Motorista com exame toxicológico vencido provoca engavetamento na BR-153/GO
ENGAVETAMENTO: Caminhoneiro com exame toxicológico vencido e tacógrafo irregular quase provoca uma tragédia na BR-153/GO. Foto: Divulgação/PRF

Caminhoneiro não freou e gerou um engavetamento envolvendo quatro veículos. Foi autuado por 8 infrações, somando 43 pontos.

Um motorista profissional, de 64 anos, com o exame toxicológico vencido e tacógrafo irregular provocou um sinistro (acidente) envolvendo quatro veículos, nesta terça-feira (11), em Aparecida de Goiânia (GO).

Segundo levantamentos preliminares da Polícia Rodoviária Federal (PRF), por volta das 19h30, o condutor gerou um engavetamento com outros três veículos, além do dele, no km 502 da BR-153, no perímetro urbano entre Goiânia (GO) e Aparecida de Goiânia (GO).

De acordo com o caminhoneiro, para não passar em cima de uma motocicleta que, inesperadamente, entrou na frente de sua carreta, ele desviou para a pista lateral, bateu em três veículos, vindo a carreta dar um “L”. Com isso, a pista ficou parcialmente interditada por cerca de 50 minutos.

Apesar da gravidade da situação, o sinistro não teve vítima, só danos materiais.

Após consultar a documentação do caminhoneiro, os inspetores constataram que ele está com o exame toxicológico vencido há mais de 12 meses e com o tacógrafo irregular. Não foi constatado indícios de álcool no organismo do motorista.

EXCLUSIVO: PRF aplica 8 multas que somam 43 pontos

Ao verificar as condições do veículo, além da irregularidade no tacógrafo, a PRF encontrou várias outras que somadas representam 43 pontos. Dentre elas a da falta do exame toxicológico com valor de R$1.467,35, além de sete pontos na CNH.

No sistema do Inmetro a verificação obrigatória do cronotacógrafo está vencida desde 12 de maio de 2023.

O tacógrafo é fundamental na apuração das possíveis causas da colisão. O equipamento, conhecido como “caixa-preta” do setor de transportes rodoviários, indica a velocidade praticada, distância percorrida e permite apurar o tempo de direção contínua.

Com isso é possível saber se o motorista dirigia acima do limite de velocidade e com excesso de jornada. São fatores comuns aos motoristas usuários de drogas.

Há ainda multas por conduzir o veículo em mau estado de conservação e adulteração de placa, dentre outras.

Mais de 3 milhões de condutores não apresentaram o laudo negativo para drogas

Segundo a Senatran mais de três milhões de motoristas das categorias C, D e E, que deveriam realizar o exame toxicológico de larga janela não fizeram o exame, portanto, não apresentaram laudo negativo para o consumo de drogas. Este número representa 20% do total dos condutores habilitados nestas categorias, que somam cerca de 11,5 milhões.

Além da multa na pista, também deve ser aplicada a chamada “multa de balcão”, pela não realização do exame toxicológico, considerada infração gravíssima, no valor de R$1.467,35 e sete pontos na CNH.

A Senatran esclarece que a verificação do cumprimento dos prazos do vencimento do exame periódico é de responsabilidade dos sistemas eletrônicos dos Detrans estaduais e do Distrito Federal, que poderão aplicar as penalidades previstas com o fim do período regulamentar estabelecido pelo escalonamento de janeiro de 2024.

Entretanto, apesar da previsão legal da multa de balcão, alguns diretores de Detrans estão procurando evitar a aplicação da multa, o que pode ser considerado prevaricação. Com isso beneficiam milhões de usuários de drogas que podem provocar tragédias como quase ocorreu nessa terça-feira (11), à noite.

O Estradas.com.br solicitou a assessoria de imprensa do Detran de Goiás, quantos motoristas foram autuados pela falta do exame toxicológico periódico, conforme explicado acima, porque o motorista em questão é habilitado em Goiás, assim como o veículo, um modelo Iveco 2008 também está registrado no órgão. Logo que tenhamos os esclarecimentos do Detran divulgaremos.

A impunidade no trânsito brasileiro, particularmente quanto ao consumo de drogas por motoristas de veículos pesados, tem sido garantida por maus gestores do trânsito brasileiro. Cabe a eles explicar porque protegem usuários de drogas. Esses “gestores” são em parte responsáveis pelas tragédias que causadas por esses motoristas usuários de drogas“, afirma Rodolfo Rizzotto, coordenador do SOS Estradas.

No caso deste engavetamento específico, o condutor deverá pagar R$2.934,70, com 14 pontos na CNH, por não realizar exame que custa em média em torno de R$135,00. Portanto, pagará de multa 21 vezes o valor médio do exame.

Com informações da PRF de Goiás (atualizada àas 13h28)

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