
Eventos severos podem alterar uma rota em poucas horas e ampliam a necessidade de alertas antecipados e alternativas seguras para veículos pesados
O mapa de risco das estradas pode mudar no intervalo de uma viagem. Uma rota liberada pela manhã pode enfrentar, horas depois, alagamento, queda de barreira ou bloqueio provocado por um temporal. Para quem percorre centenas de quilômetros diariamente, essa realidade altera a maneira de planejar o transporte.
No caso dos veículos 0km, o problema tem características próprias. Uma carreta-cegonha conduz carga de alto valor, possui grandes dimensões e não pode utilizar qualquer caminho como alternativa. Pontes, curvas fechadas, vias estreitas, pavimento inadequado e restrições de altura ou peso podem inviabilizar um desvio.
Segundo José Ronaldo Marques da Silva, o “Boizinho”, presidente do Sinaceg (Sindicato Nacional dos Cegonheiros), que representa mais de 5 mil profissionais que atuam no segmento de transporte de veículos, antecipar situações críticas tornou-se parte essencial da segurança nas estradas.
“Não dá para esperar a barreira cair ou a água tomar a pista para decidir o que fazer. Quem está dirigindo uma cegonha precisa receber o alerta quando ainda existe tempo de parar em segurança ou seguir por um caminho adequado”, afirma.
O debate já chegou à gestão da infraestrutura federal. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) vem reforçando medidas de resiliência climática nas concessões, com fiscalização preventiva, identificação de áreas vulneráveis, comunicação de incidentes e preparação para situações críticas.
Previsões meteorológicas, radares, sensores e dados das concessionárias e de órgãos públicos permitem identificar ameaças antes que um trecho se torne intransitável. Para o Sinaceg, o próximo passo é fazer esse conhecimento chegar rapidamente a quem está na pista.
“Hoje existe tecnologia para enxergar o problema antes que ele esteja na frente do para-brisa. Não basta saber que vai chover. É preciso identificar onde aquela chuva pode comprometer a viagem e avisar quem está a caminho”, afirma Márcio Galdino, diretor regional do Sinaceg.
Estudos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontam a possibilidade de intensificação de precipitações extremas e de ocorrências associadas, como deslizamentos e inundações, em diferentes regiões brasileiras.
Nesse cenário, amplificado pelo fenômeno climático El Niño, o sindicato defende mapeamento permanente de pontos vulneráveis, trajetos alternativos compatíveis com veículos de grande porte e maior integração entre concessionárias, Defesa Civil, gestores públicos e transportadores. A lógica é antecipar decisões para que motoristas não descubram uma situação crítica apenas quando o bloqueio já estiver à frente.













