
Expansão da cobertura móvel reduz áreas de sombra e transforma conexão em ferramenta de segurança e eficiência nas estradas
As rodovias brasileiras começam a incorporar uma infraestrutura que não se vê no asfalto. A expansão da cobertura de internet nas estradas promete reduzir áreas sem sinal e ampliar o uso de recursos digitais que já interferem diretamente na segurança, no planejamento das viagens e na operação do transporte de cargas.
A previsão do Ministério das Comunicações é aumentar em 60% a conectividade nas rodovias nos próximos quatro anos. Segundo o ministro Frederico Siqueira, os investimentos devem começar ainda neste ano e levar cobertura qualificada a trechos que hoje permanecem fora do alcance das redes móveis.
Dos cerca de 75 mil quilômetros de rodovias federais pavimentadas, cada operadora cobre individualmente, no máximo, aproximadamente 24 mil quilômetros. A expansão deverá alcançar milhares de quilômetros das BRs 101, 116, 135, 163, 242 e 364, corredores importantes para o deslocamento de pessoas e mercadorias pelo país.
Para quem trabalha na estrada, a diferença entre ter ou não sinal pode aparecer justamente diante de um imprevisto. Rastreamento, atualização de rotas, alertas sobre acidentes e bloqueios, comunicação com transportadoras e acionamento de socorro são algumas das atividades que dependem de conexão ao longo do percurso.
“Há trechos em que o motorista entra numa espécie de apagão digital. E é justamente na estrada que informação rápida pode fazer diferença diante de um acidente, de um bloqueio ou de uma mudança inesperada de rota. Levar conexão a esses pontos é também ampliar a rede de proteção de quem trabalha ao volante”, afirma José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg).
No transporte de veículos zero quilômetro, a conectividade ganha peso adicional. A atividade envolve cargas de alto valor e exige planejamento preciso, cumprimento de prazos e atenção às condições do percurso. Quanto maior a capacidade de acompanhar o trajeto e antecipar ocorrências, menor a exposição da operação a atrasos e riscos.
A ampliação da cobertura está associada ao leilão da faixa de 700 MHz, que estabelece compromissos para levar 4G e 5G às rodovias. O modelo também prevê itinerância entre operadoras, permitindo o acesso a outra rede disponível em locais onde a prestadora contratada pelo usuário não tenha cobertura.
Para Márcio Galdino, diretor regional do Sinaceg, o avanço da conectividade amplia o próprio conceito de qualidade rodoviária.
“Uma rodovia moderna não termina no asfalto. Pavimento e sinalização continuam fundamentais, mas a estrada do presente também precisa transportar informação. Quanto mais conectado estiver o percurso, maior será a capacidade de prevenir riscos, responder a imprevistos e tornar a operação mais segura e eficiente”, frisa Galdino.













