Após a colisão na traseira da carreta o motorista não resistiu aos ferimentos Foto: Artesp

Ocorrência na madrugada desse sábado (29) deixou também 12 pessoas feridas

Um motorista de ônibus Mercedes-Benz, da empresa Piracicabana, morreu na madrugada desse sábado (29), ao colidir o veículo que conduzia, na altura do km 282 da Rodovia Washington Luís (SP-310), em um caminhão Volkswagen 17.210, tipo carroceria, alguns metros antes de adentrar à praça de pedágio, no município de Araraquara (SP).

Com o impacto, a frente do coletivo ficou destruída, e o motorista Marcos Alexandre Ribeiro, de 46 anos, não resistiu aos ferimentos e faleceu no local. Outros cinco passageiros ficaram feridos, sendo dois em estado grave; eles foram socorridos a um hospital na região. Os dois ocupantes do caminhão não ficaram feridos. O veículo de carga transportava tijolos.

De acordo com o Boletim de Ocorrências (B.O.), o sinistro ocorreu às 2h40, na pista sentido interior; e pelas características, há indícios de que o motorista Ribeiro tenha cochilado ao volante ou tenha tido um mal súbito; a perícia é quem vai apurar tais possibilidades.

Equipes da concessionária responsável pela rodovia e da Polícia Militar Rodoviária (PMRv-SP) prestaram atendimento à ocorrência.

Por conta do sinistro, houve interdição da faixa da direita da via para o atendimento às vítimas, causando pequena lentidão no tráfego, afinal, era no período da madrugada. A faixa foi liberada às 8h15 ainda no sábado (29).

Segundo apuração do Estradas, o ônibus tinha como destino final a cidade de Ibitinga (SP). O veículo saiu de sua origem por volta das 16h. O motorista Ribeiro assumiu formalmente a direção no ponto de apoio, em Araraquara (SP), poucos minutos antes de ocorrer a colisão na praça de pedágio.

Sepultamento

A reportagem apurou também que o velório e sepultamento do motorista Marcos Alexandre Ribeiro será realizado no Velório Municipal de Gavião Peixoto (SP), às 9h, e encerramento às 13h45. O sepultamento será no Cemitério Municipal, no bairro Nova Paulicéia, em Gavião Peixoto (SP).

Na avaliação do Coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, é preciso que o Ministério Público do Trabalho investigue a jornada dos motoristas da empresa.

“A informação de que o motorista pode ter cochilado ao volante com pouco tempo de direção é preciso ser apurada. Há casos, não quer dizer que seja esse, em que motoristas trocam na parada, sem o descanso necessário. Temos registro cada vez mais frequente de sinistros (acidentes) com motoristas de ônibus que cochilam ao volante. Tanto em linhas interestaduais, intermunicipais, de turismo e nos clandestinos. A colisão na traseira de uma carreta de madrugada, em trechos com várias pistas em cada sentido, é no mínimo indício de fadiga dos profissionais.”

Rizzotto lembra ainda que a ARTESP, responsável pelas linhas de São Paulo, alterou uma portaria que determinava que viagens com mais de 170 quilômetros deveriam ter uma parada obrigatória. Foi alterada para outra que passou dos 170 para 350 km. Sem nenhum estudo que a justifique e desrespeitando a legislação de tempo de direção e do Código de Trânsito.

“Nós notificamos recentemente o diretor-presidente da ARTESP , André Isper Rodrigues Barnabé, e seu Superintendente de Transporte de Coletivos, Felipe Ricardo da Costa Freitas, de precisam revogar essa portaria que coloca vidas em risco e contribui para a fadiga dos motoristas. Infelizmente, até o momento, nada foi feito. Depois, quando a tragédia acontece, querem tomar providências.”, esclarece Rizzotto.

Segundo fiscais da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e da entidade de classe, o atual Superintendente da ARTESP, foi responsável pelo desmonte da fiscalização do transporte rodoviário de passageiros na Agência Federal.

Há menos de dois anos o Estradas entrevistou o então Diretor de Procedimentos e Logística da Artesp, Laércio Simões que reconheceu que a portaria dos 350 quilômetros era incompatível com a segurança rodoviária. Apesar de ter tomado algumas medidas, a Portaria continua em vigor e até hoje não foi apresentado estudo que a justificasse.

A Polícia Civil irá investigar as causas do sinistro e deveria também investigar a situação dos motoristas na empresa e a fiscalização da ARTESP quanto a segurança dos passageiros.

Saiba mais sobre o tema:

Empresas de ônibus voltam a operar viagens que colocam vidas em risco para lucrarem mais

Em menos de uma semana, 35 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em acidentes envolvendo ônibus

Deixe um comentário

Você digitou um endereço de e-mail incorreto!
Por favor, digite seu nome aqui