Mobilidade Urbana – SEMOB do Ministério das Cidades
Leia também:
Editorial: Autoridades tem responsabilidade sobre tragédias anunciadas





Infelizmente no Brasil aonde no trânsito pode matar e so responde um processo vida inocente se foram como muitas ainda se vão se não tiver uma lei pesada para este digo de motorista que não respeita as leis de trânsito as empresa tem que ser punidas também porque ela rastrea o veículo tem tacrografo enfim tem que ter leis mais pesada para o Brasil em todas as áreas para mostrar que não compensa burlar as leis brasileiras so pondo a mão no bolso que todos vão aprender pagar multas uma vez se não resolver problemas não deixar nunca mais dirigir nem moto ladrão foi preso uma vez soltou continuou no crime arrumar uma ilha e soltar lá para ele plantar fazer tudo para sobreviver lá sem nem uma ajuda do estado nem para eles e nem para a família se tentar fugir pega e fuzilar na hora so a sim teremos paz para viver no Brasil e no mundo
Fui motorista pôr muitos anos 25 após passei a ser gerente operacional.
Sempre fui contra motorista trabalhar após 12 horas velocidade máxima 85 km horas.
A cada 2 horas parar pôr 20 minutos.
Acidente são causados pela liberdade de alguns empresários e chefes de motoristas devido a falta de mão de obra sendo que eles dão liberdade para andar acima da velocidade.
Nesse caso específico o responsável pelo conferir os discos do tacografo não viu os excesso.
Nunca tivemos Acidente com nossos veículos da Bahia até Argentina com carga inflamável e explosiva.
A Transportadora Sancap e Brasil mundial sempre preservando a segurança.
Cliente precisa da carga e não de apole de seguro.
Todo motorista conhece números gual velocidade teria que tá seria 80 não 124 quem foi emprudente andar em alta velocidade so causa mortes o Brasil é campeão nisso e ninguém faz nada já passo da hora de alguém se mover e fazer alguma coisa caminhões e ônibus deveria sair com um controlador de velocidade de fábrica pra ninguém andar dessa forma
Falta educação ao povo, inclusive quem dirige veículos transportando cargas tão perigosas. Estradas inseguras, ormação rasa e insipiente de profissionais,para um país com recordes de acidentes ( muitos deles fatais). Muito triste e vergonhoso um país recordistas em mortes nas estradas.
Instalar sistema de freio automático que passando de 80 KM,ele é acionado, não deixando o veículo aumentar velocidade.( E muito simples basta querer).
Existe tanta tecnologia disponível!!!!
vai ter perícia da polícia pois quem conhece este trecho sabe que não tem como está está velocidade pois antes é subida ele estava carregado . não jugar pois tem vários fatores as multas foi em Ribeirão preto ele tinha sido advertido sobre isso agora morto não pode se defender .vamos esperar os processos pra depois jugar
O cálculo dos peritos é baseado em física e equipamentos muito sofisticados. São profissionais acostumados a perícias de sinistros (acidentes), com décadas de experiência. Não fizeram uma perícia do ocorrido mas um cálculo baseado nas imagens disponíveis. A matéria mostra inclusive que é preciso analisar o disco diagrama do tacógrafo dos demais veículos da empresa para detectar se foi um caso isolado ou política da empresa a qual os motoristas são submetidos.
vcs tem saber tudo pra depois jugar
Ninguém julgou. Apenas através da física e equipamentos utilizados por peritos de criminalística fizeram cálculos. Caso seja capaz de fazer o mesmo conteste os dados. Aqui estão os dados do perito, apresente seus números: ““A dinâmica do sinistro está vinculada a múltiplas variáveis, tais como as especificações técnicas do veículo e o estado de conservação dos pneumáticos. Com base na análise geométrica do trecho (BR-116, km 273, próximo ao posto Sol da Dutra), aferi um raio de curvatura de 301 metros. Desconsiderando a superelevação da via, e sendo conservador, a velocidade crítica de guinada (derrapagem) para este veículo pesado foi estimada entre 124 km/h (m = 0,40) e 138 km/h (m = 0,50). Em contrapartida, o limite físico de tombamento, considerando um centro de gravidade compatível com carga a 1,5 metros de altura, foi calculado em 160 km/h. Diante desses parâmetros, dá para considerar que a velocidade mínima necessária para a perda de controle direcional seria de 124 km/h, sendo muito conservador. A análise por fotogrametria restou prejudicada pela baixa resolução das mídias disponíveis, uma vez que os registros consistem em capturas de tela (screen recordings) e não nos arquivos originais, o que compromete a precisão métrica.”
vcs tem falar verdade pois temos certeza que estava velocidade de via rapaz era muito responsável
O problema é que as pessoas leem e não entendem. Não estamos julgando, apenas apresentando informações e cálculos. Quer contestar, aqui estão os dados do perito. ““A dinâmica do sinistro está vinculada a múltiplas variáveis, tais como as especificações técnicas do veículo e o estado de conservação dos pneumáticos. Com base na análise geométrica do trecho (BR-116, km 273, próximo ao posto Sol da Dutra), aferi um raio de curvatura de 301 metros. Desconsiderando a superelevação da via, e sendo conservador, a velocidade crítica de guinada (derrapagem) para este veículo pesado foi estimada entre 124 km/h (m = 0,40) e 138 km/h (m = 0,50). Em contrapartida, o limite físico de tombamento, considerando um centro de gravidade compatível com carga a 1,5 metros de altura, foi calculado em 160 km/h. Diante desses parâmetros, dá para considerar que a velocidade mínima necessária para a perda de controle direcional seria de 124 km/h, sendo muito conservador. A análise por fotogrametria restou prejudicada pela baixa resolução das mídias disponíveis, uma vez que os registros consistem em capturas de tela (screen recordings) e não nos arquivos originais, o que compromete a precisão métrica.”
O problema não é ficar 10 anos sem fazer curso moop ou outros…. O Problema está na Formação de péssimos motoristas desde a 1° habilitação, e agora pior ainda sem formação mínima de auto escola…
Kkkkkkkkkk que Novidade, carreta em alta velocidade……imagina elas não correm!!!!
Bom, deu pra perceber a sátira desta conversa
O Brasil ainda é menino na impunidade destas faltas de responsabilidade que se espalha no brasil a fora.
Até que enfim alguém falou das condições precárias de trecho da dutra. Uma vergonha, pois se paga um absurdo de pedágios. Onde está a fiscalização dos órgãos responsáveis?